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terça-feira, 29 de novembro de 2016

Penso Onde Não Existo

Penso onde não existo,
Moro onde não vivo e resisto.
Existo onde mora minhas memórias,
Persisto, em reviver minhas histórias,


Penso onde não existo,
Permaneço vivo e insisto,
Nas turbulências das dores,
Das correntezas que arrastam nos rios e mares,

Sobrevivo, além dos problemas do mundo que desafiam,
Na oração daqueles que me amam,
Penso onde não existo,
Revivo tudo que vive no pensamento.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Entre a Distopia da Rotina e a Entropia Disfarçada

A vida tem vários caminhos e escolhas, todavia, não temos essa chance de escolher antes de nascer. E se tivéssemos, escolheria o lugar, o ano, a vida que levas?
Depois de alguns anos, é mais difícil rir em público. Há muitos palhaços tristes que se escondem entre um riso e outro e muita maquiagem. Quantas máscaras se encontram em rostos alheios? Sorriso amarelo em alma danificada. Estrutura rompida com os anos. É difícil dizer bom dia, pois parece perceber que o dia só é bom quando acaba.

E sobre a realidade em que persistimos existir? A realidade absurda dá pedras nos rins. A mentalidade que se condiciona nessa realidade absurda dá ulcera no corpo já estragado. É como dar um tiro no pé, esperando ele ricochetear e ir para a cabeça. O absurdo diário causa náuseas.  Náuseas intrínsecas pelo existir.

Estranho perceber, que apesar de todo esse estado de entropia disfarçada de ordem, da distopia disfarçada de rotina, as pessoas caminham entre os segundos de vida e morte, sem titubear, sem se perder. Como conseguem se erguer dia após dia, após cada golpe de luz, para voadora na nuca das trevas da consciência?

Tropeçando pelos dias em busca do inominável. Que infortúnios há de aparecer nos dias que virão? Espera até cansar. Espera a esperança acabar. Com tudo acontecendo fica difícil lembrar-se de todos os nomes e acontecimentos... Às vezes até esquece o próprio nome; Em pé, na porta do destino. Bate para ninguém atender; É o descaso personificado. Tão desumana é a face humana.

Esperando a chuva chegar para lavar toda essa imundice da superfície. Levar para além do mar. Além dos braços de rio e dos mangues cobertos de lixo. Para além do oceano de esgoto a céu aberto. Mas ela nunca vem e o que persiste é o lixo. Um mundo de lixo.

O jeito é sair correndo. Se esconder atrás do balcão. Fingir esta dormindo até chegar o apocalipse. Fingir não se importar, mas do que já não se importa. Carregar sua hipocrisia como uma cruz de 16 toneladas nas costas esmagadas. Quem dera poder correr para a próxima vida, próxima realidade, próxima mente ou próximo universo. Próxima alguma coisa. Aquele aneurisma que nunca vem. Poderia até doar todos os órgãos para poupar outros de tantos infortúnios. 

"Dormir durante horas parece ser a segunda coisa mais importante que existe, logo após a não-existir"

O que sobra é persistir e viver. Entre os infortúnios e alegrias. Pode se sentir insignificante. Invisível a quase tudo e só visível para os problemas. Insignificante e pequeno. Insignificante como um vírus, que não te faça espirrar, mas que faz sangrar pelos olhos e orelhas.

Que não deixa seu sangue coagular. Que cause derrame. Pequeno como os cisticercos que eclodem no cérebro. Insignificante e pequeno. Pequenos problemas, grandes sequelas. Insignificante e pequeno.

domingo, 2 de maio de 2010

você realmente existe?


Você está vivo, mas será que existe?
Está aqui perto de nós, mas não parece existir.
Você pensa que sabe, você acha que entende...mas quais são as preocupações?


Eu vivo, mas será que existo?
A forma como tudo acontece, a forma como tudo acontece.
Não tem como se entender todos os motivos, falta razão.
Raciocinar sobre o porque está vivo, talvez isso seja existir.


Quando se tem a perceção de existência, o que mais assusta:
Saber que existe um motivo para viver ou não ter noção nenhuma disso?
Se descobrissemos o motivo de existir, teríamos mais um fárduo, uma razão...um propósito claro.
Se não soubermos, continuaremos vivendo e comprindo o nosso papel, mesmo sem saber.


Se soubesses para que existe, utilizaria esse conhecimento para mudar a situação atual dos que não sabem?
Ou se viraria para si mesmo, sabendo que não valeria a pena ter-se o trabalho?
São tantas dúvidas, Ser e estar...

Estar e ser....estar onde e ser quem?O que é preciso, além de existir?
Muitas perguntas, retóricas e retrospectos sem respostas ou inconclusivos.
Agora basta viver, sem ter a perspectiva da visão ampla que tem a vida, sua e dos outros.
Basta viver, sem saber se é por acaso ou por algum motivo pequeno, como um detalhe essencial.
Mas o mais importante é saber, você realmente existe?