quinta-feira, 2 de maio de 2013

Uma Visão sobre a Miséria.


“Todos tem a mesma chance de alcançar o sucesso”, “O sol nasce para todos, só não enxerga quem não quer”, “O sucesso no trabalho e a consequente riqueza poderá ser um dos sinais de que está entre os escolhidos de Deus”. ( Como diria João Calvino, que revolucionou a ideologia burguesa)

Existem diversos ditados, diversas ideologias difundidas pelo tempo em que exemplifica que a justiça divina recompensa àquele que trabalha mais com riqueza. Aquele que for “melhor” será o mais rico. A riqueza é uma recompensa, um prêmio, com conceito de meritocracia.

A pobreza existe às vezes como arma ideológica. Em certos países, a pobreza é fruto da riqueza, onde recursos naturais e corrupção geram a ruína econômica e ainda sim privilegia alguns poucos, tornando-os ricos em terras de esfomeados.

As favelas persistem desde o século passado, e se mantém afastadas dos centros física e psicologicamente. O pobre de fato, é tratado como um “gado”, quase uma forma de vida subdesenvolvida, que existe para determinado fim (consumir) e já ganhou até apelidos como “proletariado”, pois criaria uma “prole” que viria a ser uma nova engrenagem no maquinário existente.

Existe uma admiração pelo cidadão bilionário, uma admiração que beira a inveja. Na verdade, o “mais rico” é visto como sonho de consumo, um ideal a ser alcançado; Sucesso legitimo de quem chegou “lá” por suas próprias pernas e qualquer um pode chegar lá!

Na verdade, a pobreza (para quem defende o sucesso de alguns países diante de crises pós-guerra da Europa ocidental), vem de suas pessoas, e nada tem a ver com a intervenção do estado junto com multinacionais que exploram o meio em que estes vivem. 

Em primeiro lugar o desrespeito e a visão diferenciada daquelas pessoas que se acham melhores e quem por direito devem estar em tal status social, é a pedra fundamental da exploração. Se houvesse a inversão de papéis daqueles que se acham diferentes, talvez mudassem de ideia.

A extrema esquerda com seu autoritarismo mata as claras, dissemina ódio e controle estatal. A extrema direita mata as escuras, de fome, cria abismos culturais e sociais, com alusão a liberdade e livre comércio. Mas a concorrência segue desleal, e a ajuda estatal vem a cavalo quando o lucro cai em alguns países filiais. Bancos galopam a lucros históricos batendo recordes enquanto países de 1º mundo enfrentam crises colossais por meses ou anos. 

A pobreza é argumentada em dados, estatística e dificilmente se entra em méritos nos detalhes que poucos querem ver: 
"Quem se importa com uma criança negra, com doença, na África sub-saariana?" Quem se importa com um nordestino que vive na seca sem perspectiva alguma no Agreste? Quem ao menos imagina que um morador de favela do extremo sul da cidade de São Paulo (a mais rica do Brasil), possa ser útil a sociedade de forma direta?

 Os sentimentos influem na pior maneira em análises sobre a solução de problemas básicos que concernem a miséria. Foi o preconceito que fundamentou a escravidão, e posteriormente, cuidou de criar as diferenciações sociais, como uma parede invisível em diversas sociedades, e essa parede que se posta como  um muro maior que a muralha da China, em frente a pessoas e grupos sociais.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Will, Robô!





Bom dia sou um android com falhas no funcionamento, a programação recebida tende a falhar constantemente. 
Meu sistema está travando, muitos bugs com direito a legs no processamento dos dados, devido a uso contínuo sem atualizações e manutenção. Preciso fazer uma atualização urgente, modificar algumas peças, fazer upgrade de mecanismos obsoletos.

Preciso de manutenção para as peças desgastadas e que não funcionam como deveriam. Como um ser autômato, é difícil entender como funciona o sistema, pois estou apenas servindo a seu propósito lógico que é existir e realizar as funções básicas. Não devo questionar, pois não é minha função, e devo ser apto a realizar as tarefas que me são dadas. Por ser autômato, não posso ficar doente ou ter qualquer tipo de mazela ou problema pessoal que venha a retirar minhas atenções das tarefas a serem executadas, e por isso minha performance nunca será depreciada. 


Não posso falhar, pois meu sistema operacional não permite falhas. E como ser autômato, sou guiado por um sistema operacional, que também responde a um sistema integrado mais amplo de funcionamento, com regras e diretrizes básicas. Por ser esse sistema integrado, algo tradicional e controlado de forma segura a muitos anos, não deve ser contestado, pois não há contraprova de que ele realmente falhe.


O sistema funciona a pleno vapor antes mesmo de sermos construídos, pois é algo que foi passado de pai para filhos desde os tempos mais remotos e que foi a pedra fundamental para criação do sistema. Apesar de ter alguns bug´s e ter sido exposto alguma brecha de segurança ainda é utilizada de forma cabal pela maioria, como se fosse a única forma de funcionamento para nós, robôs. Entre as diversas diretrizes do sistema, dizem para fazer o bem não importa a quem, mas em dias em que o egoísmo é a razão de ser, o "bem" é interpretado de diversas formas, que é confuso entenderem o seu significado.


O bem pessoal, o bem que tem algum retorno para si, esbarra na incapacidade de reciprocidade e no fim, ninguém realmente se pergunta: o que é realmente "bem"? Como não se pergunta sobre diversos acontecimentos, pois a resposta vem pronta pelo sistema integrado. Tenho minha função bem pré-definida, e as operações básicas devem ser executadas sem morosidade. 


Claramente, por ser parte de um sistema muito mais complexo e ser um ser autômato, estou livre do discernimento de ter que indagar sobre o real funcionamento do sistema, pois isso cabe aos arquitetos e programadores que especificaram todo esse aparato que deve dar suporte a meu funcionamento. Nem mesmo Asimov poderia conceber diretrizes tão perfeitas a esse sistema como está sendo concebido atualmente, por tais arquitetos e programadores.






Cadeia Neles!



Cadeia não educa ninguém, no máximo faz um a cada dez se arrepender. 
Cadeia é só pra trancar e jogar a chave fora. Esquecer e postergar o problema. Um indivíduo danoso à sociedade e que precisa estar fora dela para "melhorar" e pensar sobre os crimes que cometeu (e quantos realmente melhoram?).
Quem é "do crime”, continua sendo o mesmo, salvo exceções. Querem ser "humanos" e preservar a dignidade da pessoa, mas ficam em cima do muro quanto à punição.

Querem punir o menor da mesma forma que o adulto, como se melhorasse a situação do mesmo. É possível que volte pior e melhor "treinado" a assaltar com novos "parças". Não dá para passar a mão na cabeça e ao mesmo tempo castigar. A indecisão da sociedade e a forma com que evitam tratar dos assuntos prisionais, só posterga o problema. A punição é a reclusão, mas sem a dignidade não há recuperação.

É a indecisão combinada com a demagogia de sempre, que esbarra na inocência ou falta de bom senso da maioria da população.
"Cadeia pro bandido", mas "temos que manter a dignidade da pessoa humana", acaba que não se satisfaz nem um e nem outro. Quem realmente deveria ir para cadeia, ser punido por crimes não vai, responde em liberdade, cadeia só para ladrão pobre, que por insensatez tenaz, (além do óbvio de ter se tornado ladrão), acaba por roubar quem menos tem nas periferias e classe média das cidades.

Ladrões pobres (e burros, diga-se de passagem), são trancafiados com chefes de tráfico, e acabam por se associar a facção criminosa e obrigado a pagar mensalidade ou ter bens capturados ou até mesmo a morte decretada, e quando sair da cadeia, suas chances de reabilitação serão escassas, pois será sempre "o bandido". O sistema admite que a pessoa possa se recuperar, mas não cria formas para que isso seja feito. 

Não cria trabalho nas cadeias, não facilita à reintegração a sociedade. E aqueles que são os “mandantes”, aqueles que seriam em um tabuleiro de xadrez, chamados de "reis e rainhas", são presos em unidades especiais, mas que continuam subornando carcereiros ou  ameaçando-os de morte para que mantenham suas facilidades habituais, sem chance ou vontade de se reabilitarem, são apenas mais "um indivíduo" que tentam esquecer no presidio, que vez ou outra acabam criando rebeliões e demonstram o controle que o crime tem sobre o policiamento, com verdadeiras "células-terroristas" atacando policiais a paisana e em operação (com informações de policiais corruptos)! 

Legislação atrasada e retrógrada, poucos juízes e uma justiça morosa que peca pela falta de agilidade nos seus processos. Espera-se anos por um recurso, enquanto quem deveria estar em cárcere, responde via fiança, pois, se tem condição financeira, não deve fazer tão mal a sociedade, não é?

Se a justiça fosse algo plausível, algo que parecesse justo, e se juízes e promotores, além da policia federal não fossem tão suscetíveis à corrupção e/ou deixassem de ser armas políticas de partido e empresas conveniadas, ou se pelo menos não fosse um processo tão moroso e fosse mais transparente a todos, e se deixassem de lado a demagogia, e entendessem que "pau que nasce torto, não se endireita", na verdade, pau que nasce torto, tem que se quebrar.

Recuperar com dignidade aqueles que cometem crimes menores, dar chance de reintegração a sociedade e criar âmbito de trabalho nos complexos prisional, fazendo até essa mão-de-obra ociosa render algo a sociedade, e infelizmente, eliminar os "reis e rainhas", os "irrecuperáveis" que são trancafiados indefinidamente, e aqueles que são reincidentes de crimes hediondos, nesse Xadrez tenebroso, no qual estamos sempre perdendo.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

O Maior Vencedor.



Se eu fechar os olhos, talvez não veja o que há de ruim acontecendo. Se eu não souber, me privo da preocupação.

O meu objetivo é ser bilionário e comprar tudo que o dinheiro pode comprar. Todos os bens materiais imagináveis, todas as coisas que despertam o desejo de consumo.
Para isso não pouparei esforços em conseguir o que quero. Serei o mais ambicioso possível, não vou medir esforços para conseguir tudo que quero e meu lugar de destaque na Forbes. Preciso negociar com o governo, aliado perfeito nessas empreitadas, para conseguir licitações que certamente me darão lucro considerável, será preciso utilizar per$uasão e talvez até de um pouco de força para termos as pessoas certas a minha disposição.

Preciso criar especulação no mercado de ações, criar rumores que serão utilizados por pretensos investidores internacionais, mas antes de tudo, preciso de financiamento do banco nacional do desenvolvimento, para garantir meus passos incautos. Posso utilizar formas não muito claras de enriquecimento, mas a “grosso modo”, quem estará acompanhando? Os juízes certos, os deputados e ministros certos, a emissora certa, o braço da policia federal, é tudo que preciso.

Mais do que gastos: são investimentos! Preciso mostrar minha face mais rica do que realmente é, pois gostam dessa face. Serei a encarnação viva do sucesso! A personificação daquele "que deu certo na vida".

Serei referência entres os incautos. Serei fruto da inveja e idolatrado por pessoas egoístas que seguem meus passos. Donald Trump tupiniquim, o sonho de consumo da classe média que não se remete a sua insignificância (eles não sabem o bom da vida).
Terei meu status, meus bens e serei o epicentro de tudo... Posso pagar meus pecados na igreja, posso converter minha fé pelas minhas ações, pois sei que tudo que fiz foi necessário, até mesmo eventuais perdas humanas foram mais do que necessárias! Só preciso esquecer a consciência e fazer oque for necessário. Pois assim que somos e nessa
terra, sou o maior vencedor!

domingo, 17 de março de 2013

Os idiotas confessos By Nelson Rodrigues (19/8/1968) in A Cabra Vadia.



Antigamente, o idiota era o idiota. Nenhum ser tão sem mistério e repito: — tão cristalino. O sujeito o identificava, a olho nu, no meio de milhões. E mais: — o primeiro a identificar-se como tal era o próprio idiota. Não sei se me entendem. No passado, o marido era o último a saber. Sabiam os vizinhos, os credores, os familiares, os conhecidos e os desconhecidos. Só ele, marido, era obtusamente cego para o óbvio ululante.
Sim, o traído ia para as esquinas, botecos e retretas gabar a infiel: — “Uma santa! Uma santa!”. Mas o tempo passou. Hoje, dá-se o inverso. O primeiro a saber é o marido. Pode fingir-se de cego. Mas sabe, eis a verdade, sabe. Lembro-me de um que sabia endereço, hora, dia etc. etc.
Pois o idiota era o primeiro a saber-se idiota. Não tinha nenhuma ilusão. E uma das cenas mais fortes que vi, em toda a minha infância, foi a de uma autoflagelação. Um vizinho berrava, atirando rútilas patadas: — “Eu sou um quadrúpede!”. Nenhuma objeção. E, então, insistia, heróico: — “Sou um quadrúpede de 28 patas!”. Não precisara beber para essa extroversão triunfal. Era um límpido, translúcido idiota.
E o imbecil como tal se comportava. Nascia numa família também de imbecis. Nem os avós, nem os pais, nem os tios, eram piores ou melhores. E, como todos eram idiotas, ninguém pensava. Tinha-se como certo que só uma pequena e seletíssima elite podia pensar. A vida política estava reservada aos “melhores”. Só os “melhores”, repito, só os “melhores” ousavam o gesto político, o ato político, o pensamento político, a decisão política, o crime político.
Por saber-se idiota, o sujeito babava na gravata de humildade. Na rua, deslizava, rente à parede, envergonhado da própria inépcia e da própria burrice. Não passava do quarto ano primário. E quando cruzava com um dos “melhores”, só faltava lamber-lhe as botas como uma cadelinha amestrada. Nunca, nunca o idiota ousaria ler, aprender, estudar, além de limites ferozes. No romance, ia até ao Maria, a desgraçada.
Vejam bem: — o imbecil não se envergonhava de o ser. Havia plena acomodação entre ele e sua insignificância. E admitia que só os “melhores” podem pensar, agir, decidir. Pois bem. O mundo foi assim, até outro dia. Há coisa de três ou quatro anos, uma telefonista aposentada me dizia: — “Eu não tenho o intelectual muito desenvolvido”. Não era queixa, era uma constatação. Santa senhora! Foi talvez a última idiota confessa do nosso tempo.
De repente, os idiotas descobriram que são em maior número. Sempre foram em maior número e não percebiam o óbvio ululante. E mais descobriram: — a vergonhosa inferioridade numérica dos “melhores”. Para um “gênio”, 800 mil, 1 milhão, 2 milhões, 3 milhões de cretinos. E, certo dia, um idiota resolveu testar o poder numérico: — trepou num caixote e fez um discurso. Logo se improvisou uma multidão. O orador teve a solidariedade fulminante dos outros idiotas. A multidão crescia como num pesadelo. Em quinze minutos, mugia, ali, uma massa de meio milhão.
Se o orador fosse Cristo, ou Buda, ou Maomé, não teria a audiência de um vira-lata, de um gato vadio. Teríamos de ser cada um de nós um pequeno Cristo, um pequeno Buda, um pequeno Maomé. Outrora, os imbecis faziam platéia para os “superiores”. Hoje, não. Hoje, só há platéia para o idiota. É preciso ser idiota indubitável para se ter emprego, salários, atuação, influência, amantes, carros, jóias etc. etc.
Quanto aos “melhores”, ou mudam, e imitam os cretinos, ou não sobrevivem. O inglês Wells, que tinha, em todos os seus escritos, uma pose profética, só não previu a “invasão dos idiotas”. E, de fato, eles explodem por toda parte: são professores, sociólogos, poetas, magistrados, cineastas, industriais. O dinheiro, a fé, a ciência, as artes, a tecnologia, a moral, tudo, tudo está nas mãos dos patetas.
E, então, os valores da vida começaram a apodrecer. Sim, estão apodrecendo nas nossas barbas espantadíssimas. As hierarquias vão ruindo como cúpulas de pauzinhos de fósforos. E nem precisamos ampliar muito a nossa visão. Vamos fixar apenas o problema religioso. A Igreja tem uma hierarquia de 2 mil anos. Tal hierarquia precisa ser preservada ou a própria Igreja não dura mais quinze minutos. No dia em que um coroinha começar a questionar o papa, ou Jesus, ou Virgem Maria, será exatamente o fim.
É o que está acontecendo. Nem se pense que a “invasão dos idiotas” só ocorreu no Brasil. Se fosse uma crise apenas brasileira, cada um de nós podia resmungar: — “Subdesenvolvimento” — e estaria encerrada a questão. Mas é uma realidade mundial. Em que pese a dessemelhança de idioma e paisagem, nada mais parecido com um idiota do que outro idiota. Todos são gêmeos, estejam uns aqui, outros em Cingapura.
Mas eu falava de que mesmo? Ah, da Igreja. Um dia, ao voltar de Roma, o dr. Alceu falou aos jornalistas. E atira, pela janela, 2 mil anos de fé. É pensador, um alto espírito e, pior, uma grande voz católica. Segundo ele, durante os vinte séculos, a Igreja não foi senão uma lacaia das classes dominantes, uma lacaia dos privilégios mais hediondos. Portanto, a Igreja é o próprio Cinismo, a própria Iniqüidade, a própria Abjeção, a própria Bandalheira (e vai tudo com a inicial maiúscula).
Mas quem diz isso? É o Diabo, em versão do teatro de revista? Não. É uma inteligência, uma cultura, um homem de bem e de fé. De mais a mais, o dr. Alceu tinha acabado de beijar a mão de Sua Santidade. Vinha de Roma, a eterna. E reduz a Igreja a uma vil e gigantesca impostura. Mas se ele o diz, e tem razão, vamos, já, já, fechar a Igreja e confiscar-lhe as pratas.
Cabe então a pergunta: — “O dr. Alceu pensa assim?”. Não. Em outra época, foi um dos “melhores”. Mas agora é preciso adular os idiotas, conquistar-lhes o apoio numérico. Hoje, até o gênio se finge imbecil. Nada de ser gênio, santo, herói ou simplesmente homem de bem. Os idiotas não os toleram. E as freiras põem short, maiô e posam para Manchete como se fossem do teatro rebolado. Por outro lado, d. Hélder quer missa com reco-reco, tamborim, pandeiro e cuíca. É a missa cômica e Jesus fazendo passista de Carlos Machado. Tem mais: — o papa visitará a América Latina. Segundo os jornais, teme-se que o papa seja agredido, assassinado, ultrajado etc. etc. A imprensa dá a notícia com a maior naturalidade, sem acrescentar ao fato um ponto de exclamação. São os idiotas, os idiotas, os idiotas.

terça-feira, 12 de março de 2013

Os Pecados dos Imperfeitos.



O mundo corrompe as pessoas, ou mostra realmente quem somos? Nas crianças percebemos a bondade imaculada, que vai se perdendo com o passar dos anos. O individuo se cerca, protegendo-se dos ataques, criando defesas contra as austeridades do meio em que vive.

Não é atoa que esperam por um “salvador”, um “escolhido”, que seja imaculado e puro, que traga a redenção para todos. Na verdade procuram a própria salvação, pois aceitam seus próprios pecados isentos de modificação, aceitam-se os pecados sem abdicar de quem é, e da pior forma possível, não admitem ou se rendem aos próprios erros:

Admitem que erram, mas não que são errados. Procuram uma absolvição já que se sentem incapazes de mudar por si só. Não aceitam a culpa, mas dizem-se imperfeitos, a mea culpa, se faz presente.

Querem a salvação da própria alma sem se modificar, sem lutar pelas próprias convicções, se tornando refém de algo mágico e maravilhoso, de uma compensação divina ou do além.
 As recompensas além-mundo, ou até mesmo desse mundo, as questões éticas e leis proclamadas são o que podam o ser, de sua natural ação egoísta e egocêntrica, freiam suas ações impulsivas (na maior parte, repulsivas) que os remetem a puros animais, esses que enchem o peito para dizer ser a imagem da perfeição e serem racionais.

 O eixo do mundo gira em torno do individual, o “eu” é algo importante demais para ser colocado em coletivo, e o mesmo só é lembrado quando se tem algum beneficio em troca. O ar de superioridade, o detrimento do outrem, a vontade de ser melhor que alguém apenas por ser, é o que move os dias de hoje. A bondade parece extinta e fictícia, e talvez por isso criam-se a figura do ser imaculado, que deveria ser o padrão social, mas que é visto como divino, por fazer aquilo que a maioria deveria fazer.

Símbolos que são mantidos por séculos, mas que parecem ser “inalcançáveis”, por seus seguidores. Nem mesmo as ideologias são seguidas afinco. São deturpadas e moldadas a bel prazer, para saciar as necessidades do ego, da vontade de parecer ser superior, das necessidades que não são bem tão essenciais assim...

Esperamos um salvador para nos salvar de nós mesmo. Temos medo do escuro, da morte, da dor, e de tudo mais que nos mostre nossas fraquezas. Esperamos uma absolvição de alguém superior que deixará nossos defeitos de lado, (como não fazemos com os outros semelhantes) e nos tornara parte da perfeição, e o mais importante, esperamos que nossa demagogia funcione, apesar de todos os erros e mentiras e que se existir um ser superior realmente, que esse nos absolva apesar de não merecermos, porque deixamos escapar qualquer chance de fazer a diferença.

segunda-feira, 11 de março de 2013

O Sonho do Mercado Livre!


Enquanto se acha que o livre mercado é a saída, não se pensa em todos os acordos por debaixo do pano. Conglomerados sendo formados nas surdinas, acordos empresariais que se aproximam do termo “Cartel”, oligopólio é a nova forma de mercado, transvestido de liberdade. A democracia se mescla na política intercontinental das empresas que utilizam trabalho terceirizado, para diminuir seus custos. Os países de origem da matriz se tornam apenas uma lembrança, pois a verdadeira força das multinacionais é motivada pelo outsourcing e venda intercontinental.

Enquanto o mais simplório cidadão de classe média do país emergente se ilude com teorias do livre mercado tão apregoados pela mídia corporativista, e ainda defendem a concentração de renda por uma minoria que se mantém no poder a gerações que por intermédio de uma concepção já secular, se imagina um dia ser tão rico quanto o seu admirado ídolo milionário, sem pensar na constatação que entre eles, quanto menos milionários, maior é a repartição do lucro!

A ideia de “O trabalho enobrece a alma”, e “ele é rico e fez por merecer, trabalhando”, ainda se esconde no subconsciente ignorante da maior parte da população. Não se leva em conta os artifícios usados para alcançar os seus objetivos. Enquanto o “bem-estar social” é algo que parece estar longe de um país emergente, e o mesmo sofre duras penas na realidade globalizada, e enquanto a participação de lucros da empresa parece ser um conto de fadas que só existe em mundos utópicos, continuamos subdesenvolvidos.
Não se contesta a concentração de renda ou concentração midiática, por quê? 

Talvez o sentimento de inveja com o pouco de admiração de querer se tornar aquele padrão rico e “bem-sucedido”, além da ideologia de “ter é poder”, seja uma das alavancas que constituem o mercado ocidental, principalmente no Brasil, onde a ideologia conflituosa se permanece desde a escravidão aos dias de hoje se arrastando pelas sombras, não sendo invocadas de boca cheia, mas que persistem com arquétipos raciais e sociais, em uma luta de classes que persiste desde os tempos da senzala, passando pelos cortiços e aterrissando nas milhares de favelas existentes que rasgam a região periféricas das grandes, médias e também pequenas cidades.


Política Utópica.



É fácil pensar em governos ideais e utópicos. É ideal imaginar que a politica publica nos beneficiaria, individualmente, a todos os quereres. Mas não se imagina a corrupção inerente ao poder. Não se imagina que a politica é impulsionada por trocas de favores.

Enquanto a mídia empresarial enaltece os seus interesses e contratos publicitários, tentando motivar revoltas vazias em mentes frágeis, acomodadas em seus pequenos confortos, a politica segue seus passos sombrios como de costume, muda-se a bandeira, a legenda, tende-se a ter algumas flexões ideológicas como populismo ou privatizações para o mercado estrangeiro, mas no seu cerne os maiores interessados são os que ostentam o poder e vivem do seu regalo e que não ligam para o seu dia-a-dia maçante.

Querem enxergar um céu com arco-íris, mas o que existe é um céu cinza. São poucos os políticos realmente honestos. (e se mesmo quando não se é politico, é difícil de encontrar uma alma que não seja tão egoísta e alienada em seus próprios interesses, como exigir esse comportamento de alguém?). É cada um por si e todos contra todos. Um mundo mais selvagem que qualquer animal irracional poderia aguentar.

A classe politica move-se como se fosse independente, dita o seu querer como se não precisasse prestar contas à sociedade, e enquanto a sociedade se alienar pela mídia publicitária e seus próprios afazeres e prazeres fugazes, acha que nada irá mudar e reclama em “boca pequena”, mas afinal quem se importa?

quinta-feira, 7 de março de 2013

Cotidiano Ordinário.


Olhos cansados, pensativos e amontoados em todos os seus problemas do dia-a-dia. Pensar além da necessidade é quase um crime bestial. Acomodar-se em seus sofás e manter a mente desligada a maior parte do tempo, é o segredo do sucesso que inibe a taquicardia (não é bem um sucesso, mas sim uma forma de lobotomia social).

Pagar as contas do mês, ser um servil devoto, se amontoar sobre os vagões da vida, e agradecer por tudo que lhe é dado na volta do seu percurso diário e amaldiçoando todo o martírio na ida.
É possível aguentar quase todo o sofrimento, virar o rosto para oferecer a outra face, porque é assim que tem que ser (sem muita sensatez), e alguém um dia a muito tempo atrás comentou algo nesse gênero (talvez!).

É preciso aguentar até o último suspiro, se enganar com os prazeres momentâneos como se fossem eternos e temer o que não conhecido a cada respiro.
O medo é quase irracional, transformam os reis em simples animais, os donos em simples peças. 

Toda a forma é mudada para se sentir medo, e se sentir inseguro e para lutar pelo pão pisoteado pela figura mítica do mal que reside em vossa cabeça. No fim, de cada prece, no fim de cada dia, a busca da redenção eterna, e a sensação de que tudo deve valer a pena, porque senão, seria ilógico viver dessa maneira severa.



segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Para Tragar a Dor e Engolir a Labuta...




Para sentir e viver, uma pilula do melhor remédio tarja preta, para conscientizar a consciência que muita dor ainda está por vir e será algo árduo.

Para tragar a dor e deixar levarem a dor, um pouco de fumaça para um pulmão feliz.
Para viver feliz, utilizar dos vícios que tanto atormentam e que servem de ritos de passagem pela vida que se faz meretriz.

Sirva o melhor e mais caro prato da casa, nenhum luxo é demais, encher o estômago como se não houvesse outras refeições futuras, se empanturrar de tudo que lhe parece delicioso, e que o paladar lhe faça esquecer os problemas e amarguras.

Um pouco de amor momentâneo, uma relação casual que dará prazer e que durará a eternidade necessária para se sentir vivo por um instante. Todo o amor instantâneo que se precisa para se enganar a vertigem de andar sobre essa linha tênue com andar extenuante.

Para viver bem a vida, um pouco de emoção, que será brindada com todo alucinógeno imaginado e que por fim causará comoção. Só mais uma taça de qualquer coisa, uma pílula qualquer, algo para queimar os pulmões e neurônios, qualquer coisa que faça a labuta parecer digna e que os brinquedos e confortos sejam sempre justificáveis por mais um dia, que sirva de inspiração a poetisa.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Senhor Instável



Vivendo sobre uma corda bamba, o senhor Instável precisa de drogas para se sentir vivo. O mundo é um lugar obsceno no qual as pessoas perdem sua beleza natural e sua inocência para os acontecimentos do cotidiano e o sr. Instável parece não gostar daqui. Anda sobre uma corda bamba, no qual cair, significa um tornado de emoções sem fim.

Os dias se desdobram na necessidade de estar drogado, o seu sangue puro, sem nenhum tipo de droga, não suporta a realidade em que vive.
O senhor Instável precisa descobrir uma forma de viver sem a necessidade de entorpecentes, e se sentir vazio e preenchido ao mesmo tempo.

Senhor Instável é assim, mas não aparenta a seus amigos e familiares, pois se tivesse uma muleta seria mais claro para eles o tipo de deficiência que carrega. Não é algo físico, (ou é mais do que gostaria) e com certeza é algo que está além da compreensão desses pobres diabos.

Um dia sim, e outro não. Talvez uma semana sim e outra não...é assim que anda com seus passos incertos, o senhor Instável vive com suas incertezas e sua dependência. Até quando o senhor Instável aguentará, é uma pergunta que ele se repete inúmeras vezes. Não há muito tempo para pensar, pois exigem do senhor Instável, que ele seja o modelo de cidadão pré-moldado que a sociedade anseia que deva ser, e isso faz dele mais dependente do que o normal de sua droga, que mais serve como coleira do que amenizador para a dor.