Esse espaço é onde exponho meus devaneios mundanos...Enquanto ser existente, sou pretensiosamente reflexivo.
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domingo, 17 de outubro de 2010
Egro. Passado Negro.
Não se confunda, não finja.
O império que seus avós levantaram foram em cima dessas costas negras.
Ouve o estalar do chicote. A carne, se abrindo em feridas.
Não se importe não se corrija.
Os seus olhos verdes não me enganam, pois seu passado é negro.
A discriminação disfarçada não mais ilude.
Libera essa máscara e a verdade. Mostre toda a sua virtude.
Demonstre sua rejeição e medo. Medo negro. Passado Egro.
As mãos que colheram o fruto que alimentou o passado foram por mão negras.
Mundo polarizado. Preto e branco. O mal sempre negro e o bem sempre branco.
A mão que erguia o chicote era branca. As dores a serem sentidas eram negras.
A mão que trabalhava para a riqueza era negra. O luxo que se erguia era branco.
Os seus olhos verdes não me enganam, pois seu passado é negro.
Não se iluda que nada o inflija.
A riqueza que surgia para todos, foi só para alguns.
A terra que nutria nossas mães tinha trato negro.
Nada mais importa não se corrija.
Passado egro. A memória se apaga, mas o tempo nunca se esquece.
Força motriz do começo até o fim. De muitos para alguns.
A força que moldava a vida dessa gente era do homem íntegro.
Passado egro. A memória se esquece e todo a história, perece a sua mercê.
Os seus olhos verdes não me enganam, pois seu passado é negro.
Seu cabelo claro não esconde as raízes negras.
Do tempo que a liberdade, igualdade e fraternidade, não liberaram as senzalas.
Muita coisa mudou, mas a desconfiança ainda é um sentimento “negro”.
Os ventos guardaram as dores de outrora.
Passado Negro, jazz muito negro.
Procure nessa árvore genealógica, procure suas raízes de fora.
Jogue suas mascaras e conceitos no chão.
Pense no sul como o norte. E no certo como não tão certo.
Procure em qualquer árvore suas raízes. E tenha certeza do não.
Vejo nos seus olhos verdes, que refletem seu futuro incerto.
Pense naquelas costas negras que ergueram todo esse império, lembre-se de pagar com juros de mora.
Os nossos olhos verdes não nos enganam, pois o passado é egro.
Os ventos guardaram as dores de outrora.
Passado Egro, jaz muito negro.
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