O sonho de morrer logo ficou no passado. Mas não estava esquecido. Tomar as pílulas que dão para domar o mal interior. Antes de dormir, era difícil imaginar o dia seguinte.
Para acordar era sempre um martírio. Todo santo dia, um martírio. (e como seria diferente?)
O peso do mundo na consciência, como se estivesse devendo algo a alguém, além de um senso de inutilidade social inevitável. Como afugentar essa angústia que não cansava em me cansar?
Não me canso de fazer perguntas retóricas que sem resposta acabam virando respostas óbvias.
O quanto de ricina é preciso para matar a consciência? Se eu não pudesse matá-la, eu deveria sequestrá-la e colocá-la em um calabouço ou qualquer buraco que ninguém pudesse encontrá-la. A consciência estaria perdida e eu livre do seu peso sobre meu crânio.
Para poder me livrar dessa pressão interna craniana, eu escrevo.
A cada dia que escrevo, escrevo para mim. Escrevo para alguém que talvez nem exista. Escrevo para que ninguém leia, mas escrevo. Escrevo para transmitir as aflições do maniqueísmo binário que são acobertadas pela hipocrisia que ninguém quer admitir. Os erros que querem esconder. Essa falsa ilusão e do eterno prazer. (Doce ilusão que vicia)
Essas ilusões da mente que intoxica, causa a dependência pelo irreal e o prazer. Prazer para fugirmos da realidade absurda e dos padrões alienantes que engolimos diariamente como tabletes enormes e indigestos. Precisamos mentir a nós mesmos para escapar do óbvio (e talvez o óbvio nos escape por pura ignorância).
Precisamos do hedonismo e das soluções imediatas, da amputação das fobias e do medo de sentir medo.
O meu pior defeito é não me enganar tão fácil como outrora. Esquecer as coisas boas em detrimento as ruins. O defeito é não suportar mais o doce que me dá indícios de diabetes.
Não, não posso mais assistir a tudo e não me pronunciar. Mesmo que não me leiam, mesmo que minha ortografia ruim possa ferir os olhos treinados daquele que possa vir a me ler... Persisto nesse derrame de idéias.
Vomito minhas palavras sobre o branco do nada. E no último parágrafo, só por esse momento, eu me findo. Eu me findo. Eu me acabo. Tropeço-me nas palavras, mas acabo por dizer tudo que preciso por um dia. Como se morresse em paz. Jaz. Aqui. Me Findo.
Esse espaço é onde exponho meus devaneios mundanos...Enquanto ser existente, sou pretensiosamente reflexivo.
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quinta-feira, 11 de dezembro de 2014
domingo, 25 de maio de 2014
Sociedade do Absurdo.
Sociedade do absurdo, sabe individualmente o que quer para si, mas contesta o que lhe serve de forma coletiva. Sociedade do absurdo, onde a diferença é celebrada, e quem possuí mais é chamado de vencedor, invejado pelo seu status. Espera-se o sucesso não importa a custa de quem e de que forma.
Absurdo é o que constatamos como normal, apesar de ser obviamente um ultraje a dignidade humana. Absurdo é tentar defender o indefensável, pois assim é mais fácil não pensar na passividade que toma o coletivo. Se pensar na consciência, ela deve pesar toneladas. Mais que toneladas, deve pesar mais que qualquer força da gravidade.
Deve ser mais forte que a força que um buraco negro suga a luz. A consciência deve pesar o peso do mundo, mas ninguém se importa com ela. A consciência quase se colapsa dentro de si criando sua própria supernova, mas o absurdo que toma conta de todos é maior que o brilho dessa supernova. Não há clarão que persista perante ao absurdo.
O absurdo parece um monstro que se cria e devora tudo ao se alcance e nada resiste a sua voracidade. A sociedade do absurdo vive para alimentar esse monstro. Vive para deixar sua consciência que pesa mais que todas as luas e estrelas, se afundar em seu próprio peso.
A sociedade do absurdo não reflete, pois sua imagem remete ao vampiro de Bram Stoker, mas sem Van Helsing ou qualquer outro herói para empalá-lo no coração. Suga toda a vida que o contorna, e seu absurdo é viver em meio ao caos, se admirar com tamanha destruição moral e ainda relutar em agir.
A sociedade do absurdo está viva, e ri de si mesma. Ri, engolindo o próprio choro, pois sua consciência que jaz em uma lápide em seu encéfalo, ainda pesa, mesmo que morta, toneladas e mais toneladas que incomodam seu jeito simples e maniqueísta de ver o mundo. A sociedade do absurdo não entende. Não entende a si mesmo. Não entende o caos em que vive. Não entende nada.
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
Despertar da Consciência "_EU_"
Maior que a pergunta: "Porque estamos aqui?" "Deus Existe, e se existe, existe o capeta?". Maior que a necessidade de apenas querer saber, ou de se vangloriar com a resposta, é a sensação de certeza. Sem fantasias ou crendices, apenas a certeza verdadeira daquilo que sempre procurou. Não é a existência de Deus ou do Capeta, e sim a existência da consciência.
O porquê de ser consciente da própria consciência. Ver e vivenciar os erros como um protagonista que não consegue mudar o desfecho da história como em um RPG. Saber de sua própria existência, vivendo-a e esperando pelo desfecho final. Conviver com as dúvidas e o seu ponto de vista defectivo e simplório sobre a concepção do que é a realidade e do que tens sentindo sobre a pele e seus sentidos.
O porquê da consciência? Qual o motivo a faz existir e moldar a sua personalidade em algo que se consegue definir como pessoa? O momento da percepção, no fatídico momento em que se percebe como pessoa inserida em um contexto social. Os fatos, acontecimentos que se relacionam com você e sem você. Amizades, amores, vidas cruzadas, momentos de meditação... Qual o propósito de se perceber sobre tudo que se acarreta sobre sua pessoa?
Os limites da consciência se esbarram nas limitações humanas e suas percepções. A realidade que vivemos e que nos acaba moldando, pode também ser moldada. A perspectiva que temos provindas de nossos sentidos podem criar uma realidade diferente a nossa capacidade cognitiva. A forma com que pensamos, com que vivemos e como tomamos nossas ações podem ser moldadas tanto pelo nosso consciente quanto pelo subconsciente.
Mas e o que faz nossa percepção esbarrar em nossa identidade criada, nosso conhecimento adquirido e por fim, a consciência que percebemos tomar forma e tomar posse de nossas ações? Qual o objetivo do saber de sua própria existência?
Essa distinção talvez seja a mais importante dentre os animais, e ainda sim, o termo "ser racional" não seja completamente eficaz sem se perceber como individuo inserido em um meio, uma realidade e qual papel exerce em tal meio e que diferenciação ou propósito aguarda a sua percepção existencial.
Há diferença entre as pessoas inteligentíssimas com as que se perguntam em algum momento sobre o despertar de seu ponto de vista. Pessoas cultas, mas que não se aprofundam em seu próprio ser, em busca de conhecimentos, se rendendo a facilidades e crendices milenares pré-formatadas a sociedade, talvez seja o primordial motivo da evolução de certos tipos de dogmas.
A comodidade de não querer saber a verdadeira resposta que pouquíssimos procuram, sejam por medo de se perceber quem realmente são ou por medo da desilusão do que encontrarão como objetivo de sua consciência e existência. Porque "eu" sou "eu"?
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