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quarta-feira, 2 de março de 2016

Hipocrisia Cotidiana

Como conseguir respirar com tamanha hipocrisia? Como pode se viver com tamanha demagogia? Um peso invisível se ergue sobre os ombros. Há escombros dentro do encéfalo. A certeza e a ignorância nos fazem dormir mais tranquilos.

Na TV nos dizem o que acham que nós devemos ouvir. Os ratos servem as refeições. Suas redes de TV com negócios escusos que se encontram com investigações internacionais barram em seus interesses ideológicos.


Na política inventam partidos e vertentes que dizem seguir, mas acabamos na mesma armadilha de sempre. Escolhemos entre o menos pior, ou as vezes o horrível que parecia "apenas" pior. A Democracia existiu como ideal na Grécia onde apenas homens donos de posses poderiam votar entre escravos e mulheres. 

A democracia tentou reencarnar na Revolução Francesa com centenas de cabeça rolando e os velhos vícios da hipocrisia encarnados. Onde um dos fundadores do liberalismo escreviam sobre liberdade e propriedade privada, enquanto possuía ações de companhia de tráfico negreiro.

Temos a hipocrisia como a segunda pele. A certeza que nos faz dormir em paz apesar de saber que não sabemos nem o que devemos não saber. A ignorância é o que nos conforta.

Enquanto vemos a juventude morrer e se perder, nos perdemos pensando: "Qual seria a razão? Quem é culpado? Quem está vencendo essa guerra, e o mais importante, quem financia e a suporta?". Não temos força para mudar o mundo, só para xingar a corrupção alheia e esquecermos aquela que . Engolimos nossas mentiras e erros e entendemos que não somos culpados mesmo fazendo parte do triste quadro social.


quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

O Mundo é o Palco dos Loucos

"Quando nascemos, nós choramos, porque subimos a este grande palco de loucuras.”

Rei Lear - William Shakespeare

Somos os loucos e os palhaços. Os palhaços sem plateia e deprimidos. Os loucos sem medicação e a solta. Como podemos aceitar o absurdo da vida com eterno otimismo? Como não chorar com o apocalipse diário? A hipocrisia fixou na face e na alma, como se fosse verdadeira. Acredita-se tanto no absurdo e nas mentiras como forma de amenizar a insignificância sobre a ignorância do ser.
Nós que aqui estamos vivendo sem saber o porquê, inventamos desculpas eternas. Drogas para consumir e absorver as dúvidas. A cada gota de álcool vem à alegria. A cada grama de coca, somem as dificuldades. A cada tragada no cigarro, se sente o paraíso. Tudo se torna fuga: as drogas diárias, a TV e suas mentiras confortáveis, as pessoas e suas crenças admiráveis.

A busca pelo prazer é a satisfação maior por estar vivo. O significado da vida se torna slogan de comercial de margarina. Precisamos ser felizes. E por quê? Temos instintivamente (na maior parte do tempo e na maioria das pessoas) a vontade intrínseca de continuar existindo. Lutamos pela continuação da existência mesmo vivendo no mundo de absurdos e onde o dinheiro compensa a morte de um indivíduo e/ou milhões. Onde temos a fé em algo inacreditável. Se contássemos a algum espectador fora desse espetáculo de horror, ele ficaria: abismado, horrorizado, enojado ou teria um simples riso irônico?

Criaturas racionais e sentimentais. Autoproclamados seres sapientes. Criados a imagem e semelhança do criador do universo em sua onisciência e poder infinito. Como chegamos a esse ponto e com essa arrogância?

Em alguns tempos aparecem seres que destoam desse painel ridículo e assim, os próprios são usados como símbolo máximo da espécie. Para cada Platão e Sócrates, houve milhões ou até bilhões que desvirtuariam a imagem do homem sapiente. Para cada Einstein, milhões para nos mostrarmos que ainda somos primatas diferentes, nem mesmo "melhorados". Apenas primatas.

Com funções semelhantes as dos vírus, que entram em organismos e os matam com a necessidade simples de querer viver. Mata o hospedeiro com função de existir. Talvez seja o que somos, grandes vírus para o planeta. Devem existir outras "bactérias", "fungos”... Mas vírus letal como nós, não há. Talvez um câncer que se propaga indefinidamente, destruindo o resto do tecido vivo que o mantem "reproduzindo-se".

Diante de tamanha destruição contínua, de tamanha hipocrisia com o uso e definição da palavra "Humanidade", o que se espera dessa civilização? O que esperamos de nós? O que impele cada ser vivente a uma vida contínua sem saber o porquê de estar fazendo tal coisa? É apenas nascer, casar, se reproduzir e morrer? E nesse ínterim, estudamos tudo que já foi dito (e alguns até modificam algo), trabalhamos incessantemente dia após dia, para nos sustentarmos (e alguns apenas para não morrer de inanição) e adquirimos bens de consumo que aparentemente nos alegram (compramos indefinidamente, pois o mercado, o país e o mundo precisam que seja assim).

Por fim nos aposentamos, no final da vida, e as respostas nunca foram imaginadas por medo das perguntas. E porque teríamos perguntas se somos a imagem e semelhança do criador do universo, seres sapientes no topo da escala evolutiva e donos do mundo? Não fazemos a pergunta sobre a existência por medo da resposta.
 

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

O Sorriso do Idiota

O sorriso do idiota que não suporta mais o lindo amanhecer. Simplesmente se encheu das mentiras. Todas as doces e convenientes mentiras. Da fé, da vida, das ações humanas... Do alicerce da sociedade forjada a base de hipocrisia. Encheu-se como um Zeppelin e sobrevoa a terra com ânsia de vômito.

Não aguenta mais mentir para si mesmo. Seu sorriso estúpido fica travado na face, congelado. Toda a ignorância que lhe sobra, transborda para fora do ser. Como uma privada cheia até a tampa.
Temos as funções sociais para cumprir. Horário para comer. Horário para acordar. Horário par se divertir. Horário para voltar a produzir.

Com pressa, comemos, vivemos e somos entupidos das banalidades e imbecilidades que nos convenceram ser importante pela TV. A humanidade desumana cansa até o monge budista mais otimista sobre a natureza humana. Para se acabar a vida que nem começa de verdade. O simulacro nunca cessa.

A ilusão é completa. As mentiras são absolutas, assim como o fingimento em tentar entender outrem. E o que nos salva? A maravilhosa fé na felicidade. E para quem perde essa fé, existem pílulas que parcelam a felicidade. E existem placebos... E no final tudo parece placebo.



terça-feira, 24 de março de 2015

Sem + Soma +

Disseram que a vida não é justa. Compreendi. Mas precisava ser tão hedionda? O que há de errado com a realidade que é tão torta em nossas cabeças?!

"Há mais entre o céu e a terra que sonha nossa vã filosofia". Entendi perfeitamente. Mas muitos afirmam saber exatamente tudo que condiz entre os extremos e não admitem sua absurda incapacidade de perceber sua existência paradoxal. 

 "A vida é uma escola". E meu aprendizado é eterno... Ainda sim, ei de desafiar a lógica, já que percebi que não há lógica que salve nossas vidas. Esperava que a poesia salvasse. Que os versos ou a prosa tirassem toda a desgraça da vida. Que a distopia se transmutasse em utopia.
Que os contos e os cronistas pudessem dar a moral no final de cada dia. Esperava que as ideologias fossem mais humanas, e que ideias refletissem para a humanidade. Só sobrou a hipocrisia mascarada, por trás de papéis em cenas falsas, mais falsas que a nota de 3 reais. 

 Não há mais "soma" para nos satisfazer em nossa alienação como em se descobríssemos um admirável mundo novo. Há a tristeza em forma gasosa, que entra em nossa artérias e absorvido em nosso sangue. Como se tomasse pílulas de tristeza.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

A Culpa é Pública


A culpa é pública. É de todos, mas não parece pertencer a ninguém. Com tanta hipocrisia pregamos o bem alheio, sem olhar para nosso universo óbvio, errado, torto e preguiçoso.
O que comanda a noticia é a hipocrisia. O que comanda as massas é a ignorância. Respira-se demagogia. Vociferam perfeições inalcançáveis.

"O que pode ser feito..." e nunca será. "O que deveria ser feito..." por outra pessoa que não seja eu, porque preciso fazer infinitas outras coisas não muito importantes. Analisando a vida, a morte e tudo que se tem no caminho, o que parece ser importante? Parecer importante?

O que comanda as massas é a hipocrisia. O que comanda a noticia é a demagogia. Transpira-se ignorância. E perguntam sobre teorias impraticáveis. "O que eu deveria fazer..." e nunca faço.

O que precisa mudar é a aceitação do que somos. Aceitação de uma verdade que todos gostam de ocultar.

Vivendo nessa mediocridade pretensiosamente humana, tentamos fingir algo maior, melhor, quase perfeito.  Vivemos algo tão irreal quanto à fantasia. É a hipocrisia que mata, dilacera almas. A demagogia que fere. A culpa é pública. É de todos, mas todos renegam.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Exemplo de Hipocrisia.



O que fazer com tanto sentimento reprimido? Se fosse uma bolha, explodiria o quarteirão. Vejo-me como um exemplo. Um péssimo exemplo.

Sou refém da preguiça combinado com hipocrisia. Serei o ultra-extremista radical de meus ideais (que ideais?). Serei um terrorista para honrar a vontade superior (de quem?). Vou lutar até a morte para provar minha ideologia (ou até mudar de ideia).

O cansaço precede o trabalho. A vontade se vai antes da ação. O pensamento morre com todo o sentimento engasgado. Nessa tormenta de idéias, não sobra nenhuma boa ou que se aproveite para bem comum (nem mesmo para bem próprio).

Que belo exemplo de hipocrisia, com todos os pensamentos enclausurados no corpo. Se pudesse explodir já havia explodido. Pouco se mantém dessas noções de mundo porque tudo parece ser uma merda. E a esperança de que vai tudo vai melhorar morreu! Sufocada.

O que resta nem é mais chorar. É fingir. Engolir todos os prozacs e congêneres da indústria farmacêutica para cumprir meu papel de consumidor feliz da indústria de bens. Trabalhar como bom membro do proletariado e praguejar sempre o insolúvel e impossível da cultura popular e política social. Constituir família, sem se perguntar em qualquer momento: "Por quê?"