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sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

A herança da casa-grande.

Não costumo colocar artigos no meu blog, mas como esse editorial do Mino Carta traduz em muito o que penso, posto integralmente!


"Não quero que os ricos chorem, dizia o líder do PSD sueco, Olof Palme, quero é que os pobres riam. Palme, social-democrata autêntico, foi primeiro-ministro e crente denodado da igualdade social. Sublinho autêntico para que não seja confundido com nossos social-democratas de fancaria.
Palme, assassinado por um demente, é um herói de outro tempo, quando a religião do deus mercado ainda não vingara, dois impérios dividiam a terra e as esquerdas da Europa Ocidental contribuíam de forma determinante para o progresso dos seus povos. Não existiam oligarquias financeiras para mandar mais que os governos nacionais e anátemas eram lançados contra o chamado “capitalismo selvagem”.
Atenção! Embora pareça, esta cena não é dos dias de hoje
Atenção! Embora pareça, esta cena não é dos dias de hoje
É do conhecimento até do mundo mineral que a crise dos dias de hoje foi deflagrada pela aplicação dos mandamentos neoliberais, que ela não poupa o Brasil e que os remédios aviados até agora pelos governos do ex-Primeiro Mundo mostram-se incapazes de combater a origem do mal. Quando não cuidam, abertamente, de proteger quem provocou o desastre, e mesmo de fortalecer-lhe o poder.
Vivemos o tempo dos super-ricos e dos superpobres. A diferença entre uns e outros tornou-se voragem infinda, abismo sem fundo. O Brasil também conta com seus super-ricos, arrolados nas listas anualmente propostas ao espanto global. Esta privilegiadíssima tigrada dispõe de fortunas calculáveis em bilhões e não é fácil entender como se deu esta frenética, desenfreada multiplicação de dinheiro, enquanto bilhões de seres humanos morrem de fome.
Sem pretender parafrasear Olof Palme, eu diria que os super-ricos me incomodam muito menos do que os aspirantes a super-ricos. Medram no Brasil, em diversos patamares da escada social, burgueses e burguesotes de diversos calibres. Classes A e B1, digamos, sem excluir de pronto os anseios recônditos de inúmeros remediados. Pergunto: que ricões, ricos, riquinhos e sonhadores de riqueza são estes?
Algo é certo: não se trata dos burgueses que fizeram a Revolução Industrial e a Revolução Francesa. Do meu modesto ponto de vista, anoto que classe média tem um significado no Brasil e outro em diversos cantos do globo. Claro, existem parâmetros econômicos para medições precisas, embora pareça dilatada demais a separação entre limites mínimo e máximo fixados no Brasil para figurar na categoria.
Coube à burguesia acabar com as monarquias por direito divino e selar de certa forma, e de vez, o fim da antiguidade medieval. A classe média europeia é uma larga maioria que incorporou e alargou os horizontes burgueses, em termos de cultura no sentido mais amplo. Nada disso se aplica ao Brasil, onde a casa-grande e a senzala, ou se quiserem, os sobrados e os mocambos, continuam de pé, ao sabor de uma aparente contemporaneidade que não lhes abranda os efeitos.
A ostentação do luxo é típica de uma herança resistente na ausência de saber e verdadeiro refinamento, dramaticamente compensados por atitudes toscas e mesmo vulgares. Há exceções, mas não passam disto. Não é por acaso que o Brasil conta com um exército de mais de 7 milhões de empregados domésticos. Recorde mundial estabelecido quando há décadas este gênero de serviçal é cada vez mais raro nos países democraticamente evoluídos. E nem se fale de manobristas, passeadores de cachorros, babás. E assim por diante.
E que dizer da segurança privada, dos soturnos senhores de terno escuro e gravata, escalados para a proteção de patrões em trajes esporte fino, eventualmente de bermudas? Há, mundo afora, senhores graúdos que não dispensam guarda-costas, capangas, jagunços. Não é simples distinguir, porém, quem manda de quem obedece, e este não se perfila à porta de prédios e mansões, de lojas de comércio retumbante ou de restaurantes hoje habilitados a figurar entre os mais caros do planeta.
Sim, o país do futuro é estranhamente obsoleto e continua a pagar caro por três séculos e meio de escravidão."


http://www.cartacapital.com.br/sociedade/a-heranca-da-casa-grande/#.UPmYMMiK2nI.blogger

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Os Níveis Tróficos da Sociedade Antropofagica

 

Muitos já falaram o que vou apenas reafirmar. Essa desigualdade existe a milênios e perdura sob controles emocionais e intelectuais que interagem modificando os níveis tróficos sociais.
A cadeia alimentar antropofágica humana se mantém em três níveis principais:

(1-) Aqueles que se fodem quase nada; São cerca de 1% da população global ou menos, nascem com o cu virado para a lua; são mais decompositores do que predadores. É a elite da elite, e fazem com que o universo gire em torno de sua órbita. A mídia e a organização política (esquerda, direita, centro e meia-lua pra baixo) servem-a, tendo inclusive membros participantes dessa "polis". Tudo é construído para que seja feita vossa vontade. Comerciais em revistas e em TV, são direcionando os seus lucros, que são maximizados por leis que farão seus sorrisos se esticarem. São naturalmente sangues-azuis, seletivos na ascensão de novos membros e perpetuamente conservadores.

(2-) Aqueles que se fodem marromenos. A classe média é média. Intelectualidade mediana, status Quo mediano e pretensões megalomaníacas. Os sonhos são sustentados de que um dia será a "Elite da elite", e esnobarão todos os outros membros da classe média. Existe uma transição no momento, aumentando esse número e modificando sua qualidade. Costumes, ideologias e crenças, os mantém controlados em seus sonhos de aspirar a riqueza. São medianos até no sonhar. Apesar de possuírem conhecimento e técnica, travas ideológicas os mantém em seu nível trófico...rosnando baixo!

(3-) Aqueles que se fodem demais. A última classe é a mais numerosa, e é na verdade o rebanho para ser: abatido, controlado, persuadido! São controlados e detêm nome de raça (pedigree quem tem é a classe média), são conhecidos como proletariado, do sufixo "prole", daquele tipo de animal que só se reproduz para sustentar os luxos da rainha do coletivo. São limitados desde o crescimento, são números em estatística, ora são vilões, ora são mocinhos. Vivem na margem da sociedade, mesmo eles sendo a maioria da mesma. São pasto dos decompositores, e o motivo de repulsa da classe média.

O marromenos certo seria uma equidade de controle entre classe média e classe elitista, com uma ascensão do "gado" para a classe seguinte. Diferenças sempre vão existir e é nessa base que se cria a sociedade com seus preconceitos e estereótipos. Deve-se quebrar a pirâmide e começar a trabalhar com trapézios sociais. Enquanto a "se foder", é uma qualidade inerente a espécie semi-sapiente humana.

Nasceu?! Então prepare para se foder em sua existência. O que vai regular o nível de fodelância na vida será o tipo de berço que te aguarda quando for abortado nesse mundo. Uns nascem em berços feitos de madeira nobre, outros em manjedoura e outros em carrinho de bebê reciclado do lixão.