quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Cético Demais Para Existir

Ás vezes não acredito que desacredito tanto.
Pareço cético demais para existir, por enquanto.
Muitas crenças, muitas promessas, exaustivas promessas.
Talvez eu nem exista. Seja uma personagem dessas.
De história ou piada de caráter duvidoso com moral no final.
Talvez seja um ser sonhado por quem delira em 1960, quase passando mal.


Não acredito muito no que tem que se acreditar. Cético demais para existir.
Estórias ao lugar de história. Muita ilusão e pouca razão para persistir.
Cá estou, esmagado constantemente pela minha credibilidade dúbia.
Não creio e não creem em mim. Também não acreditaria.
Muita estória, muita hipocrisia e dores reais.
No final não há campeão, apenas dores, todas quase iguais.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Acid Queen

Era para ter sido diferente, você era diferente.
Um novo mundo de pessoa inconstante.
Loucura par, diferente, mas tão igual.
Unicamente eu, parecia ser tão ideal.


Mas o mundo se despedaçou em segundos infinitos,
Tudo que era firme se fragmentou causando ferimentos,
Loucura minha, era tão igual. Mas se tornou outra pessoa.
Diferente, ensandecida. Porque dar ouvido ao que o vento soa?


Ácida, cruel. Esqueceu todo o tempo que foi compartilhado.
Ávida pelo fel. Se tornou abjeta como vilã de desenho animado.
Era para você ser a princesa de um lindo conto.


E não a Rainha Ácida cheia de desencanto.
De amigo a vilão em apenas em alguns segundos.
De nada valeu o tempo que passamos, momentos perdidos.



quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Filme Ruim




Não dá para avançar e ver o fim. Dê um pause nesse filme que é sua vida;
Volte algumas cenas e tenta recapitular ou dê uma resumida.
O que parece ter sido escrito? Era para ser uma comédia romântica?


Um terror B? Revivendo as cenas, você se pergunta: "Qual era a logica?”.
Grandes aspirações que vieram da infância, quantas morreram?
Cenas de amor, quantas foram ensaiadas? Dos sentimentos, quantos sobreviveram?


O maior medo depois de todos os medos é não achar razão. Existir é o ideal.
O medo maior, é descobrir que tudo que evitamos falar ou pensar, é real.
O filme parece ser chato com enredo moroso para esse propósito cheio de horrores,
Um filme sem resenha e final feliz. Como saímos desse filme ruim com péssimos atores?

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Quem Sou Eu?



Quem sou eu? O grito preso entalhado na garganta
Quem sou eu? O pranto preso sem motivo que aparenta
Quem sou eu? A canção fora de tom e sem beleza

Quem sou eu? A poesia sem rima e pureza
Quem sou eu? Alguém indeciso e aparentemente muito errado
Quem sou eu? Uma dúvida, questão em aberto. Um ser desmotivado?

Quem sou eu? Não tenho respostas e nem certezas absolutas
Quem sou eu? Não tenho nem certezas de quais são as perguntas
Não sei quem sou. Se alguém souber, me avise.
Não sei, e talvez ninguém saiba o que é seu ser. Mas se alguém souber me avise.

Sociedade Doente






O mundo é horrível não acha é?

- Porque fala isso? Não acho. Não sou milionário, mas tenho meu conforto, apesar de todas as dificuldades.

E porque você tem esse seu conforto? (mesmo que tímido conforto)?

- oras, porque me esforcei.

E quem não tem o mesmo conforto que você, não se esforçou? Qual tipo de esforço você se refere?

- Veja bem, não quero desmerecer o trabalho de ninguém, mas eu estudei para isso. Certo, estudei em faculdade pública, mas pago com altos impostos que nos é roubado. Se tal pessoa não teve o mesmo acesso que eu tive, o que posso fazer?...Martirizar-me por ela?

Poderia ter compaixão. Percebe que o mundo está longe de ser justo e que nossa sociedade tem um alto nível de violência que é baseado em consequências históricas que se arrastam por séculos.

- Ah! Já vai esquerdar... Vai falar sobre a escravidão, índios e os portugueses que levaram o ouro? O que eu tenho a ver com isso? Meus avós vieram de outro país, e foram explorados tanto quanto os escravos...

Eles eram considerados menos que humanos, eram maltratados pela polícia e viviam sobre a eugenia de um pseudocientificismo mal baseado no darwinismo?

-Não. Não acredito nessa coisa de racismo. Somos todos iguais perante a lei. Isso é "coitadismo". Vitimismo dos negros que querem se beneficiar com que houve em um passado longínquo. Hoje é tudo racismo, vitimismo, mimimi. Os gays já ficam todos revoltadinhos também. Todo mundo se dói hoje em dia.

Racismo é um passado longínquo? Ser taxado como perfil visado pela policia pela cútis é apenas uma estranha coincidência? Talvez, antes não achassem que poderiam ser ouvidos. Que alguém achasse que aquele incomodo seria notado. Talvez, poderiam sentir que tinha razão. Culpamos a vítima. E em um eterno sentimento que se assemelha a uma síndrome de Estocolmo, exponencialmente na proporção de uma sociedade, aqueles que tanto se sentiam apenas magoados, mas que nada diziam, estejam falando só agora. Apesar de historicamente haver negros como capitães-do-mato, nativos de etnia indígena como bandeirantes e outros casos semelhantes, os mesmos são reflexo dessa síndrome coletiva.

- Não estou falando nada disso, você está divagando... Mas, se você notar, apenas como observação: a maioria dos presos são pardos e negros.

E isso é coincidência, ou acha que é algo genético como se apoiavam os pseudocientificismo...? Será que não é consequência de um descaso, regado a preconceito e muita hipocrisia que vem criando esse cenário atual?

- E quer que faça o que com isso, se você tiver razão? Se for realmente isso que você está dizendo, se eu reconhecer isso vai mudar algo?

Reconhecer o erro seria uma iniciativa interessante. Apesar de não haver respostas definitivas ou certezas; mas percebe-se razões correlatadas que desembocam no desfecho que nós encontramos. Nosso histórico explica os sintomas de hoje. Não temos certezas... Mas o que é a sociedade além de uma aglomeração humana de diversos povos, famílias, identidades, e pluralismo? Eu, você, somos parte dessa culpa. Somos parte do erro sistemático. Somos a continuação de tudo que foi ensinado a nós como certezas e que agora não parecem tão certas assim... Talvez a sociedade esteja doente.

- Você acha que somos doentes? É isso?

Se não somos, estamos. Como sociedade. Como seres humanos. Prendemo-nos em coisas tão supérfluas e não conseguimos discernir o que está tão errado. O absurdo acaba se tornando comum e admissível. Como podemos viver dessa forma, se a maioria não vive, apenas existe e sobrevive como dá? Nosso ego é tão grande que não nos incomodamos com a miséria? Os problemas dos outros se torna nosso problema quando o outro acha uma forma errônea de agir e nos atinge... Mas se só houvesse maiores chances? Mais possibilidades, além das poucas e escassas existentes? Essa noção de mérito em uma nação que foi dividida a menos de 20 anos por milhões de esfomeados e que ainda encontra traços retrógrados, como racismo, a "a lei do Gérson" que se dá bem quem dá seu "jeitinho”... É natural imaginar que exista meritocracia quando a lei é idealista em dizer que somos todos iguais perante ela, mas a realidade nos mostra que nunca fomos. Nossa pluralidade mostra que somos tão parecidos e ainda sim tão diferentes, fazemos parte desse paradoxo que chamamos de vida. 

 

 

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Quem Criou a Normalidade?

O problema é que sinto muito, e desde já, me perdoe pelo declínio.
Precisamente falando, não posso dar certeza de nada além do óbvio.
Quero ser menos humano e ser mais como as pessoas são.
Que seja pra viver intensamente ou nem precisa mais então;




Sem mentiras ou sentimentos falsos e mascarados,
Se for para viver que então se sinta menos,
Em alguns momentos desejaria estar em posição fetal,
Se afogando em pranto repetitivo de forma banal.


O mundo massacra e causa medo. Não sei quais são seus planos reais.
As pessoas se fazem tão amáveis e infelizmente tão desleais.
A cada distúrbio diferente que na grande massa, se traduz em sociedade.
Quero deixar de ser e sentir, por alguns momentos. Nem que seja por caridade.


Só o tempo de pegar um fôlego, antes que um novo massacre se inicie na covardia,
Uma nova bomba jogada aos pés ou uma nova rasteira, mas nunca um tiro de misericórdia.
Deixar de sentir o pluralismo da insanidade.
Quem definiu o que é certo e errado, quem criou a normalidade?

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Só e Desespero



A solidão desespera; quantos já enlouqueceram isolados em um quarto úmido?
A solidão já matou diversas vezes na mente do intrépido moribundo.
Vivendo na alegria passageira de reles conhecidos. Estranho, sozinho e isolado.
Quantos gritos são necessários para ser ouvido? Quantos são necessários até ser esquecido?


"Precisa ter fé", é o que falam... Mas quanto ainda falta pra pagar essa penitência?
Minhas opções são enlouquecer ou abrir falência. Sobreviver na resiliência,
Perde-se na multidão de desconhecidos; onde esta a certeza de outrora?


Imponente monólito oco por dentro. Só há a carcaça do lado de fora.
Sem abraços ou afagos. Não consegue sincronia da sua loucura com a loucura alheia,
Perdido no meio de um sonho de desejo. Quanta dor perdura em sua existência?

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Tão Paradoxal Quanto a Realidade

Não quero que desfaçam de minhas ilusões; Sou um inveterado hipócrita que vive das concepções errôneas que minhas sinapses podem perceber. A miscigenação de um povo extinto, entre outro escravizado e o próprio colonizador me forneceu o DNA dúbio. O estrago foi feito a centenas de anos.



Tão paradoxal quanto é a realidade, é minha personalidade, que vive em antítese frequente. Criado para ser uma criatura racional e quantificar, raciocinar e imaginar... acaba se perdendo no absurdo que é a vida.


Na ilógica matéria que a precede. Na superficialidade criada há tantos séculos, entregue de pai a filho. Não quero que desfaçam de minhas ilusões; Sou alimentado pela televisão. Os livros escritos pelos mesmos erros de sempre.


Escritores errados em vidas erradas. Sou criado pela mentira, em rios que não se navegam e em ares que não se deve respirar. Sou feito para sonhar, pois quando fecho os olhos, me desfaço dos pesos em meus ombros, das responsabilidades e custos de se viver. Para viver é preciso ter. Senão, está fora do meio civil; Para morrer é preciso ter. Senão, estará morto em uma vala comum. Parece ser um ambiente hostil para viver e sobreviver se torna a meta única.


Entre os bem nascidos e malditos, a milhões de diferença. Quando vejo como evoluiu a espécie humana, me admiro a quantidade de pessoas no mundo e a raridade de se encontrar seres humanos! Tanto é que pensam em colocá-los em jaulas, param procriar e manter salva a espécie. Será bom para visitá-los ao domingo com família.


Não quero que desfaçam de minhas ilusões; Fui criado em crer que especiais. Se trabalhar muito será rico. Se tentar a sorte na lotofácil, poderá ganhar. Que querer é poder. Se muito desejar, você consegue. Falam-me tantas coisas nas revistas e televisão.


Odiaria que tudo isso fosse mentira. Odiaria saber que a vida não tem sentido lógico; Que não existe um ser superior bondoso ouvindo minhas preces. Não quero que desfaçam de minhas ilusões!

Quantas Vezes Desistiu de Seguir?







Quantas vezes desistiu de seguir? Quantas vezes renegou as dores?
Perdido de amores, sim, perdido horrores.
Procura-se urgentemente, porque andou sempre meio-perdido,
Estamos todos sem norte, e quem se perdeu, sempre foi meio fodido.


Não tem prumo, rumo ou nível, só a vive a deriva, sem persistir,
Quando você se sente perdido a ponto de desistir... Quem te puxa de volta, quase sem sentir, a essa realidade insana?
Um ser que procura ajudar, lógico! Uma figura deveras humana,


Quem te engana a ponto de sempre acreditar?
"Se não for hoje, vai ser amanhã, todo esforço faz compensar!"
Ah, esse é, involuntariamente, o senhor da maldade,
Todo dia, seu cotidiano repleto de uma triste ansiedade.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Enquanto Eu Rio


Quanto de mim deságua quando transbordo,
Enchente em forma de sentimento em desacordo,
Minha alma liquefaz e se dilui em meio à vida jaz liquida,


Oceano de problemas em meio a um deserto de humanidade não preservada,
Quanto mar para me tragar. Meu fluir estanca. Represa, não há para onde ser escoada.
Talvez por saber como seja difícil a dor destinar, dê tanto valor ao riso. Um mar de riso,


No qual procuro me nadar e por ventura me afogar. Rio, um riso frouxo quase obtuso.
Drenar-me, a vida é disso, nadar contra a correnteza e contra o vento.
Na busca por terra, porto seguro ou qualquer abraço que nos salve por completo.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

O Monstro e Mr. Hyde



Às vezes a antena capta tudo que não devia,
Sinais cruzados, dores e sentimentos escondidos da empatia,
Parece que se absorve tudo involuntariamente,
Mas existem tempos que parece ser frio como iceberg, um tanto doente,

Meio morto por dentro, meio sorriso forçado por fora,
Quando não é muito sentimento por dentro, sem saber viver o agora,
Coração vive apanhando da vida, constantes derrotas,

E em uma dualidade estranha, tem dias que viram horas mortas,
Petrifica o órgão que pulsava no peito sem jeito,
Emoção ou ocitocina deixam de agir com certo aproveito,
E nessa história entre médico e Mr. Hyde, de mutação intermitente,
Quando se sabe como viver, sendo essa dualidade inconveniente.
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