Esse espaço é onde exponho meus devaneios mundanos...Enquanto ser existente, sou pretensiosamente reflexivo.
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domingo, 1 de maio de 2016
Aula de Anatomia
Na aula de anatomia veremos os corpos de indigentes,
Prontos para dissecação por mãos indiferentes,
A pele, os músculos e até os ossos: Tudo será estudado,
Menos o nome e a história do dito cujo finado,
Sem falar de sistemas econômicos, ou do quadro social,
Mas gostaria de saber como se chegou a esse ponto crucial,
Quem foi você? Alguém chorou por ti? O que aconteceu?
Quem velou teu corpo e quem te esqueceu?
Foram os parentes, os amigos? Enfim, falhamos como sociedade?
Como pode ser tão comum ver tamanha miséria em passividade?
Na sala ficam para estudo, aqueles corpos finados,
Frios, mas não tanto quanto há milhares de corações gelados.
Oração ao Cadáver Desconhecido
"Ao curvar-te com a lâmina rija de teu bisturi sobre o cadáver desconhecido, lembra-te que este corpo nasceu do amor de duas almas; cresceu embalado pela fé e esperança ldaquela que em seu seio o agasalhou, sorriu e sonhou os mesmos sonhos das crianças e dos jovens; por certo amou e foi amado e sentiu saudades dos outros que partiram, acalentou um amanhã feliz e agora jaz na fria lousa, sem que por ele tivesse derramado uma lágrima sequer, sem que tivesse uma só prece. Seu nome só Deus o sabe; mas o destino inexorável deu-lhe o poder e a grandeza de servir a humanidade que por ele passou indiferente."
Karl Rokitansky (1876)
Ao cadáver, respeito e agradecimento.
domingo, 7 de dezembro de 2014
Exagerado Ser Humano, Deveras Exagerado
O termo "ser humano" e suas características são exagerados.
São raras as pessoas existentes que correspondem à definição
que atribuíram a essa palavra.
Outra palavra usada erroneamente quando se
refere a pessoa é "animal
racional". Atribuir o termo "racional" a toda espécie humana é
um erro grotesco. Uma maioria avassaladora não pode ser acusada dessa forma pelas
atividades de uma minoria. Matamos as definições com nossas atitudes.
Queria acreditar na paz, mas os sons de tiros interrompem a
meditação.
Queria viver e me render ao amor, mas seria facilmente destruído
no mundo sem remorso.
Temos humanidade em termos genéricos e inteligência em forma cristalizada. O que falta é a prática em ser humano e lapidar esse cristal que encobrimos a inteligência.
Vi macacos mais bem relacionados que grupos dessa sociedade (falida sociedade). Orangotangos mais humanos que certos indivíduos. Mais amor em olhos de cachorros do que em reunião de família que se detesta.
A salvação que tanto se espera, é para nos livrar da tarefa mais difícil de humanização da raça que me recuso a chamar de humana. O epitáfio dessa sociedade é escrito com sangue e pus seco das feridas abertas pela marginalidade.
As palavras de dor saem de gargantas cortadas que em um grito inumano, revelam sua dor descomunal. Não há voz da indiferença. Não há forma na maldade. É o que somos e o que nos formamos. O ser racional e evoluído que toma para si a consciência da existência e a imagem da divindade. A costela do Adão. O Barro. O fogo de Hefesto. A luz de Hórus. Foi tudo uma sandice, um erro épico. Encontramos uma maneira de renegar a todos e agradecê-los com a destruição e caos.
domingo, 25 de maio de 2014
Sociedade do Absurdo.
Sociedade do absurdo, sabe individualmente o que quer para si, mas contesta o que lhe serve de forma coletiva. Sociedade do absurdo, onde a diferença é celebrada, e quem possuí mais é chamado de vencedor, invejado pelo seu status. Espera-se o sucesso não importa a custa de quem e de que forma.
Absurdo é o que constatamos como normal, apesar de ser obviamente um ultraje a dignidade humana. Absurdo é tentar defender o indefensável, pois assim é mais fácil não pensar na passividade que toma o coletivo. Se pensar na consciência, ela deve pesar toneladas. Mais que toneladas, deve pesar mais que qualquer força da gravidade.
Deve ser mais forte que a força que um buraco negro suga a luz. A consciência deve pesar o peso do mundo, mas ninguém se importa com ela. A consciência quase se colapsa dentro de si criando sua própria supernova, mas o absurdo que toma conta de todos é maior que o brilho dessa supernova. Não há clarão que persista perante ao absurdo.
O absurdo parece um monstro que se cria e devora tudo ao se alcance e nada resiste a sua voracidade. A sociedade do absurdo vive para alimentar esse monstro. Vive para deixar sua consciência que pesa mais que todas as luas e estrelas, se afundar em seu próprio peso.
A sociedade do absurdo não reflete, pois sua imagem remete ao vampiro de Bram Stoker, mas sem Van Helsing ou qualquer outro herói para empalá-lo no coração. Suga toda a vida que o contorna, e seu absurdo é viver em meio ao caos, se admirar com tamanha destruição moral e ainda relutar em agir.
A sociedade do absurdo está viva, e ri de si mesma. Ri, engolindo o próprio choro, pois sua consciência que jaz em uma lápide em seu encéfalo, ainda pesa, mesmo que morta, toneladas e mais toneladas que incomodam seu jeito simples e maniqueísta de ver o mundo. A sociedade do absurdo não entende. Não entende a si mesmo. Não entende o caos em que vive. Não entende nada.
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
No "Meio da Vida".
Nascer, crescer, estudar, namorar, arranjar emprego... (pausa para fôlego), casar, ter filhos e morrer.
Nesse ínterim, buscamos nos divertir, nos adaptarmos aos conceitos e concepções que nos cercam. Buscamos ideologias, sejam novas ou velhas, respostas que nunca serão respondidas, e por fim, sempre tentando nos adaptarmos para viver em sociedade.
Muda-se pouco a pouco esse meio, e chega à geração que vence um desafio e aceita outro, como progressão natural da vida. Comprar um carro, adquirir uma casa, se tornar um profissional pleno e estabilizado em uma empresa. Poderíamos trabalhar em algo que nos deixe feliz ou nos traga retorno financeiro adequado ao bem-estar que procuramos. Poderíamos trabalhar em “piloto-automático” e com o cérebro “desligado”, fazermos todas as nossas atividades repetitivas do dia-a-dia, até a hora de ir embora.
Aprender novos idiomas, novas culturas e viajar, até torrar nosso dinheiro gasto com a labuta e a servidão eterna dos conceitos impostos pela sociedade.
Fazemos tudo para ocupar esse “meio da vida”. Mas então nos perguntamos: “E agora, o que realmente me falta? Ser o que todos já foram um dia, escolher algo diferente? Importar-se com algo que ninguém se importa ou perguntar o que ninguém irá responder?”
Aprendemos tudo com que já fizeram gerações passadas e mesmo com as imersões de novas culturais em uma interligação intercontinental via rede, não apresentamos variações drásticas do que já se vem sendo realizados por milênios. Distúrbios sociais sempre existiram sendo classificados ou rotulados como párias, algo alienígena a todo o contexto da realidade que vivemos, mas por conta de diversos distúrbios, é que temos diversas inovações culturais em meio a nosso cotidiano.
Chegamos ao ponto que nos falta propósito. Pecamos em tentar nos reinventarmos. Desistimos de tentar inovar. Procuramos por algo que não existe, e ao descobrir essa incrível ideia (de que nada novo está sendo criado), não nos inovamos, não tentamos criar algo novo.
Agarramos-nos as velhas idéias e as mesmas noções pré-existentes, sem saber para onde ir e o que fazer, apelando para respostas prontas de uma civilização que desiste de se reinventar a milênios, até que algum dia venha a sentir sua derrocada. Nesse “meio da vida”, fazemos a vida valer um sentido ideal que nunca chegamos a testar, ou morremos sem saber o que realmente nos faz viver.
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