quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Boa Noite, Hoje Meu Nome É...

Boa noite, hoje meu nome é tristeza.
Não sei como amparar esse coração cheio de delicadeza,
Na estação que passou pensei encontrar Deus,
Mas faz parte do delírio que acomete os seus,

Boa noite, hoje meu nome é desespero,
Como encontra coragem para viver com tanto despreparo?
A noite caiu, e com ela a chuva que inunda,
Tenta lavar a mente e coração dessa vida imunda,

Boa noite, hoje meu nome é angústia,
Mais um dia sobrevivendo em meio a penúria,
Mais um dia para sofrer na carne e na alma,
Porque dizem para ter tanta calma?

Boa noite, hoje meu nome será saudade,
Como viver sem ter amor de uma cara metade?
Ousou amar o que não poderia amar.
Como foi o fim dessa história de amargar?

Lição Aprendida


Queria deixar para lá. Sem entristecer,
Mas as lembranças não me deixam esquecer,
Coração bate mais forte, intenso. Faz doer,
Quero não precisar ouvir. Ensurdecer,
Não ver, nunca mais. Me perder,

Mas a vida não se faz esquecer,
Não consigo me perder,
Não tenho como não sentir,
Vivo para remoer, persistir.
Qual aula recebo da vida?
Qual foi a lição aprendida?

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Mais Um Lamento

Vou compor cada verso, como se fosse parir parte do universo. 
Toda dor, lágrimas e sentimento, 
Tudo que eu puder sentir sem constrangimento, 


E vou amar, pois é o que me resta, 
Vou amar e vou chorar, pois, esse é o ritmo da festa, 
Que venha ao mundo mais um lamento, 
E lamento dizer, sou puro sentimento, 

Razão ficou para trás, descabelada, enlouquecida! 
O que fazer dessa minha parte ensandecida? 
Vou lhe dizer e não será a última, 

Lamento fraco de rima, 
Verso que embala sorriso e lamento, 
Vou lhe dizer, sou puro sentimento.

Matéria-Prima


De Nietzsche a Schopenhauer na filosofia,
Sua matéria-prima é a angústia,
De Pessoa a Drummond na poesia,
O que fez voar baixo é o que se sentia,

 

Pular abismos e depressões em tenra idade,
Coração bate forte na ansiedade,
Lágrimas escorrem com muita facilidade,
Raiva, medo, amor, tristeza. Sou a humanidade.

 

O que fazer com tantos sentimentos?
Esse amor latente dura quantos batimentos?
A mente engana por quanto se emociona,
O coração mente por quanto se engana.


terça-feira, 29 de novembro de 2016

Dinheiro Vai e Dinheiro Vem...

Dinheiro vai e dinheiro vem,
Perdemos e ganhamos e tudo parece bem,
Dinheiro vai e se esquece de voltar,
Nossos nomes são esculturas de areia que beiram o mar,
Crédito entra, débito sai;
E tem gente preocupada com a bolsa que cai,

Doenças, tristezas não tem como vender,
Dinheiro que tenta fazer as incertezas desaparecer,
Nossa ruína se traduz de nossos maiores obeliscos,
Vivemos muito, mas sem correr muitos riscos.

Sentimentos Fátuos

Sentimentos fátuos, amizades e amores líquidos. 
Liquefaz o que sinto. São os fatos vividos, 
Farto de muita falsidade, tudo parece ensaiado, 
Libido, amor, fúria, tudo fica misturado, 
As aparências valem muito mais do que a essência, 
No liquidificador da vida, tudo é triturado sem clemencia, 
Liquidado! O que de nós sobra, não traduz o que somos, 
Não resta muito para dizer o que realmente fomos...

Penso Onde Não Existo

Penso onde não existo,
Moro onde não vivo e resisto.
Existo onde mora minhas memórias,
Persisto, em reviver minhas histórias,


Penso onde não existo,
Permaneço vivo e insisto,
Nas turbulências das dores,
Das correntezas que arrastam nos rios e mares,

Sobrevivo, além dos problemas do mundo que desafiam,
Na oração daqueles que me amam,
Penso onde não existo,
Revivo tudo que vive no pensamento.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Sentimentos Para Dar e Vender

Tenho sentimentos para dar e vender;
Mas quem gostaria de comprar ou ter?
Sentimentos a flor da pele, que incomodam;
Tantos Sentimentos, que poucos gostariam,
Na vida é mais fácil ser frio, gélido;
Para sobreviver ao baque que é sentido,

Coração como iceberg, sístole e diástole sem romantismo,
Bate e apanha, sobrecarga emocional com sua vida a esmo.
Sentimentos para alugar e doar,

Mas quem se arriscaria a sentir sem se magoar?
Angústia, amargura, alegria, muito amor e tédio,
É um Caldeirão de emoções sem remédio.

Eu Não Queria Sentir Tanto

Eu não queria sentir tanto,
Mas já que sinto que eu não caia em pranto,
Quero sentir mais amor e alegria,
Que seja por inteiro e não por ninharia,
Se não for para ser oito ou oitenta,
Melhor dizer: "não esquenta",
Seja frio feito iceberg na Antártida,
Ou quente como uma labareda,
No peito brada o coração,
Grito silencioso, absurdos existirão,
Gritos mudos e agonizantes,
Se perdem no nó da garganta em dias entediantes,
Mais um dia enclausurado,
Mais um dia confinado,

Corpo que não solta essa alma,
Corpo que quer viver sem calma
Eu não queria sentir tanto,
Mas já que sinto, que seja amor portanto,
Quero transbordar de alegria e amor,
Esquecer dos dias ruins e da dor.

Da Fome

Da fome que irrompe no estômago,
Ou daquela que te devora o âmago,
Qual delas te incomoda mais?
A necessidade humana é demais,
Apela para alimento da carne e da alma,
“Saco vazio não para em pé”, dizem sem calma,

A falta de alimento irrita, agoniza, incomoda,
E com o bucho cheio, a ideia se molda,
A fome é pelo saber, para saber, e como ter,
A acidez estomacal e a dor existencial: dor do ser!

Machucam cada qual em seu órgão de origem,
Um no estômago, outro nos demais que existem,
Há quem não sente a fome da mente se devorar,
Afortunados aqueles que não sente a fome te devorar,

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Holocausto Zumbi

Holocausto zumbi, homens póstumos,
Atenção na tela do celular: é isso o que somos,
hipnotizados, empacotados, embriagados,
Somos o que fazemos de nós;
(cadáveres adiados) 
Viver sem saber o porque dentre tantos porquês.
                                  A busca é por qualquer desculpa, perdido nesses bosques,
Bosque, melhor seria selva. Onde Homem devora homem,
Nenhum lobo faria isso. Somos os que somem.
Cadáveres adiados. Homens póstumos;

Viveu? Ou apenas sobreviveu? É disso que gostamos?
Sem saber o que é realmente viver, nos arrastamos, vazios!
Seguimos assim, cadavéricos com preenchimentos dúbios,
Temos medo da morte sem ao menos termos vivido,

Temos medo do desconhecido sem saber ao que somos ávidos,
Enganamos. Nos ludibriamos. Escorregamos em nossas mentiras,
Cadáveres ambulantes, sem vida, sem amor...Somos as sátiras!

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