terça-feira, 15 de agosto de 2017

Malditos suicidas




Malditos suicidas.
Morreram envenenados, enforcados, por tiro. Morreram e nos deixaram aqui. Fugiram da dor da existência. Não souberem lidar com a realidade. Como pode ser tão horrível viver? Não aguentaram existir?
Malditos suicidas. A garota se jogou da janela do 5° andar. Nada é fácil de entender. Porque se foram? Porque vieram aliás? Quem pede para nascer?
Malditos suicidas. Deixaram a saudade e a dor com os entes e amigos. Deixaram a dor de herança para toda a vida. 

Malditos suicidas. O que pensavam? Porque desistiram? Qual fraqueza os fizeram ser tão frágeis as dificuldades da vida?
Se foram com cartas com poucas linhas. Deram tchau sem querer. Se entregaram sem dizer "o porquê". Se a vida tem algum sentido, eles a deixaram mais incógnita possível.

Malditos suicidas. O que os aguardam? O fogo do inferno? O limbo eterno? As piores penalidades a quem não suportou as penalidades da vida. Sofrimento eterno em vida e morte. Malditos suicidas. Porque se foram? Nem sequer tentaram. Ou se tentaram, porque desistir? Malditos. Porque se foram? O que fazer com a sua ausência? Como ocupar o espaço enorme que o vazio ocupa? Semanas de luto não são suficientes. Malditos. Suicidas.

De forma tão abrupta, nos privou do último afago, a última briga, o último aceno. O último gole de cerveja. Não há mais com quem contar. Se foram. Malditos Suicidas.
Não achava mais graça nas bobeiras da vida. As pequenas crônicas remetiam ao tédio. Tiraram o sal da comida? Tiraram o açúcar do doce? 

Nada mais parecia importar. Planos futuros, possibilidades, planejamento. Tudo era tão inócuo. Que fim triste estar morto em vida. Faltava talento para viver, além da vontade que se esgotava. Faltava mais coragem e atitude. Faltava mais vida naqueles olhos sem graça.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Do culto ao drogado


Do culto ao drogado.
Pelas sarjetas das vilas,
Bêbados, jogados a vida
Dos cultos aos drogados,
A espera de pó. De bala ou qualquer entorpecente que entupa a mente.
Dos cultos aos desgraçados. Amaldiçoados, sem chão, sem céu, sem esperança
Drogados para dormir,
Drogados para viver,
Consumidos por existir,
Exauridos por tanto perder,
Drogados para viver o dia-a-dia. Nos bares, nas farmácias, na vielas e favelas.
Hás drogas legais, ilegais e não tão legais. Pílulas, elixir intoxicante, alguns goles de vodka para engolir.
O culto as drogas e a droga da vida. Um culto aos drogados largados.
Um culto a droga que devemos tragar. As drogas de cultos que devemos ir. Uma ode aos drogados amaldiçoados.                        
O tédio dilacera. A realidade lhe faz perder o ânimo. Tome uma pílula para ansiedade. Tome um trago pela tristeza. Fume um cigarro pela angústia. Há tanto para se drogar. Há farmácias a cada esquina. Os vilões são os que vendem drogas ilegais. Os heróis são os que fornecem as legais. Todos se drogam no final. Final de semana, final do mês. Até o final da vida. Uma pílula por dia, dia após dia.

Idiota


Sou o idiota. O espectador.
Sou o palhaço, sou o produtor.
O espetáculo da vida está na cidade,
Não sei até agora como se vive na minha idade,
Sou um palhaço e espectador.
Espero os sorrisos e um pouco da dor.
Não sei se existe enredo,
Não me explicaram se o fim será mais cedo,
Sou um idiota, sou um produto,
Não sei de que marca ou quando chega o fim abrupto,
Sou um espetáculo sem cantor.
Sou um filme triste sem ator.
Um livro cheio de páginas sem histórias,
Um momento da vida sem memórias,
Sou o idiota. O expectador.
Sou o palhaço, sou o produtor.
O espetáculo da vida está na cidade,
Viemos pedir, mas sem nenhuma humildade,
Quanto vale o show? Quanto vale essa insanidade?
Por quanto tempo aturaremos tal imoralidade?

domingo, 28 de maio de 2017

O Destino Tem de Se Modificar

A vida há de nos levar a qualquer canto,
O destino a jogar tudo em nosso colo sem qualquer encanto,

Tudo tem de se  modificar,
A cada suspiro, a cada martírio, se angustiar,
Esperamos, esperamos, esperamos, ansiosos,
Como não poderíamos deixar de ser, a sós,

Mesmo em multidões algozes, ferozes,
Sentimento voa pela janela, sentimentos vorazes,
O que permite saber e ser?
O que te permite fingir ser?

Antes que o mundo me quebre, preciso dizer sobre a paz que sinto,
Antes que eu suma dentro de mim, preciso dizer que não minto,

Há tanta beleza que não consigo me conter,
Há tanto a se fazer, há tanto querer,
Preciso abrir o coração antes que ele seja pisoteado,
Preciso me declarar a vida antes de ser atacado,

Antes de qualquer coisa, preciso me apaixonar novamente,
Um pedaço da vida em mim. Tristeza comovente.

domingo, 23 de abril de 2017

Hoje é Dia de Lembrar de Sonhos

O que tem para hoje é lembrar de sonhos,
Sonhos que foram sonhados a dois, cheios de carinhos,
Hoje é dia de deixar a mente levar,
A um futuro do pretérito que se foi sem passar,
Sonhos sonhados juntos,
Planos, velhice, filhos,


Cenas ensaiadas, mas esqueceram de avisar os atores,
Que o enredo mudou, o texto mudou, mudou-se até as dores,
Hoje foi dia de lembrar do vento no litoral,
Cavalos marinhos, brisa do mar, e o triste final,
O universo onírico nos deveu um universo, um mundo;
A vida nos deu um destino avesso, desnudo;
Hoje foi dia de sonhar acordado os sonhos passados,
Que sonhos do futuro não se percam em nossos pecados.

segunda-feira, 27 de março de 2017

Nem Posso Pensar Em Sentir Saudade



Nem posso pensar em sentir saudade,
A lágrima cai sem nenhum aviso, com cumplicidade,
Dizem para o homem não chorar,
Deve ser para a maquiagem não borrar,

Não falta sentimento para cair a lágrima,
Pesa uma tonelada essa lástima,
Parecem que estão espremendo a alma,
Rasgando seu bem-estar e sua calma,
Nem por um segundo posso pensar em saudade,
Vai que me vejam chorando e achem que eu tenha humanidade.

quarta-feira, 22 de março de 2017

Força Motriz



O amor é tão forte que fere e desatina,
Sinta o remoer dentro de si, te impregna.
O amor é tão sublime que o faz enlouquecer,
Sinta a loucura tomar conta do seu ser,
Cheio de surpresas e contradições,
Quem pode explicar o destino em ocasiões?

Tudo pode mudar em uma tarde,
O inteiro se torna metade,
Toda a certeza se torna dúvida,
Como proceder e tocar a vida?
Sentimento se transforma,
E o amor não se conforma,
Quer para si toda atenção,
Como viver nessa inquietação?

A Solidão Ensina



Há tristeza que seca até as lágrimas,
Há angústia que não aguenta tantas lástimas,
E o amor, ficou para depois, para outro dia,
E o amor morreu antes de nascer, quem diria...

A solidão ensina da pior maneira,
A exclusão é a mestra de carreira,
Existe castigo pior para o vilão,
Que morrer de amor em vão?

Se desfazer em solidão,
Cabeça e coração não fica nenhum são,
Quanto mais há de aguentar em vão?
Quanto mais de amor despedaçarão?

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Boa Noite, Hoje Meu Nome É...

Boa noite, hoje meu nome é tristeza.
Não sei como amparar esse coração cheio de delicadeza,
Na estação que passou pensei encontrar Deus,
Mas faz parte do delírio que acomete os seus,

Boa noite, hoje meu nome é desespero,
Como encontra coragem para viver com tanto despreparo?
A noite caiu, e com ela a chuva que inunda,
Tenta lavar a mente e coração dessa vida imunda,

Boa noite, hoje meu nome é angústia,
Mais um dia sobrevivendo em meio a penúria,
Mais um dia para sofrer na carne e na alma,
Porque dizem para ter tanta calma?

Boa noite, hoje meu nome será saudade,
Como viver sem ter amor de uma cara metade?
Ousou amar o que não poderia amar.
Como foi o fim dessa história de amargar?

Lição Aprendida


Queria deixar para lá. Sem entristecer,
Mas as lembranças não me deixam esquecer,
Coração bate mais forte, intenso. Faz doer,
Quero não precisar ouvir. Ensurdecer,
Não ver, nunca mais. Me perder,

Mas a vida não se faz esquecer,
Não consigo me perder,
Não tenho como não sentir,
Vivo para remoer, persistir.
Qual aula recebo da vida?
Qual foi a lição aprendida?

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Mais Um Lamento

Vou compor cada verso, como se fosse parir parte do universo. 
Toda dor, lágrimas e sentimento, 
Tudo que eu puder sentir sem constrangimento, 


E vou amar, pois é o que me resta, 
Vou amar e vou chorar, pois, esse é o ritmo da festa, 
Que venha ao mundo mais um lamento, 
E lamento dizer, sou puro sentimento, 

Razão ficou para trás, descabelada, enlouquecida! 
O que fazer dessa minha parte ensandecida? 
Vou lhe dizer e não será a última, 

Lamento fraco de rima, 
Verso que embala sorriso e lamento, 
Vou lhe dizer, sou puro sentimento.
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