“Painkiller", analgésico em inglês. Matar a dor, Nada mais filosófico do que assassinar sua dor, Mata-la antes que ela te maltrate ou até mate, Por impulso, por tristeza ou até com um infarte,
Entenda, terei que rimar amor com dor, Pois, mora na filosofia esse dissabor, É preciso exterminar a dor que lhe corrói, Seja com álcool, drogas, ou algo que lhe destrói, Ache algo que ame e deixe que o mate, Pouco a pouco, dia a dia, a espera da morte,
Falam tanto do amor. O amor acaba diluído. Amores vorazes, Escorrendo pelas mãos, vivendo ciclos de paixões fugazes, E quando falhar o amor nesses relacionamentos líquidos? Como a oxitocina excitara para lidar com sentimentos insípidos? Libera outro hormônio, pois o que dá tesão está em falta, Neurotransmissor, recapta a serotonina, deixe a alegria “alta”, Dopamina, endorfina, não deixe a dor te dominar, Qualquer sedativo, que “mate a dor”, e faça sua mente anestesiar.
Foi aquela explosão que mudou nossas vidas. Fragmentos de tristezas impregnados com resíduos de amargura. O estampido, barulho abafado pela fronte. Joga as ideias na parede, transforma vidas em desespero; triste figura.
Aquela explosão que mudou nossas vidas. Estilhaçou a imagem que tínhamos de nós mesmos. Jogou-nos em chão tão quente quanto o projétil assassino. O cheiro de sangue é para trazer as recordações e os fantasmas na porta do quarto visualizam a mudança do destino. Maldita explosão que mudou a rota conhecida, nos fez parar para sentir a vulnerabilidade e o ódio parece viver junto com a lembrança. A noção de incapacidade é que nos faz temer tanto. Os sonhos futuros já não são os mesmos, já não existe mais aquela esperança. Tudo por causa da explosão que mudou as sensações que temos. A micro-explosão dentro desse tambor, fez girar a tristeza em nossos corações. E imaginar que esteve tão perto, mas mesmo esticando ao máximo seu braço, não mudaria seu intento e nunca alcançaria suas reais sensações. A impotência em estar presente se denota no balbuciar das palavras repetidas vezes. O sentimento da incapacidade. Tudo pela pólvora. Tudo pela explosão. O grito de desespero não é mais ouvido, só resta agora não lembrar, porque será sempre "cedo demais". A explosão acarretou na perda de sua identidade. A explosão que mudou os fatos. A tristeza se alastra com uma empatia ímpar e as novidades vão demorar a ser interessantes. O silêncio incomodará mais que o normal, e a lembrança dos melhores momentos são o que ficam para castigar ainda mais esse coração com seus batimentos incessantes.
Pode a libido enfrentar a tristeza? O impulso quase irracional que abala a noção existencial em que cerca o ser? Como pode esquecer-se de todas as dificuldades e intempéries em que vive?
O equilíbrio vivido é tênue, e se modifica por simples transmissores. Captar todas as modificações, reações e mudanças ao redor. Há um uivo por dentro dessa pele. O mundo se modifica com seus sabores e modos. A funcionalidade de tudo ao que sentia era abstrata e incomodava para reacender como uma fênix.
Levanta de forma sublime dessa tumba inerte. Por causa de impulsos. Reações contrárias a sua própria existência criadas pelo seu próprio ego.
Novas formas se constroem ao seu redor, novas possibilidades. Parece outro mundo, outra dimensão. Mas não é.
É o mesmo lugar que antes era o suplício. E são situações imediatamente opostas. Por livres impulsos. Pequenas captações da vida em forma de eletricidade e o que era cinza se torna mais claro.
Mas será apenas uma fase, ou ainda uma forma de enganar-se, ludibriando-se nessa libido? Na forma em que existe, e na forma como se criou, é a esfera em que vive e respira. É a forma que sempre desejou ser, quase irracional. (E extremamente racional)
Cabe mais do mundo em seu ser, ou esquece-se de tudo que viveu pelos ares que respira atualmente? Novas rotas são traçadas e os planos mudaram, mas as metas continuam as mesmas. As metas que sejam até o fim as mesmas.
Esse sentimento de euforia, que as vezes parece descabido, toma força e se cria como se tivesse vida própria. Estranha força, vida estranha.