terça-feira, 20 de janeiro de 2015

A Dor que Transgride


A dor que transgride em fome.
A dor que fere a pele atravessando a carne e chegando aos ossos. Silencia o grito transcendental, pois não há mais voz nessa garganta para tanta dor.

Ela consome por dentro dos ossos, todas as células em sua intrínseca voracidade que chega até a alma. Dela não basta mais nada.

Consome a alma e se delicia. A dor encontrou sua morada e devora por dentro todos os sentimentos a ponto de deixar uma casca vazia, um corpo catatônico sem expressão.

Vazio perambulante, algumas vezes demonstra sinapse e vultos como se houvesse alguém ali. Mas é momentâneo o efeito. Não há mais ninguém. Só a dor consumida e uma figura caminhante sem vida.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Sob o Jugo dos Idiotas

Nasci para ser um idiota. Confundo-me no espelho com um idiota. Faço idiotices para passar o tempo. Repito o que me dizem como se não houvesse inteligência própria ou discernimento. Dependo da mídia bilionária e corporativista para me dar as informações que preciso ter para dizer com certeza, tudo que eu acho que é ou deva ser.

Sigo a manada de idiotas. Diariamente, como um ciclo interminável. É praticamente um tabu inviolável. Não pode se discutir nada que não faça sentido imediato... Porque faço tal coisa? Porque preciso seguir a manada? (Ah, cala-se! Você me deixa louco!)

Temos nosso regimento cultural e social para seguir. O idiota mestre nos adestrou plenamente há uns milênios atrás (acho). E agora, idiotas iluminados, mantêm essa resenha inviolável que deve ser seguida de pai para filho. De idiota a idiotinha. Não tenho nenhum retardo notório, além das minhas psicopatias e distúrbios emocionais, mas ainda sim, sou o idiota no sentido figurado que melhor se faz sentido.
Como todo idiota, obedeço ao sistema dos idiotas, sob o jugo dos idiotas, que devem analisar o perfil padrão e dizer se estamos dentro ou fora (de onde?). Se não estivermos no perfil correto de idiotagem, sofreremos a sanções necessárias para tal crime incabível. Vivemos em uma Idiocracia.

Às vezes, tento pensar. E percebo que se penso, logo sei que sou o idiota que fala consigo mesmo. Com aquela voz incessante na mente que lê todo texto que vê pela frente... Pois é.
Imagino o mundo com a extinção dos idiotas, mas essa imagem some como fogo fátuo, que não perdura. Volto ao meu cotidiano cretino de idiotices na feliz Cornópolis.

Na verdade não é tão feliz, mas nos enganos a ponto de pensar que tudo fará sentido e só aguentar que vai aparecer esse sentido em algum lugar (nem que seja figurado). É tudo conectado, que nem os cabos atrás dos computadores de mesa. Conectado em meio a um emaranhado fantástico feito sobre medida por um idiota Mor.

Por milagres transcendentais não nos explodimos ou entramos em extinção (ainda!). Na verdade estamos tentando: um a um nos matamos de todas as formas e nos diferenciamos, cada um como sendo um idiota melhor, mais elitizado e os que sobram são os idiotas da ralé.

Matamo-nos aos poucos, fumando e bebendo tudo que pode nos corroer por dentro. Tracejando balas pelos céus. Atropelando embriagados tudo que tem pela frente. Exigindo propina para atender paciente em rede publica. Dando aquela rasteira no colega de trabalho só porque acho que ele é filho da puta.


É nosso trabalho estar presente fazendo todo tipo de merda. Um dia quiçá, conseguiremos ser idiotas mais completos, pois nem isso nós ainda somos.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Mitológico Valor da Vida

Vivo numa terra que a mitologia é tão levada a sério, que define a vida. E não só define a vida, como pode tirar. Há guerras em nome de mitologia. Mitologias diferentes criam guerras milenares.
Um cara pode tirar sua vida em nome da mitologia. Alias, pode se perder a vida por pouco: Um olhar errado, um relógio cobiçado, um lugar e dia errado. Mata-se por qualquer coisa, e dá se valor a coisas imaterias como se fossem certas e exatas. E paira no ar certo assombro pelo valor que se da à vida.
Diante de todos os absurdos, como se sentir pelo valor da vida? Qual o valor real que existe?! O valor que dão é tão comercial quanto o dólar e deveria estar na bolsa de ações.
Uma vida nascida negra e pobre em um país emergente, vale menos que uma branca e rica nos países de primeiro mundo. A vida tem referencia em valores abstratos também. Ídolos, mitologias e regras que se baseiam a vida moderna. Tudo sendo seguido à risca para melhor funcionamento de todo o cosmo, universo, etc. e tal.
Ao acordar todos os dias e ver o absurdo paradoxal e hipócrita que se define sobre minha força de trabalho, meus dias e meu sangue, pergunto-me: "Até quando? Até quando?".
E ainda vou além e pergunto, em um sentimento de indefinição que paira eternamente nos segundos diários: "O que farei (farão) com minha vida?"

Diante cada fracasso e obstáculo intransponível, fica difícil imaginar a razão existencial em ter o sofrimento como parte constituinte da personalidade hibrida de sorrisos amarelos e melancolia.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

A Culpa é Pública


A culpa é pública. É de todos, mas não parece pertencer a ninguém. Com tanta hipocrisia pregamos o bem alheio, sem olhar para nosso universo óbvio, errado, torto e preguiçoso.
O que comanda a noticia é a hipocrisia. O que comanda as massas é a ignorância. Respira-se demagogia. Vociferam perfeições inalcançáveis.

"O que pode ser feito..." e nunca será. "O que deveria ser feito..." por outra pessoa que não seja eu, porque preciso fazer infinitas outras coisas não muito importantes. Analisando a vida, a morte e tudo que se tem no caminho, o que parece ser importante? Parecer importante?

O que comanda as massas é a hipocrisia. O que comanda a noticia é a demagogia. Transpira-se ignorância. E perguntam sobre teorias impraticáveis. "O que eu deveria fazer..." e nunca faço.

O que precisa mudar é a aceitação do que somos. Aceitação de uma verdade que todos gostam de ocultar.

Vivendo nessa mediocridade pretensiosamente humana, tentamos fingir algo maior, melhor, quase perfeito.  Vivemos algo tão irreal quanto à fantasia. É a hipocrisia que mata, dilacera almas. A demagogia que fere. A culpa é pública. É de todos, mas todos renegam.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Inequidão

Nessa imensidão, ouves musica para calar as vozes que te perturbam
Uma inexatidão que nos tornamos, nesse infinito cósmico de ignorância que temos, é um sentimento que berra no peito. Perdido por tempo indeterminado.

Nessa iniquidade razoável, em que tudo que é ruim se tornou prática estável das "pessoas de bem", o mais difícil é aceitar tudo sem deixar a cabeça explodir. Tanta coisa fazendo falta.
Nessa imensidão, tento pensar mais alto que as vozes que vociferam como feras raivosas toda a sua ira e toda a sua onisciência sobre o mal em que caminhamos. É preciso mais que um copo d'água para descer com tudo isso pela garganta.


Indefinidamente procura uma desculpa, que seja uma razão inventiva para que se suporte sua vil existência. "Qual seria a razão futura?"
Intermitente com seu humor bipolar, não sabe como se rende aos laços humanos, e como se deve portar com tais características.

Qualquer discussão intercede de forma negativa em sua forma de ver o mundo. (como se sentisse prazer na dor)
É uma inquietação na alma que enlouquece. Como tudo se prova tão errado e desigual, vale até a expressão da "Inequidão" da vida, nessa inequação de erros o que sobra?




"Tudo fugiu -- tudo está feito, então levem-me à pira --
O banquete acabou, e as lâmpadas expiram."

Robert E. Howard

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Fênix de Cada Dia

Cada dia é como nascer, ou melhor, ser abortado. 
Todo dia é dia de renascimento nesse caminho do inferno. 
Como uma fênix, que se destrói nas chamas do dia e ressuscita na manhã seguinte.

Cada dia é como apanhar de uma multidão sem saber o porquê e sem defesa.
Há quem ria mais do que chora, mas é difícil de analisar no mundo absurdo o que é real ou conto de fadas. É tão triste saber de uma morte e pensar, "porque não fui eu?".
Chega ser absurdo pelo próprio espírito de sobrevivência do ser humano.


Não se pode esperar um "obrigado". Não se podem esperar arrependimentos.
Não se pode esperar pouca hipocrisia. (pois há muita!)
Tem horas que a cabeça vai explodir.
Tem hora que todo mundo deveria morrer.
Tem horas que quero salvar todo mundo, 
Mas no final, ninguém sabe o que é salvação ou do que deveria ser salvo; 


segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Preciso Recuperar Minha Humanidade

Preciso recuperar minha humanidade, não a deixar ir embora.
Pelos pensamentos perniciosos que me jogam. De toda a maldade inalada, é preciso de máscaras de gás potentes.

Preciso ter fé em mim, na comunidade e na humanidade, acreditar que ela não é tão egoísta como alguns demonstram ser. Que ocorrem erros pontuais, mas em geral somos bons. Apesar de tudo e todos, é preciso ter paciência e respeitar ou até mesmo absorver tudo que é contraria a minha ideologia e me sentir OK!

Desumanizado, carregado como gado entre trens e ônibus lotados. Desumanizado, servindo a interesse empresarial em troca de migalhas, sem nenhum retorno relativo a sociedade. Desumanizado, da saúde perfeita a longas filas de espera por um pouco de ouvido para os problemas. Desumanizado, tratado como lixo. 

Nem cães de rua merecem tal tratamento (e porque deveriam receber esse tratamento?)
Pior que o cão jogado as pulgas, carrapatos e derrubando lixo para comer. Desumanizado, mas sempre se ouve sobre a palavra de libertação e amor ao próximo. Linda demagogia. O que semeiam é ódio e as cidades são panelas de pressão prestes a explodir em um silêncio calado e sofrido. Mudo. Violento!

Quero ser humano, não como dizem que são. Não, ser humano, como nesse comercial irreal que inventaram. Quero ser humano, sem perder meu senso de humanidade. Não quero salvação ilusória e nem bilhões para viver de iate, mas quero algo mais simples. Quero não perder minha humanidade que se esvai pouco a pouco.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Reta Torta, Linha Curva

Queria ser uma forma quadrada, talvez cúbico. Seria melhor ser enquadrado do que estar na margem. Não que a paisagem que as margens dos rios não impressionem, mas desse rio que passa em nossa vida, vivemos sempre na margem errada. Errático.


Marginais. Na periferia da periferia. Um acessório periférico, facilmente expelido se necessário, talvez um apêndice desnecessário. Seria melhor ser quadrado que obtuso, com ângulos improváveis que não se encaixam nesse mundo. 

Fora das linhas não tem como se ter paralelo de como é ser uma pessoa sociável (que pelos menos sirva de algo a sociedade).
O que sobra é tangenciar a vida, de suas formas obscenas de querer ditar o que se faz, como se faz e quando se faz em qualquer idade. Viver marginalizado pela própria consciência que não se adequa a forma tradicional de praguejar sobre tudo. Falta aquela satisfação de se sentir insatisfeito, virar para o lado, respirar fundo e admitir que não há solução e "tudo bem, fazer o que? Esse é nosso mundo!". 

Se pelo menos fosse um cara circular, seria até mais condizente. Viveria em ciclos, que apesar de tudo, faria algum sentido para ele mesmo que incipiente. Ah, se fosse tão certo e exato quanto seria quadrado. Dentro de todas as expectativas e dentro de todos os planos, tudo estaria engendrado. 

Tudo deveria ser plano e sem obstáculo. Mas foi em linhas tortas que fora criado. Certeza é apenas de estar errado. As linhas ilógicas fazem curvas não-lineares, quebrando todo o sentido da mesma, não criando nenhum vinculo. Quebrando a realidade em que tenta se basear a vida. Toda reta torta, toda linha curva, todo errado e com a vida retorcida.
 

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Vejo o Diado Sorrindo

Em algum momento, apertaremos a mão de pessoas odiosas.
Pessoas com seus sorrisos amarelos e piadas preconceituosas que pediram uma risada sua, uma risada tão imoral quanto inclassificável.

Com um sorriso demente no rosto, o que te resta é olhar nos olhos desse caos. E ver! Correndo nessas veias que apertam sua mão, dá para sentir os seus antepassados chicoteando os negros fujões e desobedientes.

O financiamento as expedições que ao longo de continente americano exterminou todas as civilizações nativas. Da para sentir o gosto pelas ações no mercado negreiro e sua hipócrita afirmação de liberdade.
O gosto pelo dinheiro exala no corpo algo que daria inveja ao pior dos bárbaros e piratas. Sua linhagem deve ter vendido combustível a tropas da Alemanha nazista, mesmo que seu país lutasse contra o eixo.

É a mesma cara de prazer que vê lucro no extermínio do estado de Israel na faixa de Gaza, que vende armas para diferentes etnias da África subsaariana, explorando o ódio de um contra o outro para ter diamantes e matéria-prima barata para exportação.

Olhando nos seus olhos vejo o prazer por se sentir superior e saber que limpou do mundo gente inferior. E mesmo que lavasse minha mão com álcool e incendiasse em seguida, não teria afastado todo aquele mal.

Pois como um câncer, em velocidade assombrosa, teria corrompido todo o meu braço. Como se personificasse o ideal humano do sucesso e ao que pior se têm de um verdadeiro ser humano, ao olhar em seus olhos, vejo o diabo sorrindo. 

domingo, 28 de dezembro de 2014

Meu Amigo William

Texto de um escritor que aprendi a admirar muito, por traços em seu perfil no qual me identifico relatado em suas crônicas e poemas. Abaixo, um relato de como eu seria se tivesse nascido no "Planeta Bizarro", onde tudo é ao contrário da nossa realidade.



"MEU AMIGO WILLIAM

Meu amigo William é um homem de sorte:
lhe falta a imaginação para sofrer

ele manteve seu primeiro emprego
sua primeira esposa

consegue dirigir um carro por 50 000 milhas
sem precisar fazer reparos nos freios

ele dança como um cisne
e tem o par de olhos vazios mais bonitos
deste lado de El Paso

seu jardim é um paraíso
os saltos de seus sapatos estão sempre nivelados
e seu aperto de mão é firme

as pessoas o adoram

quando meu amigo William morrer
dificilmente será de loucura ou câncer

ele caminhará pelo demônio deixando-o para trás
em direção ao céu

você o verá na festa hoje à noite
sorrindo de orelha a orelha
com o seu martini

deliciosamente e agradavelmente
enquanto algum cara
fode a esposa dele
no banheiro."

Desde que o Mundo é Mundo

Você testemunha sobre sua vida e ninguém se importa,
Você é um livro aberto para o mundo e ninguém lê,
Desde que o mundo é mundo, só interessa se você for "alguém",
Hoje é só mais um dia e tu és apenas mais um,

Um número, uma pessoa qualquer, um indivíduo sem importância,

Você diz tudo que sente e ninguém te escuta,
Você escreve tudo que pensa e ninguém se importa,
Desde que o mundo é mundo é assim, cada um olha para o seu rabo,
Cada macaco gordo em seu próprio galho,


Continuo dizendo o que penso para ninguém,
Sou o livro que ninguém se importa em ler, mas mantenho as páginas abertas,
Sou o desconhecido mais que conhecido, para isso, bastar ter vontade,


Enquanto eu for o ser oculto nessa dimensão, serei um estranho que não ri para as piadas forçadas,
Serei o estranho que não tem riso fácil e que não se admira com o mundo ordinário,


E apesar de dizer tudo que pensa em palavras jogadas em algum oceano, captadas por qualquer rede, ninguém há de saber o que penso,
Desde que o mundo é mundo é assim, a ignorância é reconfortante e o óbvio agradabilíssimo.