terça-feira, 9 de agosto de 2016

O Monstro e Mr. Hyde


Às vezes a antena capta tudo que não devia,
Sinais cruzados, dores e sentimentos escondidos da empatia,
Parece que se absorve tudo involuntariamente,
Mas existem tempos que parece ser frio como iceberg, um tanto doente,
Meio morto por dentro, meio sorriso forçado por fora,
Quando não é muito sentimento por dentro, sem saber viver o agora,




















Coração vive apanhando da vida, constantes derrotas,
E em uma dualidade estranha, tem dias que viram horas mortas,
Petrifica o órgão que pulsava no peito sem jeito,
Emoção ou oxitocina deixam de agir com certo aproveito,
E nessa história entre médico e Mr.Hyde, de mutação intermitente,
Quando se sabe como viver, sendo essa dualidade inconveniente.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Calma, Bomba Pulsátil!

No estudo e no encanto das aulas de anatomia e fisiologia,
Vemos o coração e como é explicado seu funcionamento e sincronia,
Seio coronário, músculos papilares, pequena e grande circulação,
Mas seu valor conotativo é o que mais impressiona após toda explicação:
Porque o coração parece gostar mais de apanhar do que bater?
Sua função real é ser uma bomba pulsátil ou sofrer?

Parece que ele quer sair para passear e dar um tempo fora do mediastino.
Encontrar outras razões, acreditar em novas mentiras ou ter um novo destino.

Ah, coração, se acalme! Há sentimento concorrendo com sangue nas artérias,
É preciso ter mais de um coração para aguentar tantas dores e tantas misérias,
Não razão que o encéfalo te explique.
Não há humor que a tireoide consiga mudar,
O inconstante batimento no peito precisa de mais ar (e amor) na vida, para se acalmar. 

Qual o Seu Nome, Angústia?


Bom dia, qual o seu nome, Angústia?...O que você faz da vida?",
Me perguntaram. O que responder, além de que "sobrevivo, com quase nada!"
E se assustaram. Tão cru e real, é a lâmina na carne trucidando sonhos e mostrando a realidade,

Cada qual sofre do seu jeito, morre por qualquer feito em sua cidade,


Às vezes, tropeçando em futilidades e em busca de razão,
Noutras vezes, esmagados, pulverizados ou transformados em ração,

Há muito para se assustar. O medo concorre com o sangue pelas veias e artérias,


A tristeza é líquida e inebriante para muitas que não vivem suas histórias,
Quem dera desejar final feliz para todas as boas almas desajustadas,
Mas a felicidade é abstrata e estranha para todas que não estão acostumadas.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Preciso Falar do Amor



Preciso falar do amor. O amor que emana do meu peito,
Preciso declarar meu amor por você e para todos que já tive afeto,
Tenho que dizer sobre esse sentimento lindo que tenta me salvar diariamente,


Perdemo-nos entre vontade e ações erradas incessantemente,
E é preciso ter fé, em algo tão belo quanto esse amor.
É necessário viver e acreditar no melhor apesar de tanta dor.


Por vezes, sinto em meu peito bater tamanha emoção,
Percebo a beleza singular e a alegria que está em meu coração,
Esse músculo que tanto apanha, como não esquece de bater?
Dias após dia, sempre constante em sobreviver,


Meu nome que já foi medo, meu futuro que já foi incerto,
Hoje continua impreciso, porém um pouco mais concreto,
Até sinto o amor existir por alguns momentos,
Será que ele me redimirá da minha existência de lamentos?

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Não Quero Utopia

 


Quero a liberdade, dessas que vendem no comercial de absorvente íntimo.
O amor que nem dá novela das 8, com final feliz, que deveria ser o mínimo.
Quero as dificuldades da vida que nem roteiro de cinema, com vitória e superação no final.

Dos amigos eu quero a amizade pura parecida com o que tem na rede social.
Aqueles lanches do McDonald’s igual ao do cartaz que fica na entrada.
Da sociedade eu espero que sejam da forma que se descrevem ou tentam ser de fachada.

Eu quero o sentimento mais puro que eu puder sentir e agradecer pedindo mais,
O tempo bem devagar nas horas livres e correndo nas demais,
O mínimo de tristeza só para se ter noção do quanto se é feliz assim,
Na realidade não quero o impossível ou a utopia, talvez uma realidade bem menos chinfrim.

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Tempestades Sem Fim



Tempestade após tempestade. Não há dia sem tormenta.
não é o inverno que congela o sangue, é o calor infernal que atormenta.
Vive tentando entender o mundo em que está inserido e sua função,
Todo tempo de calmaria entende como se estivesse no olho de um furacão.
Angústia tomou voz e perguntou: onde estavam nos tempos de escassez?

Somos os filhos e netos das injustiças perpetuadas, haverá eqüidade dessa vez?
Beijar apenas por beijar. Falar em amor como se fala "bom dia". Consegue sentir?
Nas contradições que as bocas falam diferentes das ações. Por quê mentir?

Nesse oceano de gente acaba-se achando poucos seres humanos,
Chega a desejar a loucura para se enquadrar nessa estranha sociedade,
É melhor ser surdo ao grito sufocado? Cego a todas injustiças e seus danos?
Ou ser mudo para não gritar e manifestar? Parece ser essa a bizarra normalidade.

Escrevendo para tentar amenizar, essa angústia que costuma remoer a alma,
E assim, tenta domar esse mar revolto para ter alguns instantes de calma.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Sinto Muito.

Sinto muito. E, infelizmente, não peço perdão.
Sobre a pele, as cicatrizes são histórias que buscam redenção.
Sinto, muito mais que eu deveria.
A mente que atrai problemas mais do que eu queria.

Sinto muito. Mas dessa vez, me desculpo, pelos erros futuros e passados.
Sinto sem querer sentir. Muito mais do que gostaria, pelos meus pecados.
Sinto. Por mais que não quisesse, através da pele, carne e ossos. Sinto demais!
Muito. É o que tenho que agüentar de mim, do mundo. Dos meus erros banais.

Sinto por mim, por você. Sinto muito e me desculpe por incômodo qualquer.
Sinto quase nada em alguns momentos. Sentimento que foge e volta sem querer.

Queria não sentir, mas quis o corpo que eu sentisse. Quis a alma até sangrar.
Sinto por tudo, por mim, por você e por muitos. Sinto muito...Sinto até me acabar.

terça-feira, 7 de junho de 2016

Violência Brasil S/A


Com quantos séculos de estupro se constrói o país da miscigenação? 
Com quantos açoites nas costas se fundamenta a economia da nação?
De quantos metros de terra é preciso para mais um genocídio indígena? 

Somos a favela que queima em meio a expansão imobiliária assassina, 
Somos o adolescente que empunha o fuzil de 60 mil e tem o crânio esfacelado, 
O país do jogador negro do milênio e do racismo velado, 

Com qual mentira devo dormir para me sentir em paz com esse mundo?
A hipocrisia que bebo no café e que sustenta minha fé, às vezes me deixa mudo. 
Batemos palmas para mais um espetáculo da Tevê, mais uma farsa, 
Fingir e acreditarem tudo que dizem para ser parte dessa massa.

sábado, 14 de maio de 2016

Desajustado



Se fosse propenso a beber, seria um perfeito pé-de-cana,
Ou qualquer outro vício que o fizesse fugir dessa realidade insana,
Desajustado, além de tudo que parece ser dentro do contexto,

Não se ajustou ao quadro social, então forja qualquer pretexto,
Adrenalina, age melhor que a fluoxetina que flui nessa idade,
Serotonina que é vendida em pequenas porções de felicidade,

As angústias moram na saudade e nas dificuldades de vivenciar,
Os comerciais anunciando o que tenho que fazer e comprar,

Sou audiência, cliente, consumidor, eleitor e paciente,
Consumido por dentro e por fora incessantemente,
Criando o desejo de tirar férias de mim mesmo e do mundo,
Uma pequena pausa na existência de um vagabundo.


domingo, 8 de maio de 2016

A Melhor Mãe do Mundo


Minha mãe não é a melhor mãe do mundo. Nem a sua é. 
Ela não dormiu de preocupação por febres, dores e choros que tive. Não só por mim, mas também por meus irmãos. 
Passou necessidade para prover alimento a cria. Teve que se submeter a humilhações para sobreviver e cuidar da filha. Passou por tudo com um instinto natural, como uma tigreza que cuida de seus filhotes.

Mas ela não é melhor mãe do mundo. Nem a sua é. 
Não importa quantos dias ela chorou por você. De todas as precauções que ela tem em vida pensando em você, mesmo já sendo adulto e ter constituído família. A preocupação com a cria dela só se encerra no fim da vida e talvez se prolongue de forma transcendental. 

O título de mãe implícita um empate técnico entre todas as que existem. E se você que lê, se tornar uma mãe, estará também nesse empate técnico. Não há troféus. Não há medalhas. Há muita dedicação, sofrimento, renúncias, dores por empatia. Todavia, a natureza que espalha na maioria dos seres vivos essa capacidade de se tornarem "mães", acabou criando (sabiamente) uma força própria dela. 

A perpetuação da espécie em forma de amor incondicional. Não há melhor mãe do mundo. A definição de "mãe" já está inclusa algo imensurável. 
A todas as mães que não precisam de medalhas, pois elas sabem por tudo que passaram (e passam), como discussões inócuas com os filhos adolescentes e os problemas eternos que esse pedaço delas trazem. E por mais contraditório que seja, nenhuma é, unicamente, a melhor mãe do mundo, mas todas são. Elas são.

domingo, 1 de maio de 2016

Aula de Anatomia


Na aula de anatomia veremos os corpos de indigentes,
Prontos para dissecação por mãos indiferentes, 
A pele, os músculos e até os ossos: Tudo será estudado, 
Menos o nome e a história do dito cujo finado, 

Sem falar de sistemas econômicos, ou do quadro social, 
Mas gostaria de saber como se chegou a esse ponto crucial, 
Quem foi você? Alguém chorou por ti? O que aconteceu? 
Quem velou teu corpo e quem te esqueceu? 

Foram os parentes, os amigos? Enfim, falhamos como sociedade? 
Como pode ser tão comum ver tamanha miséria em passividade? 
Na sala ficam para estudo, aqueles corpos finados, 
Frios, mas não tanto quanto há milhares de corações gelados.


Oração ao Cadáver Desconhecido 

"Ao curvar-te com a lâmina rija de teu bisturi sobre o cadáver desconhecido, lembra-te que este corpo nasceu do amor de duas almas; cresceu embalado pela fé e esperança  ldaquela que em seu seio o agasalhou, sorriu e sonhou os mesmos sonhos das crianças e dos jovens; por certo amou e foi amado e sentiu saudades dos outros que partiram, acalentou um amanhã feliz e agora jaz na fria lousa, sem que por ele tivesse derramado uma lágrima sequer, sem que tivesse uma só prece. Seu nome só Deus o sabe; mas o destino inexorável deu-lhe o poder e a grandeza de servir a humanidade que por ele passou indiferente." 

Karl Rokitansky (1876) 

Ao cadáver, respeito e agradecimento.