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terça-feira, 23 de agosto de 2011

Percepções.


Já sentistes necessidade? Imagine a superação de algo intransponível.
Pense na falta da visão, e sua capacidade de ter que caminhar mesmo sem ter como enxergar.
Pense na falta da locomoção e a capacidade de ter que andar enormes distâncias usando os braços.

Imagine a ausência de alimento, não por algumas horas, mas por dias.
Pense na ausência de audição e ter que viver sem saber o que é o som.
Pense nas diversidades que enfrentamos, e a capacidade adaptativa de cada um de sobrepujar as adversidades maiores.

Pense que, o que te separa daquele deficiente visual, deve ter sido um pequeno detalhe da vida. Pense em que a vida ainda não terminou e com o passar do tempo, pode haver reviravoltas mirabolantes. Pare, olhe e reflita. Há muito mais do que podemos enxergar, há muito mais que nossa percepção pode alcançar.

Há muito mais do que se pode mensurar. Percebemos nossa fragilidade na dor, nossa mortalidade no momento de fatalidades, quando o sangue que corre pelo corte feito. É a dor, é o que sentimos, além das alegrias e das rosas no campo. Há dor, em pequenos quartos, e em diversos cativeiros.

Não podemos esquecer quem somos; o que somos e de onde viemos. Ser invulnerável até o dia que se ferir, ser imortal até o dia em que ver a face viva da morte.
Receba o abraço como se fosse o
único, sorria como se fosse o último, esteja entre os seus como se não houvesse mais ninguém.

Perceba, és apenas uma sombra pálida. Pense. Só existe esse momento até o amanhã chegar. Enxergamos sempre mais o que queremos ver, do que realmente tem para se ver.

Abra os olhos. E veja. Só temos esse momento para ter todas essas percepções.

domingo, 22 de agosto de 2010

Visão do meu eu-lírico.



O eu é meu. Tão meu que pertence a tantos. Pode-se até dizer que geraria uma infindável roda-viva de processos de plágio!
Mas o meu eu-lírico vai contar como ele vê o mundo:

“Um dia, acordei  e não me reconheci no mundo.
Esse mundo de tantos mundos, me parecia estranho.

Um dia olhei para o espelho, e já não me reconhecia naquela imagem.
Era estranha a mim. Eu estranho. Meu lado estranho.
Percebi que os outros que vivem ao meu redor, não me estranhavam como eu mesmo me sentia estranho, foi quando olhei para eles, e percebi que não me reconheci na imagem que eles faziam de mim.
Gostaria de saber o que eles enxergam; gostaria de saber como se veem.

Tanta diferença. Tanta indiferença, igual para todos. Tantas mudanças, e tudo continua o mesmo desde o início.
Olhei para o mundo e não me reconheci nele. Muito barulho, muita bagunça...nada do que eu realmente seja, nesse caos ligeiramente desorganizado.


Somos cegos, sem perceber. Não enxergamos além de um palmo a nossa frente. Esse órgão minúsculo que percebe a luz e a transforma em impulsos elétricos encontra suas limitações. Essa percepção que criamos a partir do que vemos, encontra suas limitações. Suas limitações.

Queria fugir mais dessa realidade, queria que fosse uma realidade menos surreal. Nessa visão que se faz. O mundo que se reflete na ambição de cada um. O egoísmo desvairado, camuflado como “vontade de vencer”, sim... Sempre! A qualquer custo! Que custo tem tudo que vemos? Quanta custa o valor que damos as nossas imagens? A qualquer custo uma imagem.


Um dia olhei para o mundo e não me encontrei nele. Tinha me perdido, feito a esperança. Meu eu-lirico, não tem mais tanto lirismo. Meu eu, não é tanto meu como penso que é.
Certo dia (que tanto poderia ser noite) não me olhei mais, com medo de sempre não me reconhecer.


Agnóstico, olhei, e esperei. Esperei que algo fizesse sentido. Esperei que o sentido fizesse sentido. Esperei acreditar que tudo pudesse ter razão nas coisas que são. Esperei, mas não olhei mais.
Um dia olhei no espelho, e nada mais era reconhecido.
Um dia olhei para as pessoas ao meu redor, e esperei me reconhecer nelas.
Um dia, certo dia, como se fosse um pouco da noite, eu não enxerguei mais nada.”

O meu eu-lírico se despede, de forma excêntrica e totalmente translocado no seu verbo de ser.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

O meu maior medo é me reconhecer em você


Vejo-me nesses olhos, nessa insegurança.
A incerteza da certeza, passos incautos no meio a essa escuridão.
Eu vejo esse medo e essas imperfeições como se fossem minhas.
Espelho agonizante, e essa força mais estranha que o normal.
O meu maior medo é me reconhecer em você.
 
 
Os seus erros parecem os meus, os seus pesadelos são compartilhados comigo, mesmo sem querer.
A viagem é estranha e sem direção, e passa por diversos rumos durante o caminho.
Todas as suas dificuldades e anseios se mostrando a olhos nus.
É estranho lamentar por você, é tão difícil lhe estender a mão.
Apesar de todas as impossibilidades e deficiências, ainda vejo nos seus olhos.
 
 
Um pouco de mim, coisas que não quero enxergar.
Ainda vejo nos seus olhos, um pouco de mim.
Que tento negar e enganar, um pouco que deveria ser ultrapassado.
Seria bom esquecer o que me é lembrado toda vez que olho para você.
O meu maior medo é me reconhecer em você.
 
 
És mais um esconderijo dos erros, um lacaio da comodidade.
Não quero ser assim, mas vejo a sua imagem como parte do meu reflexo.
Talvez eu pudesse ser como você, talvez eu pudesse deixar de lado toda essa inquietação.
Mas não consigo de ver o mundo diferente, não consigo deixar de me ver nos seus olhos e me incomodar.
Não consigo ser tão passível a ação do tempo, não consigo estar  à mercê de algo incompreensível a razão.E sinto medo de me ver em você.
Medo maior que da morte e das incertezas do futuro.
 
 
Queria fugir dessas visões; fugir de sua imagem e de minhas impressões.
Quero aceitar sua opinião como minha e ver suas visões como certa.
Não gosto de sentir medo por você, não gosto da insegurança que tens.
E de todas as palavras que me diz, acredito apenas em parte.
Sua máscara me incomoda, e tenho medo do que possa te acontecer,
 
Nesse espelho de empatia, teu reflexo me assombra.
O meu maior medo é me reconhecer em você.
Medo maior que da morte e das incertezas do futuro.
O meu maior medo é me reconhecer em você.
Vejo-me nesses olhos, nessa insegurança.
Vejo-me nesse reflexo e nessa falsa máscara que te prende.
Vejo meu medo de ser você e sinto medo por você também.
Esse medo hediondo;  medo maior que da morte .