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domingo, 28 de dezembro de 2014

Meu Amigo William

Texto de um escritor que aprendi a admirar muito, por traços em seu perfil no qual me identifico relatado em suas crônicas e poemas. Abaixo, um relato de como eu seria se tivesse nascido no "Planeta Bizarro", onde tudo é ao contrário da nossa realidade.



"MEU AMIGO WILLIAM

Meu amigo William é um homem de sorte:
lhe falta a imaginação para sofrer

ele manteve seu primeiro emprego
sua primeira esposa

consegue dirigir um carro por 50 000 milhas
sem precisar fazer reparos nos freios

ele dança como um cisne
e tem o par de olhos vazios mais bonitos
deste lado de El Paso

seu jardim é um paraíso
os saltos de seus sapatos estão sempre nivelados
e seu aperto de mão é firme

as pessoas o adoram

quando meu amigo William morrer
dificilmente será de loucura ou câncer

ele caminhará pelo demônio deixando-o para trás
em direção ao céu

você o verá na festa hoje à noite
sorrindo de orelha a orelha
com o seu martini

deliciosamente e agradavelmente
enquanto algum cara
fode a esposa dele
no banheiro."

domingo, 29 de agosto de 2010

As vozes e o Mundo Bizarro!



Dentro desse crânio, jazem pensamentos. Nada harmonioso como jazz, mas um conflito caótico que tende ao equilíbrio destrutivo.

Uma das vozes pergunta:

“Porque escreves tanto? Espera que alguém leia?”.

E minha pessoa (talvez seja eu), retruca

– “Sou impelido nessa forma, e que não escrevendo me sinto estranho, bem mais que o habitual”

Outra voz entre no debate:

“Mas qual a razão de sua inquietação? Você não poderia ser um louco feliz ou um alienado recém-alimentado?”

- “Não sei, apenas sou dessa forma. E quando penso, talvez é porque eu exista e veja, não só com os órgãos, mas perceba também com o resultado das emoções e percepções no meu, muitas vezes querido, cérebro!”

E esse debate, acaba virando um “Brainstorm” com diversos candidatos aparecendo em formas de vozes, assim como aquela voz que aparece na sua mente, toda vez que lê um texto na internet...

Dentre tantos, entra a Voz nº3:

“Se não existe razão para tanto esforço, se não existe razão para existir, porque insistir?”

- “Insisto por ser o natural da vida. E se o esforço é tamanho e tão mal usado, talvez deva-se estudar uma forma de entender a real essência do que é e como utilizar o trabalho produtivo”

E as vozes inquietas persistem mais a noite quando todas as outras vozes normais se cessam.

A voz nº4:

“Porque se preocupa com o bem-estar social e o que mundo pensa e idealiza?”


- “Tento imaginar todas as possibilidades e o equilíbrio. Não imagino nunca a utopia, e não espero milagres. Mas sinto uma necessidade de ação que o atrito em que vivo, impede a minha inércia de mover livremente pelo ares. A sensação de estar livre, tantos dos conceitos velhos e ultrapassados quanto dos males inventados para nos limitarmos. Quero o Horizonte, como ele nasceu para ser. Quero um mundo melhor para mim e meus irmãos. Nada demais, e nem de menos. Quero que o impossível se torne o "mínimo", e que tenhamos um novo patamar para alcançar...pelo menos até tudo ser destruído novamente, nesse enorme ciclo de ocorrências e fatos que chama vida!”


"Talvez queira demais meu jovem, mais do que realmente possa conceber, mais do que realmente possa presenciar, nesse seu universo introspectivo e egocêntrico!"...Disse uma das vozes na confusão.


No final não se ouve a razão, mas só um rascunho da loucura. E a lógica que vi e confrontei comigo mesmo, nesses diálogos internos e inconsistentes é que nada tem muita lógica, mas existe uma lógica muito forte sobre isso! No mundo dos absurdos e paradoxos, o nosso pequeno grande universo se equilibra e se completa.

Como se vivêssemos em uma outra realidade, a realidade do “Mundo Bizarro”, onde tudo realmente faria sentido!