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quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Mitológico Valor da Vida

Vivo numa terra que a mitologia é tão levada a sério, que define a vida. E não só define a vida, como pode tirar. Há guerras em nome de mitologia. Mitologias diferentes criam guerras milenares.
Um cara pode tirar sua vida em nome da mitologia. Alias, pode se perder a vida por pouco: Um olhar errado, um relógio cobiçado, um lugar e dia errado. Mata-se por qualquer coisa, e dá se valor a coisas imaterias como se fossem certas e exatas. E paira no ar certo assombro pelo valor que se da à vida.
Diante de todos os absurdos, como se sentir pelo valor da vida? Qual o valor real que existe?! O valor que dão é tão comercial quanto o dólar e deveria estar na bolsa de ações.
Uma vida nascida negra e pobre em um país emergente, vale menos que uma branca e rica nos países de primeiro mundo. A vida tem referencia em valores abstratos também. Ídolos, mitologias e regras que se baseiam a vida moderna. Tudo sendo seguido à risca para melhor funcionamento de todo o cosmo, universo, etc. e tal.
Ao acordar todos os dias e ver o absurdo paradoxal e hipócrita que se define sobre minha força de trabalho, meus dias e meu sangue, pergunto-me: "Até quando? Até quando?".
E ainda vou além e pergunto, em um sentimento de indefinição que paira eternamente nos segundos diários: "O que farei (farão) com minha vida?"

Diante cada fracasso e obstáculo intransponível, fica difícil imaginar a razão existencial em ter o sofrimento como parte constituinte da personalidade hibrida de sorrisos amarelos e melancolia.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

A ideia é ser um pouco pior.



Quero aprender a mentir mais. Ser mais intolerante e seletivo no que tolerar.
Quero ser mais hipócrita e demagógico. Ser complacente e efusivo.
Sorrir um sorriso simpático, amarelo e falso, depois manter a pose e tentar ser parte da matilha ensandecida. Talvez perto do final, todos os erros acabem se tornando certos.
Impressionar-me com a futilidade estabelecida e pedir mais. Jurar hipocrisia e ainda acreditar estar certo. Ser dono da razão por simples implicância. A minha teimosia tem que estar bem afiada.


Não tem porque ter piedade, não tem porque estender a mão. Os gestos são inúteis. A fome não é verdadeira. O choro é de crocodilo. Os que juraram salvar a consciência humana são mesquinhos e inconsequentes. A fé está abalada pela corrupção...porque terei que me esforçar para melhorar? Preciso ser mais como a maioria. Quero roubar daqueles que precisam. Ajudar quem não precisa e cobrar um obrigado. Ser irresponsável, mais do que naturalmente sou. Ser estúpido, um inválido social. Uma negação como os que pregam e que evidentemente não fazem.


Preferir ser o rei do inferno do que mais um anjo no céu? Que céu?!...Só existe purgatório.
Um purgatório que é a entrada de um limbo intermitente, indefinido, um imenso muro em que todos ficam em cima. A ignorância é a herança que nos é dada. Basta abraçá-la e viver como parte de um todo. Ou como ensinam nos livros, “tente ser diferente, haja diferente e sofra por isso”. Tái um aprendizado estranho jogado nas entrelinhas.


Um apogeu que é alarmado como inatingível, e acaba por ser impalpável. Uma mentira sustentada para não se sentir tão mal...mas temos que acordar. Somos tão maus como imaginamos o outro que faz o mal. Somos cúmplices do pior bandido. Somos a escória estabelecida. Somos o que existe, e o que existe é um mar de tristeza e desigualdade, uma apologia as diferenças e individualidades, que paradoxalmente, propões uma vida coletiva sem raciocínios, sem diferenças.