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sexta-feira, 20 de junho de 2014

Fugindo do Reflexo - Complexo de Mumm-Rá


Resignar é preciso, viver não é preciso. Talvez o destino fosse seguir do jeito que é e sempre será. Talvez a vida seja apenas existir independente do que a consciência pede. Para que consciência afinal? 
Quando o esforço parece ser lutar contra a correnteza, o que resta a nos pobres mortais, a deriva nesse mar de ignorância?

Eis que percebo que eu sou eu. Existo perante a mim, e quando percebo essa atrocidade, vejo que existe o Outro. No absurdo social antropofágico, percebo como tenho que me alimentar perante o outro, devoro ou serei devorado. Todavia, percebo também que existem outros tão parecidos comigo, que me percebo perdido em mim.

Que sejamos nós então. Sou aquele que me vejo perdido no reflexo abusivo do espelho e da imagem fosca da miopia. Odeio odiar, mas o faço mesmo assim.  Amo a humanidade, mas não a suporto. Amo e odeio. Principalmente se estiver por perto e for parecido comigo. O individuo se confunde comigo na apreciação da existência. E a odeio.

Como Mumm-Rá, que foge de seu próprio reflexo, tenho medo da minha própria imagem. Odeio aquele que mais se parece comigo, justamente por refletir minhas imperfeições, odeio essa imagem refletida, meus medos, minhas incertezas, ser deveras humano.  O monstro que se vê não é nada agradável e me faz voar para longe.
Como se viesse de um mundo bizarro. Onde Narciso acha feio o que é espelho. Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso...


sexta-feira, 28 de maio de 2010

O meu maior medo é me reconhecer em você


Vejo-me nesses olhos, nessa insegurança.
A incerteza da certeza, passos incautos no meio a essa escuridão.
Eu vejo esse medo e essas imperfeições como se fossem minhas.
Espelho agonizante, e essa força mais estranha que o normal.
O meu maior medo é me reconhecer em você.
 
 
Os seus erros parecem os meus, os seus pesadelos são compartilhados comigo, mesmo sem querer.
A viagem é estranha e sem direção, e passa por diversos rumos durante o caminho.
Todas as suas dificuldades e anseios se mostrando a olhos nus.
É estranho lamentar por você, é tão difícil lhe estender a mão.
Apesar de todas as impossibilidades e deficiências, ainda vejo nos seus olhos.
 
 
Um pouco de mim, coisas que não quero enxergar.
Ainda vejo nos seus olhos, um pouco de mim.
Que tento negar e enganar, um pouco que deveria ser ultrapassado.
Seria bom esquecer o que me é lembrado toda vez que olho para você.
O meu maior medo é me reconhecer em você.
 
 
És mais um esconderijo dos erros, um lacaio da comodidade.
Não quero ser assim, mas vejo a sua imagem como parte do meu reflexo.
Talvez eu pudesse ser como você, talvez eu pudesse deixar de lado toda essa inquietação.
Mas não consigo de ver o mundo diferente, não consigo deixar de me ver nos seus olhos e me incomodar.
Não consigo ser tão passível a ação do tempo, não consigo estar  à mercê de algo incompreensível a razão.E sinto medo de me ver em você.
Medo maior que da morte e das incertezas do futuro.
 
 
Queria fugir dessas visões; fugir de sua imagem e de minhas impressões.
Quero aceitar sua opinião como minha e ver suas visões como certa.
Não gosto de sentir medo por você, não gosto da insegurança que tens.
E de todas as palavras que me diz, acredito apenas em parte.
Sua máscara me incomoda, e tenho medo do que possa te acontecer,
 
Nesse espelho de empatia, teu reflexo me assombra.
O meu maior medo é me reconhecer em você.
Medo maior que da morte e das incertezas do futuro.
O meu maior medo é me reconhecer em você.
Vejo-me nesses olhos, nessa insegurança.
Vejo-me nesse reflexo e nessa falsa máscara que te prende.
Vejo meu medo de ser você e sinto medo por você também.
Esse medo hediondo;  medo maior que da morte .