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sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Rimas Certas

Como não escrever sobre o amor?
Ou sobre as mazelas da dor?
Tão difícil achar rimas certas,
Mas é preciso atingir tais metas,
E no que concerne o mundo no qual se dorme,
Como pode ser rico e ignorar a fome?


Como podem não sentir a dor dos desvalidos?
Dia a dia sendo sempre massacrados.
Chego a pensar que viver melhor,
Seria sem sentir amor e dor,
Nenhum sentimento qualquer,
Nem alegria, nem tristeza sequer,
O ideal é sermos pedras ou rochas frias,
Sofrendo as intempéries das maresias,
Vivendo inerte, catatônicas, acéfalas matérias carbônicas...

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Painkiller

“Painkiller", analgésico em inglês. Matar a dor,
Nada mais filosófico do que assassinar sua dor,
Mata-la antes que ela te maltrate ou até mate,
Por impulso, por tristeza ou até com um infarte,

Entenda, terei que rimar amor com dor,
Pois, mora na filosofia esse dissabor,
É preciso exterminar a dor que lhe corrói,
Seja com álcool, drogas, ou algo que lhe destrói,
Ache algo que ame e deixe que o mate,
Pouco a pouco, dia a dia, a espera da morte,

Falam tanto do amor. O amor acaba diluído. Amores vorazes,
Escorrendo pelas mãos, vivendo ciclos de paixões fugazes,
E quando falhar o amor nesses relacionamentos líquidos?
Como a oxitocina excitara para lidar com sentimentos insípidos?

 Libera outro hormônio, pois o que dá tesão está em falta,                       
Neurotransmissor, recapta a serotonina, deixe a alegria “alta”,
Dopamina, endorfina, não deixe a dor te dominar,
Qualquer sedativo, que “mate a dor”, e faça sua mente anestesiar.


domingo, 6 de dezembro de 2015

Sobre Guerra e Paz

Porque sentiria a dor alheia? Se não agüenta a própria, como agüentará a alheia? Poderia sentir a alegria de viver e a incógnita vontade que motiva o ser humano apesar de todos os pesares. E por falar sobre os pesares, estes possuem muitos pêsames em seu histórico. 

A verdadeira sensação seria sentir a alegria de viver. A satisfação a cada respiração e a inspiração para tal. Alguns dizem que só se dá valor quando se perde algo, mas dificilmente vemos defuntos reclamando sobre a falta da alegria em respirar. 

Na morada da dúvida, vive a satisfação de não saber. Tem se a noção relativas de certos aspectos de determinado assunto. Mas especificar que "sei" é admitir o contrário, já que não se é onisciente. E nessa mácula de não saber e ter medo de não saber é que se criaram os deuses. Seres oniscientes, donos do destino e das ações do Homem. Também deu origem ao demônio, para justificar os desvios de atitudes, comportamentos e sobre ações insanas no passado. 

As desculpas e erros originaram a nossa cultura e a necessidade de fugir da realidade. E na fuga da realidade inventaram até as drogas. Para não sentir (ou sentir demais). Para não sentir as dores, as angústias. Está tudo tão conectado. Tristemente conectado. Será que haveria narcotráfico se as plantas de coca e maconha se deixassem de existir por algum motivo biológico?

Provavelmente inventaram outra droga qualquer. A necessidade cria a ferramenta. A fuga cria artifícios! E a dor? Ela continua lá. Não há cura e sim remédios que fazem o que o nome especula: “remediam”. 
Remédios que não procuram a cura, e sim amenizar os efeitos diversos da dor na vida. 
Remédios que acumulam nas prateleiras, nos estojos de medicamentos, remédios vendidos nos balcões em forma liquida e em “baladas” dissimuladamente alegres, remédios modificados e aspirados pelas narinas, enrolados em papel de seda e tragados, queimados em colheres e injetados na veia. 

Muitos desses fazem mais mal do que bem, matam aos poucos, mas mantém longe a realidade. Brutal realidade. A sociedade fica atônita com essa fuga. A alienação para fora da alienação.
Cria-se a guerra externa para acabar com a guerra interna. Uma guerra pela paz. Guerra para acelerar a morte dos dependentes. Guerra contra aqueles que alimentam os dependentes. Guerra para ver quem lucra mais. 

Guerra que gera despesas enormes e perdas de vidas. E isso acalanta as mentes conservadoras; a Guerra pelo “certo”. E o sagrado se mantém dessa forma como sempre foi. E nesse ritmo afoito de combate, nem mesmo combatem das causas e sim as eternas conseqüências. O mercado consumidor continua existindo e aumentando, enquanto se poda os ramos, as raízes se ramificam ainda mais e se tornam mais fortes. 

A hierarquia estruturada historicamente, fundamentada no estamento social, modificou-se com tempo, coloriu-se um pouco, aderiu novas formas, mas manteve-se essencialmente original. Originalmente horripilante e que adora as guerras em troca de algo, odeia a fuga da realidade, mantêm a forma de ser do mundo em que vivemos e prega como se deve ser, como é ser humano. E então, como sentir a dor alheia em meio a tanto dor em viver nessa existência absurda? Como agüentar a dor de outrem se não agüenta a própria? A quem interessa tamanho absurdo paradoxal? Se fosse distribuída a alegria de viver como se distribui as diferenças (e indiferenças), seria mais sustentável viver nesse mundo.

domingo, 18 de outubro de 2015

Decifra-me ou Te Devoro

Decifra-me ou te devoro, disse uma esfinge certa vez. Criatura faminta, ávida em devorar alguém. O mundo ainda reflete essa ideia antropofágica: "Quem come quem? E ai, comeu?".

Tudo se traduz em sexo. Sociedade falocêntrica, imagina o mundo como a cabeça de uma rola, no meio do universo, onde a vagina seria o buraco negro. Seus prédios enormes e sua visão de mundo se traduzem em picas saindo do chão rasgando o céu.
De onde saiu esse desejo tamanho pelo sexo? Transformar amor em sexo... E violência em sexo.  

Nesses momentos é que nos aproximamos de nossos ancestrais mais primitivos, grunhindo, rosnando, remexendo em gestos repetitivos em busca de algum prazer. É nesse prazer que consideram a vida, nessa satisfação que eclode no cérebro, como larvas de cisticerco.
Amor passa pelo sexo. A dor passa pelo sexo. A vida passa pelo sexo. Nessa corrida rumo ao nada, trepando com a satisfação do gozo sem se preocupar com o Armagedom no final do mês.

O hedonismo nunca cessa. A busca pela satisfação nunca finda. Talvez seja para ajudar a absorver toda a dor latente existente. O sexo serve como analgésico da vida que também não se abdica de nos foder constantemente (no sentido figurado na maior parte do tempo).

A TV me corrói, a vida me corrói. Beber só iria corroer mais ainda meu fígado, meus órgãos. Se a vida me corrói, talvez eu seja uma estátua de mármore.
Os sons que saem do aparelho televisivo soam tão vazio, tão manipulador. O suspiro que sai do corpo sai tão errático e tão desesperador.

Sou um monólito destruído. Um monumento sobre o absurdo do momento. E o que resta para estátuas “vivas” e ambulantes a não ser tentar foder? Mas não, o sexo não mais responde a satisfação. O tesão acabou.

É endorfina confundida com morfina. E confundem o foder conotativo com o denotativo. Confundem o amor com foda, e fodem tudo e a todos sem amor e sem sexo. O foder apenas pela destruição. Foder como se fosse pelo prazer de infligir à dor, elevando a paixão pelo “si” a níveis universais para enfim, se sentir o pica das galáxias.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Inequidão

Nessa imensidão, ouves musica para calar as vozes que te perturbam
Uma inexatidão que nos tornamos, nesse infinito cósmico de ignorância que temos, é um sentimento que berra no peito. Perdido por tempo indeterminado.

Nessa iniquidade razoável, em que tudo que é ruim se tornou prática estável das "pessoas de bem", o mais difícil é aceitar tudo sem deixar a cabeça explodir. Tanta coisa fazendo falta.
Nessa imensidão, tento pensar mais alto que as vozes que vociferam como feras raivosas toda a sua ira e toda a sua onisciência sobre o mal em que caminhamos. É preciso mais que um copo d'água para descer com tudo isso pela garganta.


Indefinidamente procura uma desculpa, que seja uma razão inventiva para que se suporte sua vil existência. "Qual seria a razão futura?"
Intermitente com seu humor bipolar, não sabe como se rende aos laços humanos, e como se deve portar com tais características.

Qualquer discussão intercede de forma negativa em sua forma de ver o mundo. (como se sentisse prazer na dor)
É uma inquietação na alma que enlouquece. Como tudo se prova tão errado e desigual, vale até a expressão da "Inequidão" da vida, nessa inequação de erros o que sobra?




"Tudo fugiu -- tudo está feito, então levem-me à pira --
O banquete acabou, e as lâmpadas expiram."

Robert E. Howard