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segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Preciso Recuperar Minha Humanidade

Preciso recuperar minha humanidade, não a deixar ir embora.
Pelos pensamentos perniciosos que me jogam. De toda a maldade inalada, é preciso de máscaras de gás potentes.

Preciso ter fé em mim, na comunidade e na humanidade, acreditar que ela não é tão egoísta como alguns demonstram ser. Que ocorrem erros pontuais, mas em geral somos bons. Apesar de tudo e todos, é preciso ter paciência e respeitar ou até mesmo absorver tudo que é contraria a minha ideologia e me sentir OK!

Desumanizado, carregado como gado entre trens e ônibus lotados. Desumanizado, servindo a interesse empresarial em troca de migalhas, sem nenhum retorno relativo a sociedade. Desumanizado, da saúde perfeita a longas filas de espera por um pouco de ouvido para os problemas. Desumanizado, tratado como lixo. 

Nem cães de rua merecem tal tratamento (e porque deveriam receber esse tratamento?)
Pior que o cão jogado as pulgas, carrapatos e derrubando lixo para comer. Desumanizado, mas sempre se ouve sobre a palavra de libertação e amor ao próximo. Linda demagogia. O que semeiam é ódio e as cidades são panelas de pressão prestes a explodir em um silêncio calado e sofrido. Mudo. Violento!

Quero ser humano, não como dizem que são. Não, ser humano, como nesse comercial irreal que inventaram. Quero ser humano, sem perder meu senso de humanidade. Não quero salvação ilusória e nem bilhões para viver de iate, mas quero algo mais simples. Quero não perder minha humanidade que se esvai pouco a pouco.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Ideologias falidas



Um dia o copo transborda, o grito sai da garganta e as revoluções do papel talvez aconteçam. O que nos acomete é a cumplicidade, não de ser mais um na cena do crime, não por esconder o crime; simplesmente por deixar acontecer. Calados, atônitos e inertes a toda a falcatrua, barbaridade e obscenidade a espécie que juramos ser próximo a nós em diversas ideologias e religiões.

Ainda se superam em suas cretinices. Denotam toda uma eloquência e exuberância debatendo filosofias utópicas na realidade que não dorme. Não é o capitalismo ou o socialismo que vá resolver algo. Já se passaram séculos, e ditadores simpatizantes para ambas as ideologias mataram milhões. 

O que sobrou? Além da guerra ideologia, o que manda é a venda de armas que atravessam continentes. Sobre a margem de qualquer política, o que se sustenta é o pó sendo comprado na biqueira. Apesar de todo o conceito humanitário ou egoísta, ainda persiste sociedades auto-centradas e falidas, pois estão preocupados demais consigo mesmo. 

O que conta agora é a navalha na carne! É o pus da ferida, é o sangue que escorre. É o choro da criança que não tem UTI na maternidade. É a corrupção em qualquer ambiente e envolta de diversos setores da sociedade.
O que conta é a riqueza de possuir. O Status Quo. Longe da babaquice das mesmices fantasiosas, o que o sistema se torna vai além de qualquer ideologia, é um organismo vivo como um vírus, que tenta se adaptar ao meio que o repele.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Um pouco de História! Jean de Léry e o velho Tupinambá.


Um momento interessante, onde um missionário Francês, Jean de Léry, debate questões simples sobre a ideologia que segue e no qual vive, com um "selvagem" do século XVI. Os tempos passaram, mas as idéias continuam a mesma.:

"Os nossos tupinambás muito se admiram dos franceses e outros estrangeiros se darem ao trabalho de ir buscar o seu arabutan. Uma vez um perguntou-me: por que vindes vós outros, maírs e perôs (franceses e portugueses), buscar lenha de tão longe para vos aquecer? Não tendes madeira em vossa terra? Respondi que tínhamos muita, mas não daquela qualidade, e que não a queimávamos, como ele supunha, mas dela extraíamos tinta para tingir, tal qual o faziam eles com seus cordões de algodão e suas plumas.

Retrucou o velho imediatamente: - e porventura precisais de muito? - Sim, respondi-lhe, pois no nosso país existem negociantes que possuem mais panos, facas, tesouras, espelhos e outras mercadorias do que podeis imaginar e um só deles compra todo pau-brasil com que muitos navios voltam carregados. - Ah! retrucou o selvagem, tu me contas maravilhas, - acrescentando depois de bem compreender o que lhe dissera: - Mas esse homem tão rico de que me falais não morre? - Sim, disse eu, morre como os outros.

Mas os selvagens são grandes discursadores e costumam ir em qualquer assunto até o fim, por isso perguntou-me de novo: - e quando morrem para quem fica o que deixam? - Para seus filhos, se os têm, respondi; na falta destes, para os irmãos ou parentes mais próximos. - Na verdade - continuou o velho, que, como vereis, não era nenhum tolo - agora vejo que vós maírs sois grande loucos, pois atravessais o mar e sofreis grandes incômodos, como dizeis quando aqui chegais, e trabalhais tanto para amontoar riquezas para vossos filhos ou para aqueles que vos sobrevivem! Não será a terra que vos nutriu suficiente para alimentá-los também? Temos pais, mães e filhos a quem amamos, mas estamos certos de que depois de nossa morte a terra que nos nutriu também os nutrirá, por isso descansamos sem maiores cuidados (...)". 



Fonte: BUENO, Eduardo. Pau-Brasil. Ed Objetiva.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Só um pensamento.


Faz tudo parte de um pensamento, ou melhor, vários pensamentos...mas na essência é apenas uma junção de sinapses, um impulso eletroquímico, apenas um pensamento.
Todo isso que gira em sua volta, todas as concepções do que se torna sua realidade. Toda a intenção que se torna naquilo que idealiza. Não é “força do pensamento”, não é “positivismo”. É simplesmente o pensamento. Puro e simples.

Cria não só a sua percepção como tudo que te rodeia. As casas, os carros, as roupas, a forma como se alimenta, até a água que sai de maneira mágica da torneira. Puro pensamento. O que mudou do ato de pensar para a sua criação, foi um pouco da força de vontade. Correção de erros. Tentativas e mais pensamentos.

Esses dogmas, essas ideologias...todos os poemas. De tudo que é bom ou ruim, sai de uma caixa craniana. Se forma a partir das ações de neurônios e sua interação com os axônios. Pensamentos. Forma química, apenas algumas moléculas que se tornam células....coisa minúscula que modifica o mundo, mais rápido que a rotação da terra.

Tudo que temos, na forma mais intrínseca, vem de nós. O pensamento puro. O que fazer com ele, já se torna um questionamento mais profundo. O que seguir? Qual regra se habituar? Qual ideologia o definirá ? Quais serão seus limites? O que se permitira fazer? Porque de tantas perguntas?

A leve concepção de tudo que queremos se visualiza por um momento na nossa mente. A intenção de criar ou destruir aparece como desenho animado em vossa cabeça. A imaginação e os sonhos em todas as possibilidades, se cria e morre indefinidamente nesse velho encéfalo.

O que limitará a sua imaginação? Porque seguirá restritamente alguma ideologia? Porque se adequar a uma sistemática de forma automática? Quem sabe....talvez ninguém queira acordar dos sonhos acordados, esperando sempre pela noite e ver a verdadeira “realidade” dormindo!


sábado, 16 de janeiro de 2010

Quero comprar uma Ideologia


Quero uma ideologia , que seja barata e sem conflitos.
Portátil , caiba em qualquer cabeça.
Que tenha o que há de melhor das religiões e o melhor de que pode haver do pensamento livre.

Algo que complete o que falta em sistemas governamentais imperfeitos.
Uma ideologia , que não seja baseada em contos de fadas ou que não mensure seu valor pelos status social.

Uma ideologia que não me julgue e nem aos meus próximos.
Que seja o melhor do racional e do emocional.
Que não suplante outras , ou se diga definitiva dona da verdade.

Não quero que seja a melhor , mas que seja verdadeira.
Sem hipocrisia ou falsidade escondida em sorriso amarelo.

Quero uma que seja barata , portátil , bonitinha , leve , prática e livre de preconceitos.
Quero uma ideologia que seja tão boa para mim como para toda a diversidade existente.

Cazuza mais do que nunca foi sábio.
É preciso uma ideologia para viver , mas infelizmente , as que existem no mercado são um lixo.