Esse espaço é onde exponho meus devaneios mundanos...Enquanto ser existente, sou pretensiosamente reflexivo.
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
Servitude Éternelle
Outrora, os senhores de engenho se deliciavam de um bom café, servido pelas mãos de escravos.
Hoje não temos mais as "Casas Grandes" centralizadas...então, por onde anda o senhor de engenho?
Quem é o senhor do escravo pós-moderno? A quem servimos?
A primeira mão podemos dizer que somos escravos de nossa vontade de querer: Querer sempre mais. Independente do que seja e do que suportamos para tal. Querer apenas por querer. Podemos dizer que somos escravos da vontade, nossas vontades e desejos mesquinhos. Servimos a nossa ambição e eterna volúpia. Escravos do desejo. Desejamos tanto que criamos correntes entre nossas pernas, com bolas de chumbo mais pesadas que a lua.
Ainda sim, parece que há sempre algo maior por detrás, como se não fosse possível prestar atenção no “homem por detrás da cortina”, ilusionando como um fantasioso Mágico de Oz.
Há sempre alguém que impulsiona as engrenagens do sistema. Situações que parecem impossíveis, rostos invisíveis, frases com sujeito oculto ou indeterminado. Somos escravos de alguns e da pior maneira, nos tornamos escravos de nós mesmos.
Escravos da dependência, em uma servidão contínua que não dá sinal de paz ou trégua. Apenas momentos de alívio para suportar todo o peso indefinidamente. A Burocracia funciona de forma inócua, onde um sistema próprio de Sísifo, seria menos odioso, pois saberíamos que estamos sendo punidos (e porque estamos sendo).
Temos nosso valor/hora de trabalho mensurado pelo mercado de trabalho; mas esse valor/hora no ócio é imensurável.
Valor atribuído, repartido e equacionado. O fator social segue quase como uma esmola para se poder sobreviver. É necessário políticas que facilitem o emprego, que por fim acaba como sendo uma benção para milhões de “desafortunados”. És uma benção ser martirizado até o fim da vida.
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
Pílula para dormir, pílula para acordar.
Pílula para dormir, pílula para acordar.
A hora de dormir já passou. A hora de acordar sempre é adiada.
É um suplício eterno manter esse ciclo.
Cápsulas de alegria, tragadas para elevar a dependência na dopamina.
Montanha-russa de emoções, mais necessidades a cada curva.
Uma pílula para dormir, outra pílula para acordar.
A hora de dormir nunca chega, e a hora de acordar é um sacrifício.
Cápsula de energia, tragadas para dopar a vida.
Vive a intensidade do hoje com enorme amor ao tédio.
Uma tragada de fumaça para ir direto aos brônquios.
Uma dose única do melhor álcool para elevar o espírito.
Qualquer coisa que faça sair da realidade.
Roleta-russa de emoções, com um número de sorte no tambor.
Nem o CO do ar, consegue fazer parar essa respiração pertinente.
A pílula que se tem para dormir, não funciona mais; tampouco a pílula para acordar.
Veneno antimonotonia não sai fácil da semente. É preciso espremer tudo que não é necessário.
Pílula para dormir, pílula para acordar.
Nunca quer dormir; não se contenta em acordar.
Cápsulas de alegria, tragadas para elevar a dependência na dopamina.
Um dia quiçá, o sonho seja tão bom quanto será eterno?
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
Seu Nada e o complexo da vida e morte.
Seu nada, a algum tempo atrás se percebeu morto. Seu corpo era vivo, mas aquele símbolo dos românticos que outrora se atribuía os sentimentos, agora se restringia apenas a bombear sangue venoso e arterial. Sentia-se morto com o corpo ambulante, aproveitando toda a ficção em torno dos zumbis e sua fome por cérebro, na verdade, não buscava um cérebro, e sim, uma alma com pouco mais de paixão.
Até pouco tempo atrás, Seu Nada se percebeu vivo! Quem diria, um ser consciente, vivente e respirante. Percebeu não ser a pessoa mais inteligente da terra, tampouco a mais burra, talvez um pouco estranha, mas ainda percebeu que era consciente de sua existência, e de tudo que acontecia ao seu redor como um notável desconhecido testemunha da história, sem ter como interferir em acontecimentos além de suas capacidades.
Seu Nada apenas percebe seus passos, seus erros, sua vida e se indaga de como veio a existir nesse caos. Questiona como tantos vivem nesse caos de forma um tanto harmônica, achando belo aquilo que a sua cultura impõe como belo, se alimentado daquilo que sua cultura lhe diz ser bom e saudável para consumir, vivendo da mesma forma vazia e cheia de coisas para se fazer como sua cultura diz como tem que ser.
Reza para todos os deuses que sua cultura diz que nos criaram, e perto do fim, percebe que os placebos não funcionam mais, os remédios são tão úteis como se fossem feitos de farinha de trigo. Os placebos não funcionam mais e o Seu Nada, se vê vivo e morto em seus pensamentos e memórias em meio a um turbilhão de acontecimentos caóticos que se seguem em sua frente e quando ele se pergunta: Quão complexo é o fim?
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
Nosso Valor/Hora.
Contabilizamos erradas nossas horas vendidas, levamos em
conta o percurso de ida e volta, mas geralmente não incluímos essa conta no
"pacote".
Vendemos parte do nosso dia, e grande parte da vida a
terceiros, para saciar funções básicas da vida ou até mesmo para sustentar
pequenas ou grandes futilidades. Somos partes que compõe o capital de giro
sendo a personificação do próprio capital e da força motriz. Entre as poucas
horas que nos sobram do dia, muitos de nós vivem longe de seus empregos e
perdem de 45 minutos a 3 horas no trajeto para ir à labuta.
Um cansaço repetitivo, que aos poucos cansa o corpo e a
mente daqueles que já são tratados geralmente como eternos subalternos, e acabam
se sobrecarregando (antes e depois do trabalho). Poucas empresas de grande
porte realmente se preocupam com o percurso de seus funcionários, e só tem em
conta da forma negativa (custo com vale-transporte). Infelizmente não podemos
sobreviver sem a chibata do carrasco diária, mas podemos visualizar os “menos
piores ” empregos.
Imaginamos que trabalhamos seja 170, ou 220 horas ao mês,
mas na verdade contabilizando o tempo gasto com o trajeto, vendemos cerca de
200, ou para quem trabalha aos sábados uma diferença mínima de 30 horas a mais
no acréscimo. Imagine contabilizar isso em suas horas trabalhadas! Se ganhas R$
30,00 a hora, ganharia cerca de R$ 4800,00 – menos impostos... E quanto desse
tempo vendido a terceiros foi perdido? Quanto do seu tempo perdido foi
aproveitado para seu benefício próprio. Não somos escravos; somos eternos
servos!
Servos de nossas ambições vazias, servos de nossa vontade de
sempre querer mais, sem saber para que utilizar e porque tanto sente
necessidade de querer.
terça-feira, 18 de junho de 2013
Reescrevendo o Destino.
Falam para me adaptar e aceitar o que me dizem (eis o fato). Falam o que eu ganho é suficiente, que devo agradecer pelo que possuo e ser grato. Devo retirar minha capacidade cognitiva, resignar minhas vontades e enterrar meus sonhos pelo conforto que me é garantido, para ser mais exato.
Dizem que tenho que ser pontual, constituir família, não causar alarde, ser um homem de bem. Tenho que retirar toda a minha identidade de minha personalidade, pois o que faço e o que sou pode ocasionar danos à estrutura conservadora que todos crêem.
Devo aceitar os desmandos e ordens arbitrariamente sem questionar. Tenho que desistir dos sonhos e planos utópicos, pois seria muito difícil de conquistar.
Tenho todas as metas inalcançáveis a atingir, e a força de vontade já não é a mesma de outrora. Falam para eu seguir o caminho mais fácil, e é assim que deve ser, pois não há melhora.
Tenho apenas sensações de como deveria seguir a vida, e toda uma horda de comandos contrários a minha opinião. Os sonhos são apenas sonhos. A vida está longe do que a gente idealiza dos pensamentos noturnos na cama em algum momento de solidão.
A vida mastiga os planos, os sonhos e os desejos mais íntimos, os destrói e nos deixa nus mais do que viemos ao mundo. Infelizmente, me fiz de teimoso, me criei como uma mula e devo seguir (pelo que acham) errando.
Devo desafiar a lógica pré-estabelecida e forçando o rumo do destino desvairado e errado, trilhar caminhos incertos e um futuro desconhecido.
Até o dia em que me sinta por completo, a satisfação de não ter mais que prosseguir em um caminho tão indefinido.
terça-feira, 11 de junho de 2013
Necessidade Seletiva.
Fizeram-nos acreditar que tudo que passamos é necessário, que existe uma recompensa por todo o sofrimento. Criaram a ilusão que aboliram a escravatura, mas aboliram para ampliar seus domínios. Fizeram-nos acreditar em um conceito de liberdade utópica.
Que temos direitos respeitados. Temos sonhos alimentados, e quebrados pela realidade que nos distorce, temos sonhos alinhados com os interesses escusos de seres que se consideram mais importantes que a maioria. Todos estão amarrados a desejos criados, que criam ansiedades e medos.
Medos criados por nós mesmos. A caminho para a labuta, o corpo segue de forma automática; as cabeças com preocupações recentemente criadas, pela necessidade de preencher o dia com pensamentos que devam significar algo. O vazio está presente e é preenchido com isopor, apenas para enganar a verdadeira crise que atormenta nossas mentes.
Somos todos escravos, dos prazeres, dos deveres. Criamos nossas próprias correntes, e alimentamos nossos capatazes. O dia se passa com as dúvidas, angústia, e a saudade e mais todos os sentimentos conflituosos que criamos para nós, em detrimento da alegria momentânea que obtemos pelas pequenas vitórias, desde os bens comprados a eterna insatisfação que se projeta em nossa alma.
Servos dos prazeres, que se amontoam nos transportes coletivos, se amontoam sobre o trânsito, batendo cartão e pouco se indagando do verdadeiro dever e de suas reais possibilidades na vida. A Coragem não é recompensada, o pensamento é dúbio e coletivo, e as correntes são invisíveis a olhos nus.
Somos apenas o fruto do velho, da tradição, da repetição, dos mesmos traçados que foram inventados para nós de forma cíclica, como se fossemos o alimento de algo maior, um gado que pasta para servir de abate. Nosso molde é pré-fabricado, nossa vontade é moldada pelo desejo de ter.
Nossos dias comemorativos são para comprar, pois nossas vidas são apenas fingimentos, (vozes nos dizem como viver). Os verdadeiros sentimentos se sentem a flor da pele, e está na camada mais funda perdida entre o encéfalo e os axônios, onde raramente encontramos.
sexta-feira, 31 de maio de 2013
Massa de Manobra.
Vivemos entre a escolha da subsistência e do consumismo infindável. Entre os prazeres da carne e a semiliberdade do individuo. Somos seduzidos pela fragilidade do ego, e o que achamos que seja uma necessidade. A sedução nos torna subserviente, com medo do desemprego e de nos tornamos vítima de um sistema que se movimenta como uma máquina, que tem como combustível moer nossa carne ( e dilacerar nossa alma). Somos uma massa.
Massa que se amontoa na porta do inferno. Um indivíduo único pode
ser inteligente, mas amontoado em montes se torna mais um na massa de manobra. O
instinto é primitivo, a inteligência se subtrai pelas necessidades imediatas em
meio a tantos outros semelhantes, e é nesse momento que o ser humano se parece
mais com os animais que ele tanta referencia ser superior.
Nós, criaturas nos amontoamos como se fossemos gado, de forma
quase irracional, de forma quase automática, de qualquer forma. De nada lembramos indivíduos com autonomia de vontades; somos apenas membros de um grupo maior que
precisa se saciar imediatamente. Talvez seja por isso que as empresas
multinacionais, governantes e a mídia se espelham em um alvo idiotizado: Seu
espectro de ataque é o comboio, é o gado, somos nós; as pessoas em seu mutirão diário
de desespero.
Quando em massa, nos tratamos de forma primitiva, regredimos a um estágio anterior a civilização, nos tornamos menos racionais. Nos exaltamos por sermos conscientes, criadores de navios, prédio e a bomba nuclear, mas nos remetemos a condição de gado de corte, e os mais refinados se tornam gado de leilão. A carne é fraca e vendida eventualmente a preço de banana.
No mercado a carne é vendida abaixo de tabela, o corpo é comercializado abaixo do que merece, pois em algum momento, o corpo se ausenta de ter mente, é apenas parte do coletivo absurdo. O coletivo caótico que vive em conjunto, e cresce em volume de forma catastrófica, matando o corpo como um câncer. Somos uma massa, que vive de forma desordenada, que acredita que a sociedade funciona de alguma forma no meio do caos, mas dificilmente percebemos que esse sistema funciona apenas para nos deixar em situação servil, obediente e funcional. Prontos para ser abatidos quando for preciso e necessário.
No mercado a carne é vendida abaixo de tabela, o corpo é comercializado abaixo do que merece, pois em algum momento, o corpo se ausenta de ter mente, é apenas parte do coletivo absurdo. O coletivo caótico que vive em conjunto, e cresce em volume de forma catastrófica, matando o corpo como um câncer. Somos uma massa, que vive de forma desordenada, que acredita que a sociedade funciona de alguma forma no meio do caos, mas dificilmente percebemos que esse sistema funciona apenas para nos deixar em situação servil, obediente e funcional. Prontos para ser abatidos quando for preciso e necessário.
sábado, 25 de maio de 2013
Divisão Politica-Social do Brasil.
A politica brasileira esta dividia em:
ser populista ou ser elitista. Já se tornou uma ditadura nessas duas frentes e a cada qual com suas vantagens.
Pode-se agradar os pobres e angariar votos sendo populista, fazendo reformas de fachada e dando migalhas e ate criando alguns direitos trabalhistas. Ainda sim, serve a elite em pontos chaves, podendo assim continuar as suas empreitadas habituais. Com o advento da internet, a classe média, mais do que nunca se indigna com esse tipo de politica. Mas engole!
Em contrapartida, pode-ser ser neoliberal de direita, agradar a elite e fazer todos os seus desmandos. Por ventura a classe média que sempre está no meio e raramente é atendida, também reclama, mas com intensidade menor, pois está condicionada a ver a politica dessa forma, e agradece os bilhões que os patrões de seus patrões estão ganhando.
De teoria de Gunnar Myrdal a prática de Olof Palme, o exemplo quase utópico do bem-estar social sueco é reverenciado, mas nunca copiado, e por muitas vezes atacado por aqueles que desejam ver a economia “expandir” (até que exploda).
No Brasil ainda sonham com uma politica com a sabedoria de Minerva, amplamente imparcial e que invista na educação, saúde e que atenda a todas as frentes da mesma forma. Será referência global e na história da humanidade. Só depende de determinadas espécies humanas no poder, abdicarem da sua arrogância e ganancia, sua busca eterna pelo conforto e banalidades. Será fácil...
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terça-feira, 21 de maio de 2013
Bolsa-esmola e o Complexo de Vira-latas.
"Boato sobre fim do Bolsa Família leva multidão a lotéricas”
A luta ideológicas de classe voltou com carga total, um rumor, um furor, quebradeira, insultos. Aqueles que esbanjam os R$ 306,00 para alimentar 5 dependentes ( e comprar talvez futilidades), contra aqueles que esbravejam sobre pão e circo do governo, compra de votos, ou o melhor “o governo tem que criar emprego para esses vagabundos”. Ideais, de idiotas que combatem outros idiotas.
Em meio a crise externa europeia e norte-americana, o país se mantém estável, apesar das brigas partidárias e de no final ser escolher o mal ou o “pior de todos”, tudo se resume a pequenas vitórias, quando se trata de “farinha do mesmo saco”.
Como a esmola que dê para comprar um pão com manteiga, e um café com leite, tudo se resume a pequenas vitórias.
Enquanto o Estado de bem-estar social , foi orgulho e vitória de países como Noruega e Suécia, algo imitado porcamente, mas que enfim, reflete um pouco do que deveria ser no Brasil, o ideal recai sobre o país, em forma de protesto. O elitismo quer mais força de trabalho, a cana não se mói sozinha.
Discursos utópicos sobre educação, em um país reincidente em corrupção, que ainda assim, é um dos mais ricos do mundo a algumas décadas, mantem acima de tudo ricos milionários, bilionários e parlamentares (81 que tem um custo de R$ 135,8 milhões anuais), e a culpa se recaí sempre do lado mais fraco, os menos cultos, aqueles desprovidos de educação ou apenas de perspectiva de melhora. É bem mais fácil bater do lado mais ignorante e fraco. Não se questionam sobre os desmandos de prefeitos, o maquinário de cabides de emprego e negociatas que rompem com o principio de licitações.
Mas o conceito de “Bolsa-família” ou Bolsa-esmola é o que agride mais a visão.
O modelo ideológico brasileiro, é importado, clonado e não-aperfeiçoado. Pegaram um pouco do conceito Calvinista anglo-saxão, com o melhor que perpetuou dos ideias escravocratas de um país que se tornou o último a partir os grilhões da escravidão.
O conceito de emprego e omissão ao patrão pela esmola mensal é levado a extrema obediência. Questionar sobre o que está pronto e definido é demais, não importa se é certo ou errado, ou se o conceito empregado esta defasado 59 anos. Bater o ponto e não reclamar.
Direitos de um presidente populista da década de 30, é o que garante o sorriso amarelo de milhões de trabalhadores atualmente. Tragar a dor e engolir a labuta, e agradecer o sonho de consumo que se repete com um ciclo: carro novo (financiado), tentativa de compra de casa própria (impulsionada pela especulação de construtoras milionárias), e todos os pequenos sabores que podemos aproveitar.Ninguém percebe que a manipulação é irrestrita e independe de bolsa-família, ou redução de IPI para compra de carro novo para a nova classe média.
Mas o que mais incomoda é um fato estranho, independe de teorias de controle estatal ou da perfeição do estado (que sempre será imperfeito)...
Se uma pessoa ganha R$ 306,00 por mês para morar na favela, porque isso incomoda? Morar na favela, uma situação sem muita escolha devido aos altos preços dos imóveis nos grandes centros, não deixa muitos revoltados, nem mesmo a ausência de vagas em faculdade pública a pessoas com poucas posses já que a legislação garante que “aqueles mais preparados, usufruem de curso gratuito”. O pobre será o vira-lata, se olhara como vira-lata e será tratado como vira-lata, por aqueles que possuem uma situação social melhor, assim como seus semelhantes em agouro também farão. ( Não se incomodam tanto com o gasto anual dos parlamentares)
domingo, 5 de maio de 2013
O TRABALHO E A CRIAÇÃO.
texto retirado do blog : http://www.maurosantayana.com/
(HD)-Agostinho da Silva foi adversário de Salazar em tudo: como filósofo, desmentiu o ditador, que afirmava não ser a sua raça (e a nossa) incapaz de abstrações filosóficas. É desse pensador, que passou grande parte de sua vida no Brasil como exilado político, a idéia de que o homem não nasceu para trabalhar, e, sim, para criar. Não é por acaso que o vocábulo “trabalho” vem do latim “tripalium”, que era um instrumento de tortura na Antiguidade.
Os artesãos não “trabalham”, uma vez que criam suas peças; a elas, sem que percam o fim útil a que se destinam, acrescentam alguma coisa de si mesmos, do seu engenho e do seu sentido estético. Assim, são “obras de arte”.
No mundo industrial de nossos dias já não existem artesãos, a não ser os que, por decisão própria, vivem à margem do sistema, embora por ele sejam também explorados. Os desenhistas industriais podem criar, mas o seu trabalho está sempre submetido às razões do mercado, o que lhes retira a liberdade. Só dele conseguem escapar plenamente os artistas, em estrito senso, quando não se deixam levar pela ambição do dinheiro.
Ao fazer a crítica do sistema industrial moderno, Marx acertou no centro do alvo, ao afirmar que o trabalhador de nosso tempo se transformou em “complemento vivo de um organismo morto”. Os trabalhadores são obrigados a acompanhar o ritmo das máquinas; não podem sujeitá-las às exigências de sua atenção e de seus músculos.
Quando os tecelões ingleses se revoltaram no fim do século 18, aparentemente sob a liderança de Ned Ludd, contra os teares a vapor, não manifestavam apenas seu mal-estar com o desemprego que a força motriz provocava: rebelavam-se pelo fato de que a nova máquina lhes exigia atenção máxima e repetição exaustiva do movimento de corrigir as falhas da tecelagem, no parar e reiniciar das operações.
O homem não nasceu para trabalhar, mas deve ser produtor, a fim de se afastar das duras condições da natureza bruta. O ato de produzir – e podemos pensar no coletor, no caçador e no agricultor em sua situação clássica – não é alienante em si mesmo. Exige destreza, atenção e criatividade. Mas, nos dias de hoje, sobram poucos agricultores livres. Ao chegar ao campo, o capitalismo aposentou os lavradores e criou um operariado rural para manobrar as grandes máquinas que preparam o solo, plantam e colhem.
Essas novas realidades estão minguando o espírito de luta dos trabalhadores. O dia primeiro de maio lembra a sua dura resistência contra a brutalidade do liberalismo dos séculos 18 e 19.
A ordem de domínio neoliberal de nossos dias transformou-o em dia de festas e piquenique.
quinta-feira, 2 de maio de 2013
Uma Visão sobre a Miséria.
“Todos tem a mesma chance de alcançar o sucesso”, “O sol
nasce para todos, só não enxerga quem não quer”, “O sucesso no trabalho e a consequente
riqueza poderá ser um dos sinais de que está entre os escolhidos de Deus”. ( Como diria João Calvino, que revolucionou a ideologia burguesa)
Existem diversos ditados, diversas ideologias difundidas
pelo tempo em que exemplifica que a justiça divina recompensa àquele que
trabalha mais com riqueza. Aquele que for “melhor” será o mais rico. A riqueza
é uma recompensa, um prêmio, com conceito de meritocracia.
A pobreza existe às vezes como arma ideológica. Em certos
países, a pobreza é fruto da riqueza, onde recursos naturais e corrupção geram
a ruína econômica e ainda sim privilegia alguns poucos, tornando-os ricos em
terras de esfomeados.
As favelas persistem desde o século passado, e se mantém
afastadas dos centros física e psicologicamente. O pobre de fato, é tratado
como um “gado”, quase uma forma de vida subdesenvolvida, que existe para
determinado fim (consumir) e já ganhou até apelidos como “proletariado”, pois criaria
uma “prole” que viria a ser uma nova engrenagem no maquinário existente.
Existe uma admiração pelo cidadão bilionário, uma admiração que
beira a inveja. Na verdade, o “mais rico” é visto como sonho de consumo, um
ideal a ser alcançado; Sucesso legitimo de quem chegou “lá” por suas próprias
pernas e qualquer um pode chegar lá!
Na verdade, a pobreza (para quem defende o sucesso de alguns
países diante de crises pós-guerra da Europa ocidental), vem de suas pessoas, e
nada tem a ver com a intervenção do estado junto com multinacionais que
exploram o meio em que estes vivem.
Em primeiro lugar o desrespeito e a visão diferenciada daquelas pessoas que se acham melhores e quem por direito devem estar em tal status social, é a pedra fundamental da exploração. Se houvesse a inversão de papéis daqueles que se acham diferentes, talvez mudassem de ideia.
Em primeiro lugar o desrespeito e a visão diferenciada daquelas pessoas que se acham melhores e quem por direito devem estar em tal status social, é a pedra fundamental da exploração. Se houvesse a inversão de papéis daqueles que se acham diferentes, talvez mudassem de ideia.
A extrema esquerda com seu autoritarismo mata as claras,
dissemina ódio e controle estatal. A extrema direita mata as escuras, de fome,
cria abismos culturais e sociais, com alusão a liberdade e livre comércio. Mas
a concorrência segue desleal, e a ajuda estatal vem a cavalo quando o lucro cai
em alguns países filiais. Bancos galopam a lucros históricos batendo recordes
enquanto países de 1º mundo enfrentam crises colossais por meses ou anos.
A pobreza é argumentada em dados, estatística e dificilmente se entra em méritos nos detalhes que poucos querem ver:
"Quem se importa com uma criança negra, com doença, na África sub-saariana?" Quem se importa com um nordestino que vive na seca sem perspectiva alguma no Agreste? Quem ao menos imagina que um morador de favela do extremo sul da cidade de São Paulo (a mais rica do Brasil), possa ser útil a sociedade de forma direta?
Os sentimentos influem na pior maneira em análises sobre a solução de problemas básicos que concernem a miséria. Foi o preconceito que fundamentou a escravidão, e posteriormente, cuidou de criar as diferenciações sociais, como uma parede invisível em diversas sociedades, e essa parede que se posta como um muro maior que a muralha da China, em frente a pessoas e grupos sociais.
A pobreza é argumentada em dados, estatística e dificilmente se entra em méritos nos detalhes que poucos querem ver:
"Quem se importa com uma criança negra, com doença, na África sub-saariana?" Quem se importa com um nordestino que vive na seca sem perspectiva alguma no Agreste? Quem ao menos imagina que um morador de favela do extremo sul da cidade de São Paulo (a mais rica do Brasil), possa ser útil a sociedade de forma direta?
Os sentimentos influem na pior maneira em análises sobre a solução de problemas básicos que concernem a miséria. Foi o preconceito que fundamentou a escravidão, e posteriormente, cuidou de criar as diferenciações sociais, como uma parede invisível em diversas sociedades, e essa parede que se posta como um muro maior que a muralha da China, em frente a pessoas e grupos sociais.
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