Esse espaço é onde exponho meus devaneios mundanos...Enquanto ser existente, sou pretensiosamente reflexivo.
domingo, 30 de novembro de 2014
Na Sala uma Chafariz de Chocolate
Na sala uma chafariz de chocolate jorrando sem parar. Uma limusine com aro de 20 polegadas forradas em ouro. Uma linda mansão com 3 suítes para cada parente. Mas, infelizmente o dinheiro não faz andar sobre o ar, andarilho dos centros urbanos, não precisaria esbarrar nesse mutirão de pobres malditos e nem olhar para os ônibus lotados cheios de fadigados antes das 08h00 da manhã.
Mesmo afortunado, não se faz intangível a toda sorte. Dos males que afligem o ser humano, do latrocínio e da inveja violenta de ter algo que não se necessita, realmente. As balas não param em pleno ar por causa do dinheiro; e os sequestrados não deixarão de escolher um cativeiro por causa do status quo.
Tendo tanta indiferença correndo dentro do DNA, é compreensível se sentir um brâmane tupiniquim, já que antes as mucamas e os servos trazem seu mingau na cama. O mundo acaba todos os dias, para todos aqueles que não sabem o que é o mundo, e como ele se enfraquece diariamente.
O corpo está moribundo e sedento. A seca é o que mais se agrava. Os lordes não entendem do enfraquecimento dos vassalos é físico e mental. Os plebeus estão sobre controle, desde que não seja apresentada a realidade massiva de que são controlados.
Um pouco de migalhas para apaziguar a mente conturbada. Um programa legal para espairecer a mente já vazia. E tudo está conforme tem que ser. A pirâmide estamental sobre a base esmagada de sempre. Não descobriram ainda que o ouro não faz o ser invulnerável ou intangível a todos os males.
Que se vive interdependente nas aldeias globais. Prega-se o amor ao próximo dentro das catedrais e cultos, mas esquecem no minuto que se põe o pé para fora.
Esquecem que nascemos iguais e apodrecemos iguais, ou com mínima diferença de onde quer que se jogue as cinzas do seu corpo carbonizado.
quarta-feira, 19 de novembro de 2014
Ideologias falidas
Um dia o copo transborda,
o grito sai da garganta e as revoluções do papel talvez aconteçam. O que nos acomete é a cumplicidade, não de ser mais um na cena do crime, não por esconder o crime;
simplesmente por deixar acontecer. Calados, atônitos e inertes a toda a falcatrua,
barbaridade e obscenidade a espécie que juramos ser próximo a nós em diversas ideologias e religiões.
Ainda se superam em
suas cretinices. Denotam toda uma eloquência e exuberância debatendo filosofias
utópicas na realidade que não dorme. Não é o capitalismo ou o socialismo que vá
resolver algo. Já se passaram séculos, e ditadores simpatizantes para ambas as
ideologias mataram milhões.
O que sobrou? Além da guerra ideologia, o que manda
é a venda de armas que atravessam continentes. Sobre a margem de qualquer política,
o que se sustenta é o pó sendo comprado na biqueira. Apesar de todo o conceito
humanitário ou egoísta, ainda persiste sociedades auto-centradas e falidas,
pois estão preocupados demais consigo mesmo.
O que conta agora é a navalha na
carne! É o pus da ferida, é o sangue que escorre. É o choro da criança que não tem
UTI na maternidade. É a corrupção em qualquer ambiente e envolta de diversos
setores da sociedade.
O que conta é a
riqueza de possuir. O Status Quo. Longe da babaquice das mesmices fantasiosas,
o que o sistema se torna vai além de qualquer ideologia, é um organismo vivo como
um vírus, que tenta se adaptar ao meio que o repele.
Amor com pólvora
200 balas de persuasão por minuto, um grande abraço com
dinamites na cintura.
Palavras de amor caem com napalm pelo céu. A esquadrilha da fumaça desenha um coração no
anil, cheio de fogo e paixão.
Drones apaixonados desenham sobre o chão com canetas de 70
mm de chumbo e pólvora.
Quebrando a barreira do som, as preces por um dia melhor vem
estourar vossos tímpanos.
Amizade eterna feita entre esses belos senhores, estampando
sua bandeira com tanta honra e harmonia. Não é
violência se é para ensinar. Não serão
violentadas se não forem para aprender.
As mãos inimigas são amputadas, as crianças e mulheres
violentadas. Temos um amor imenso pelo nosso povo.
O cheiro de queimado é dos corpos que atiçam a fogueira. São
menos que nada, menos que carvão para churrasco.
São bilhões que entram na sua fronteira. São bilhões de
motivos para você ter que perecer. Cada rajada de metralhadora, soa como
poesia. O Deus dos desvalidos e necessitados não encontra prece aqui, pois a
Morte já se encarregou de levar seus fiéis. Não há misericórdia maior que
livrá-los desse terceiro mundo. O chão vale mais que suas vidas. O óleo dos
nossos carros é mais importante que seus cotidianos.
400 balas de persuasão por minuto, um grande abraço
coletivo, com dinamites na cintura.
Palavras de amor caem com napalm pelo céu. A esquadrilha da
fumaça desenha um coração no anil, cheio de fogo e luxúria.
O apocalipse é aqui e agora. De todas as noites bem dormidas
e dos sonhos bem sonhados que vem do pesadelo.
O apocalipse de maneiras e trejeitos. O apocalipse perdido no
tiroteio do armamento vendido a sub-humanos que vendem diamante pelo preço de
sangue. Que vende o pó que escorre pela narina dos bons de berço. O apocalipse é eternamente agora.
quinta-feira, 25 de setembro de 2014
"boa noite amor, ahora estoy bien!"
Queria dizer "olá amor, como vais?"
Mas o mundo e sua gravidade parecem permanecer nas costas desse atlas gordo e falido demais.
Queria dizer "bon jour, mon amour"
Mas a dor que não destina sem doer, é infindável nessa morada em que pousou.
Queria poder sorrir verdadeiramente como nunca pude antes,
Mas me corrói algo inominável em meu cerne, nos tornando distantes.
Queria dizer "Como estás, feliz?", sem sentir o peso que não deveria sentir,
Peso imaterial e irreal e o fedor de que algo deu errado sobre meu nariz.
Essas incertezas e ansiedades não ferem como se fosse por bala, ou não sangram como se fosse por faca mas, matam pouco a pouco como um veneno moroso e cruel que me joga na vala.
Um dia devo dizer, "boa noite amor, ahora estoy bien!". Espero ansioso esse dia, pois há tanta riqueza no mundo e dentro de nós tamanha pobreza, camuflada para ninguém ver.
domingo, 31 de agosto de 2014
Coração de Aço.
Para viver é preciso um coração de aço e uma cabeça cheia de vento.
Para suportar a existência e os desmandos do destino, é preciso paciência e lágrimas que evaporem em contato com o rosto, já que é necessário parecer forte como uma muralha ( até mesmo as muralhas cheias de rachaduras ).
Defeitos se refletem nos outros, com isso, podem suspeitar das suas próprias certezas forjadas em suas contradições e na realidade absurda que estão inseridos.
Sobre si, recai o peso. O peso dos ossos, da pele, da carne e de todas as pequenas preocupações da vida e a suspeita de que nada faça sentido.
Para viver é preciso ter a certeza de que não é imortal, fato esse ignorado no dia-a-dia, pois se torna uma preocupação para o momento além túmulo, quando o mesmo não tiver mais que pensar.
Para viver bem é preciso um coração de pedra e uma cabeça cheia de brisa.
E que a brisa leve embora todas as preocupações imediatas para além mar, além do horizonte, além do homem, pois o que os olhos míopes não veem, o coração petrificado não sente.
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terça-feira, 19 de agosto de 2014
Apreciando o Silêncio.
Silêncio, não o propriamente dito que existe no vácuo do espaço, mas sim daquele que
é a ausência de sons irritantes, instigando a uma comunicação odiosa para o momento, que nos faz um triste palhaço.
Aquele silêncio que é a ausência de voz de outros. O silêncio da solidão.
Silencio que causa até certo embaraço.
O silêncio em que se ouve o ruído da geladeira, e o tic-tac do relógio.
Bendito seja o silêncio que destruímos tantas vezes com sons inúteis com um pouco mais de ódio.
Se deliciando com o vazio das perguntas irritantes, das conversas sem nexo e do tagarelar das inutilidades, como se a paz do silêncio fosse fruto de um sufrágio.
Bendito seja o silêncio que destruímos tantas vezes com sons inúteis com um pouco mais de ódio.
Se deliciando com o vazio das perguntas irritantes, das conversas sem nexo e do tagarelar das inutilidades, como se a paz do silêncio fosse fruto de um sufrágio.
Eis o silêncio que deveria perpetuar como em um momento eterno. O
silêncio ensurdecedor.
O silêncio que rompe os sons absurdos
e músicas fora de ritmos com uma violência sem precedentes, sem abater pelo
caos externo.
Mesmo sabendo de todas as notícias ruins que venham a te açoitar, e das
lágrimas que possam escorrer pelo rosto, se espera a cura de todos as dores, o silêncio é o que separa o mundo de
ser um inferno.
Só quero apreciar o silêncio...
“Palavras são como a violência
Quebram o silêncio
Vem colidindo
Dentro do meu pequeno mundo
Doloroso para mim
Me perfurando por dentro
Você não pode entender?”
quinta-feira, 14 de agosto de 2014
Bons Exemplos.
Temos tantos teóricos geniais, com um mundo cheio de conceitos ideais e que abrangem lindas palavras. Porque não existe nada disso na prática?
A criatura criou algo que deveria ser o criador. Criamos os melhores exemplos para se seguir, ideais! Exemplos imaculados!
Exemplos que são até humanos. E há quem diga que há sentimento humano nesse monte de gente que contempla o coletivo chamado humanidade.
Fazemos exemplos tão bons que não podemos (queremos) seguir. Tão ideais que parece errado macular com nossa existência, toda sua fama que nós mesmos criamos e idolatramos.
Criamos modelos ideais, que não seguimos por serem ideais demais, e não somos tão corretos para sermos comparados com tais modelos. Por algum motivo absurdo é uma afronta falar contra o modelo que nós mesmos criamos e que alcança valores irreais e uma áurea imaculada em torno de si. Temos medo de nós mesmos. Temos medo por sabermos o que podemos ser e fazer. Não é a lei que e nem a policia que nos faz tremer tanto quanto nossa capacidade de saber, o quanto podemos ser ruins.
terça-feira, 12 de agosto de 2014
Os Palhaços Estão Mortos.
Os palhaços estão morrendo. Estão se matando diante da realidade. Não tem marmelada, não senhor. Não tem goiabada, não senhor. Os circos estão de luto. A comédia definha, as sátiras perderam o sentido. Não existe mais platéia para aplaudir o último ato. O enredo é triste.
Seriam covardes ao se evadirem dessa malfadada vida? Não se permitiram viver um dia a mais nessa realidade (que no final lhes pareceu tão absurda!). Sobraram perguntas e saudades. Velhas piadas recontadas indefinidamente. Repetidamente, até que os seus atos parecem fazer sentido no caos em que deixaram o mundo.
Velhas piadas que custam a perder a graça. Cenas difíceis de acreditar diante depois do luto.
Não há mais alegria, não há mais cantiga com sorrisos quase infantis. O que sobra é um ar pesado, denso como chumbo, pairando sobre as cabeças daqueles que estão incrédulos com os acontecimentos. Acabou a piada.
As piadas seguem sem voz. Porque, aqueles que nos dariam alegria, se cansaram de lutar?
À noite, ao dormir, talvez não tivessem motivo para sorrir. No silêncio que antecede o sono, talvez tivessem mais lágrimas do que motivos para sorrir. (ninguém vê o palhaço chorando.)
Queriam ver o mundo sorrindo. Davam piruetas pelo ar. Cambalhotas para as crianças. Com piadas sarcásticas ou trocadilhos embaixo da manga. Piadas inocentes ou de humor negro. Se dedicando ao público na melhor forma possível. Sentido o ar de riso que precedia a gargalhada.
Mas dessa vez, o mundo venceu. A tristeza venceu a alegria. As piadas perderam a voz. Os palhaços não existem mais.
sábado, 9 de agosto de 2014
Jaz Não Ouve Mais Jazz!
Percebeu que estava morto? Claro que não. Nem conseguiu acabar a gelatina que esta apoiada no braço do sofá. Os filhos agora vão se definhar sobre os espólios: sua casa, seu terreno torto... Não sobrará nada. Nem percebeu que estava morto, não sentiu nada, não percebeu que morreu. De uma hora para outra, já tinha ido, sem dar uma ultima risada. Putrefato sobre o sofá, inexistente jaz não ouve mais jazz.
Mas não importa mais dogmas. Não importa mais saber sobre a chuva de domingo, sobre o jogo do campeonato, e nem a cor de camisa que ira vestir para ir ao bingo. Acabou e nem sentiu. E que diferença faria se sentisse? Percebeu que morreu? Viveu e nem existiu?
Acabaram o rito, as preocupações. Sentiu a diferença? Claro que não. Está morto, inerte e apodrecendo pelo tempo, não terá mais doença. Os vermes serão seus amigos. Amigos, como "carne e unha" ou se preferir pode virar pó. Cinzas a serem espalhadas em um terreno baldio pelos seus entes queridos.
Cinzas para serem jogadas na churrasqueira, no próximo churrasco em família. Morreu e nem se deu conta. Está morto, sem respirar não pode reparar na decadência da vida, e por sorte não conhece nenhum fã de necrofilia.
Viveu sem saber. Viveu como se sempre houvesse amanhã. Viveu apenas por viver, e porque seria diferente? Hoje apenas pereceu, não importa mais o verbo "ter".
Imagine se um dia desaparecesse o instinto de autopreservação? Quão absurda seria sua existência? O porquê de continuar existindo esbarraria em seus pensamentos no raro momento em parasse para pensar sobre a sua vida, com ou sem decência. Todavia, não há por que. Nunca houve. Apenas a constatação.
Com fé no que há acima, e em uma existência perene, isso é o que importa, mais do que um ritual solene. Somos deuses irremediáveis que criamos outros deuses irremediáveis e que terão acima o ser onipresente que nos dirá: "Morra, já está em sua hora! Chega dessa existência e suas possibilidades inimagináveis"
quarta-feira, 30 de julho de 2014
Errare Humanum Est,
É difícil se declarar um hipócrita. O bom senso passa longe da realidade. É difícil deixar de perceber que não é o ideal que pensas que é, e mais difícil ainda perceber que tens defeitos na frente de outra pessoa. Como se houvessem pessoas isentas de falhas, vivemos do "bom mocismo" e nos isentamos, não admitimos nossos erros, e julgamos os erros alheios como se fossemos puros.
Nem mesmo o melhor exemplo que pensamos ter, segue imaculado pela vida. Nossos heróis são humanos, falhos e com diversos defeitos. Nossos ídolos são irreais, criados como referencia de modelo de como devemos ser e que nunca nos tornaremos, por incapacidade natural ou por puro comodismo.
Acreditamos no utópico, fantasiamos com ídolos ideais, imaginamos líderes com reputação ilibada, e porque? Porque temos que acreditar que só exista o bem e o mal? Porque não enxergarmos como realmente somos?
No mundo real, parece que somos fãs de canalhas, onde a injustiça toma forma e se realiza.
Nosso mundo, baseada em conceito humanitário teórico que não é posto em prática e dito apenas como uma forma ideal de mundo. Nosso mundo doente e sem nexo, que vive em uma eterna dualidade bipolar.
Errare Humanum Est...
Perseverare diabolicum.
"O fantasioso nega a verdade para si mesmo; o mentiroso apenas para os outros."
Nietzsche
quinta-feira, 17 de julho de 2014
Pensamento Invernal.
Não é esse inverno finlandês que parece durar mais de 5 meses. Talvez dure uma eternidade.
Não é esse céu cinza e esse ar seco como Atacama, talvez seja coisa da sua idade.
É esse incômodo que não sai do peito, perdura e dura como nunca, e mata sua jovialidade.
Não há motivo para dor. É apenas o som da chuva batendo no telhado e esse sentimento que na cessa de nebulosidade . (E o inverno que nunca termina de verdade).
Não há motivo para se sentir triste, mas o é como uma criatura estranha que só pode ser e viver sem uma conformidade.
Tão estranho e perplexo que alguns o acusam de possuir humanidade. Cheio de defeitos e manias, e nem por isso demonstram para com ele, alguma piedade.
Não parece nada com os Adônis das propagandas e nem é tão esperto quanto as pessoas da internet em toda sua bestialidade.
Tão absurdo que talvez seja até humano mesmo, deveras humano, talvez um humano sem tanta maldade. O que lhe resta é não ter resposta nenhuma, sem nenhuma vontade.
Nenhuma chance para mudar a constante preguiça do ser por mera casualidade. ( e esperar que esse o inverno passe logo, como se houve outra estação dentro de si sem toda intensidade).
É esse peso que deixa seu corpo curvo e cheio de calosidade. Essa sensação que mistura o árduo destino de Atlas e o trabalho de Sísifo em sua infindável continuidade.
Talvez seja aquela sensação da constatação do absurdo na vida em toda sua complexidade. ( e esse inverno que reina com uma nova era glacial composta da mais pura ironia e fatalidade).
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