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sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Inequidão

Nessa imensidão, ouves musica para calar as vozes que te perturbam
Uma inexatidão que nos tornamos, nesse infinito cósmico de ignorância que temos, é um sentimento que berra no peito. Perdido por tempo indeterminado.

Nessa iniquidade razoável, em que tudo que é ruim se tornou prática estável das "pessoas de bem", o mais difícil é aceitar tudo sem deixar a cabeça explodir. Tanta coisa fazendo falta.
Nessa imensidão, tento pensar mais alto que as vozes que vociferam como feras raivosas toda a sua ira e toda a sua onisciência sobre o mal em que caminhamos. É preciso mais que um copo d'água para descer com tudo isso pela garganta.


Indefinidamente procura uma desculpa, que seja uma razão inventiva para que se suporte sua vil existência. "Qual seria a razão futura?"
Intermitente com seu humor bipolar, não sabe como se rende aos laços humanos, e como se deve portar com tais características.

Qualquer discussão intercede de forma negativa em sua forma de ver o mundo. (como se sentisse prazer na dor)
É uma inquietação na alma que enlouquece. Como tudo se prova tão errado e desigual, vale até a expressão da "Inequidão" da vida, nessa inequação de erros o que sobra?




"Tudo fugiu -- tudo está feito, então levem-me à pira --
O banquete acabou, e as lâmpadas expiram."

Robert E. Howard

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Antes do Clarão.


Antes do clarão só havia as trevas. Quando nasci nada existia para mim, então devo presumir que sou Deus e o Diabo encarnado na pele de homem. Quando cheguei a esse mundo, fui inundado com todas as normas e crenças, regimes e formas, certo e o errado.

Não havia espaço para a forma livre. Era preciso duvidar do que estava predefinido, e flertar com o que haviam julgado como errado.

Antes de mim, eu não existia. Então pressupõe-se que sou meu próprio Big-Bang. Sou o precursor e a sustentação de toda a mitologia que existe. Sou o Alfa e o Omega perdido pelo meio. Sou mais um refém do destino em um jogo de cartas marcadas. 

Sou tão quanto imagino ser. Sou o novo universo que nasceu, a estrela que brilhou a anos luz, o sol que ilumina minha face de dia. Sou aquele que duvida de si mesmo. Que não teme a morte, mas sim a vida. Sou uma terra nova, uma realidade diferente, um universo paralelo a todos os outros existentes no infinito. 


Sou a ausência do ser. Há esse fardo a carregar, como um Atlas falido e cansado. Essa falsa sensação de leveza na verdade é uma insuportável leveza do ser.

Antes de saber quem eu era, ainda sim já era alguém que por sua vez se esqueceu de quem é. Não havia história. Não havia a consciência. Existo porque existo. Existo, porém não vivo; sobrevivo.

Antes do clarão, só havia a escuridão e o silêncio monstruoso que se alastrava e dominava tudo. Tudo que na verdade era nada. Antes de perceber que aqui estou, nada estava e nada nunca esteve. Até o momento terreno, em que fecharei os olhos pela última vez, quando ainda nenhuma pergunta será respondida e quando toda a saciedade de conhecimento será esquecida, junto com as dores acumuladas pelo percurso da vida, voltarei a ser nada.


As trevas que eclodem junto ao silêncio, a ausência aterradora. O vácuo que tanto assusta. O vazio que tantos fogem. Serei meu fim, uma gravura no epitáfio, minha morte, meu Deus e demônio. Serei apenas um homem morto.


Nasci para satisfazer a grande necessidade que eu tinha de mim mesmo.
Jean-Paul Sartre