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domingo, 10 de junho de 2012

Salva nóiz Hignorancia!



Vislumbra-se Hignorancia voando baixo:
" - sera um passaro?
   - sera um avião?
   - sera um torpedo?"

Hignorancia voa impávida sobre nossas cabeças, a espreita de uma oportunidade de nos salvar!
A qualquer momento de aflição, medo, desconfiança...ele virá nos salvar, tranquila e infálivel. Encobrirá nossa visão com sua magia. O mundo se tornará mais doce que a estória de Maria e João do conto de fadas.

A Realidade é um inimigo cruel que se esconde nos lugares mais sombrios da mente, ataca em seu ponto fraco e não demonstra misericórdia. Quem irá nos defender? (Não, não será o Chapolim!), que venha Hignorancia para salvar a todos!

Ele encobrirá o que não queremos ver e nem pensar. Será um duelo sujo e irracional com a cruel e desumana Realidade (essa bruxa mordaz)...não podemos nem olhar as atrocidades que serão cometidas.
Não deixará que seja percebido nossos defeitos e medos. Nos dará confiança para continuar mentindo e felizes.

Apenas a agradeça Hignorancia, um herói que sempre estará presente quando menos precisar. Uma força tão forte que não pode ser mensurada. Uma força que é intransponível e nunca será derrotada.

Vide; eis que surge Hignorancia, os olhos serenos e sem profundida, não escondem nada por de trás de sua calma reluzente. Hignorancia não mata nossos Ídolos, pelo contrário, com sua força, ele os tornará maiores e melhores!

Melhor que o protótipo do Übermensch, ele contrapõe-se a esse conceito e se torna o "último homem", o exemplo perfeito do Niilismo...então ao final de sua obra, seremos lindos e mais perfeitos.

Que seja eterno santo herói. Que seja feito estátuas e livros com suas estórias inacreditáveis. Nada pode superá-lo. Nada. Nunca. Nihil.

Finito.


quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Abraço a Minha Ignorância!

Eu abraço a minha ignorância, e porque não abraçaria?
Abdico da busca da perfeição e do encobrimento passivo dos defeitos.
Não me abstenho dos meus defeitos, não nego minhas imperfeições e ainda mais... Declaro-as!

Sou pessimista e impontual. Sofro dos horrores de multidões, por muito sou mesquinho e egoísta. Vivo dos opostos e paradoxos, talvez até um exemplo de ser do duplipensar.
A polaridade do humor muda de megalomania a distimia.

Eu escancaro uma vez por todas: meus ciúmes, minhas invejas e meus temores.
Meus medos mais medonhos, minhas incertezas, meus erros.
Abraço a minha limitação e a chamo para sair.
Confronto o personagem que se cria: a aparência boa e agradável que se deve ter na sociedade.

Meus fracassos na porta, minhas vergonhas nas janelas. 
Quero um outdoor para promover minha incompetência, minha preguiça, minha baixa auto-estima seguida do egocentrismo.

Se precisar canto minhas limitações. Grito minhas incapacidades, meu mau-humor e falta de paciência. 
Minto o mínimo, mas minto. Sempre chegarei atrasado, sempre! Não faço questão de parecer simpático, com sorrisos amarelos de piadas infames.

Recluso e desconfiado, às vezes até complacente. Vingativo, obsessivo, teimoso, rancoroso, vagabundo, orgulhoso, malicioso, cínico, ignorante. 
Poderia ser um tirano se dessem oportunidades.